7 de julho de 2007
Eu vinha pensando num jeito de dizer isso, quando um comentário da Mônica Mamede veio me incentivar. Sei que vai ser polêmico. Meu romance "As espirais de outubro" narra os últimos dias da brasileira ganhadora do Nobel de literatura, em 2005. Como estou escrevendo uma resenha para o "novo" livro de Orhan Pamuk, "Istambul", tenho pesquisado novamente sobre o prêmio. Todo mundo sabe que há omissões históricas, falhas imperdoáveis. Nem vou citar os estrangeiros, todo mundo tem lá no fundo o seu candidato. Entre os brasileiros, sempre torci pelo Suassuna, acho que ele é o que tem todos os requisitos para ser um vencedor. Além do resgate da cultura de sua terra, escreve como um gênio. Entretanto, duvido que vença porque o problema é que ele é bom demais. Como foram Rosa, Clarice e Machado. Mas agora é que vem a bomba: eu aposto que o brasileiro que vai ganhar o Nobel (e não demorará muito) será o Paulo Coelho. Ele é a cara do prêmio (lá no mesmo nível de Gabriela Mistral e Harold Pinter). Daqui a pouco vou postar um trecho de Nadine Gordimer, para que se lembrem da Flip (eu gostaria de estar lá - alguém me consegue um autógrafo dela?)
6 de julho de 2007
É só porque havia em ti uma caixinha de silêncio. E eu a imaginava envelhecida, de um mofo que impõe respeito e mágica. Toda vez que eu a abria, escutava canção nenhuma e, dessa forma, dançava quieta em teus braços. Sei da ilusão dos instrumentos. Da solidão da voz. Da falta contida em tantas músicas. Mas tudo isso aquela caixinha supria. Ao abri-la, a quantidade de delicadeza impregnada em meus dedos entregava a preciosidade jamais pronunciada. Ao abri-la, nem meus olhos falavam. O silêncio guardado ali, sempre pronto a preencher nossos vazios. Como nos dias em que tocavas Chopin e todas as teclas querendo ser meu corpo.
Do livro Nervuras do silêncio, de Lindsey Rocha, lançado pela 7Letras na coleção Rocinante.
Do livro Nervuras do silêncio, de Lindsey Rocha, lançado pela 7Letras na coleção Rocinante.
23 de junho de 2007
15 de junho de 2007
Para mim ilusão e esperança se coincidem e a minha fé não tem olhos. A senilidade, ao contrário do que dizem os jovens, não significa sabedoria, mas tolerância. E isso eu constato, sentada aqui, no alto do décimo quarto andar de um prédio fundado num terreno de Botafogo, com setenta e dois longos anos pesando em minhas pernas varicosas.
Este aí é o trecho inicial do meu romance "As espirais de outubro", finalista do I Prêmio SESC de Literatura, premiado pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e publicado pela Nankin Editorial. O livro saiu esta semana e conta com o traço de Edgar Franco na capa.
Este aí é o trecho inicial do meu romance "As espirais de outubro", finalista do I Prêmio SESC de Literatura, premiado pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e publicado pela Nankin Editorial. O livro saiu esta semana e conta com o traço de Edgar Franco na capa.
6 de junho de 2007
Ela hesitou um pouco na correnteza, depois foi para o fundo e parou junto de uma pedra. Nick enfiou a mão para tocá-la, afundou o braço na água até o cotovelo. A truta estava parada na correnteza, descansando nos seixos ao lado de uma pedra. Quando os dedos de Nick a tocaram, tocaram também o sentimento sereno que ela guardava de ter escapado e de ter virado uma sombra no fundo do rio.
Hemingway, no conto "A alma dos rios". Tradução de José J. Veiga.
Hemingway, no conto "A alma dos rios". Tradução de José J. Veiga.
1 de junho de 2007
Nós, escritores, geralmente corrigimos as provas de nossas primeiras edições e, às vezes, nem isso. As seguintes, deixamos ao cuidado dos editores, os quais, talvez devido a seu conhecido e divertido jogo de passar a bola, as delegam ao impressor, o qual se apóia no revisor de provas, o qual, por ter a cabeça perturbada, chama em seu auxílio esse primo pobre que todos temos, o qual, como é bem mais folgado, as envia a um vizinho. O resultado é que, ao final, o texto não é reconhecido nem pelo próprio pai: neste caso, este seu servidor. Os livros freqüentemente melhoram com essa colaboração gratuita e tácita, mas os autores, raras vezes concordamos em reconhecê-los e costumamos preferir, talvez tomados pela soberba, aquilo que com melhor ou pior sorte havíamos escrito.
Trecho de um esclarecimento de Camilo José Cela, escrito para seu livro "A família de Pascual Duarte". Tradução de Janer Cristaldo, em segunda edição da Bertrand Brasil.
Trecho de um esclarecimento de Camilo José Cela, escrito para seu livro "A família de Pascual Duarte". Tradução de Janer Cristaldo, em segunda edição da Bertrand Brasil.
22 de maio de 2007
Evidentemente, como o cinema, a literatura argentina está muito à frente da nossa.
Mi historia termina del otro lado de la isla, donde los naranjales se encuentran con el río Luján, donde los camalotes se enganchan en el recodo de la orilla. Ahí me recogió Roberta y me arrastó por el yuyal y el colchón de naranjas caídas, me cargó por la escalera de troncos hasta la casilla y me dejó en su catre, como si hubiera pescado un hombre.
Trecho de Antuca, de Raúl Castro.
Mi historia termina del otro lado de la isla, donde los naranjales se encuentran con el río Luján, donde los camalotes se enganchan en el recodo de la orilla. Ahí me recogió Roberta y me arrastó por el yuyal y el colchón de naranjas caídas, me cargó por la escalera de troncos hasta la casilla y me dejó en su catre, como si hubiera pescado un hombre.
Trecho de Antuca, de Raúl Castro.
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