3 de agosto de 2008


Et maintenant, comment voulez-vous que je le regrette,
votre Paris bruyant et noir? Je suis si bien dans mon moulin!
C'est si bien le coin que je cherchais, un petit coin parfumé et chaud, à mille lieues des journaux, des fiacres, du brouillard!... Et que de jolies choses autour de moi! Il y a à peine huit jours que je suis installé, j'ai déjà la tête bourrée d'impressions et de souvenirs... Tenez! pas plus tard qu'hier soir, j'ai assisté à la rentrée des troupeaux dans un mas (une ferme) qui est au bas de la côte, et je vous jure que je ne donnerais pas ce spectacle pour toutes les premières que vous avez eues à Paris cette semaine. Jugez plutôt.

E agora, como sentir falta dessa sua Paris barulhenta e escura? Estou bem no meu moinho! É exatamente o canto que procurei, um cantinho perfumado e quente, a mil léguas dos jornais, dos fiacres, dos nevoeiros!... E quanta coisa bonita ao meu redor! Faz oito dias que me instalei, e já tenho a cabeça cheia de impressões e de lembranças... Veja, ontem à noite assisti ao retorno dos rebanhos para um "mas" (um sítio), que fica abaixo da encosta e juro que não trocaria este espetáculo por todas as premières a que assistiram em Paris esta semana. Julgue você mesmo.

Alphonse Daudet (1840-1897), trecho do romance "Lettres de mon moulin". A tradução é minha. Este post foi só para que pensassem no seguinte: é mesmo necessário morar nas capitais para se escrever uma obra-prima? Claro que a questão de se viver nas cidades grandes passa pelo fato de que nestas metrópoles se concentram as grandes editoras. Em conversa com o Nelson de Oliveira, surgiu a seguinte questão: um gênio morreria despercebido lá no seu interior? Ninguém poderia responder a esta pergunta, mas do mesmo modo que descobriram Van Gogh e Kafka, muitos outros provavelmente estão mortos e bem enterrados até hoje nos porões de sua misantropia.

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