<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222</id><updated>2012-02-16T14:53:12.867-08:00</updated><category term='sol nas feridas'/><category term='Então você quer ser escritor?'/><category term='Ronaldo Cagiano'/><category term='Luiz Vilela'/><category term='Aberto Bresciani'/><category term='Incompleto movimento'/><category term='Perdição'/><category term='Miguel Sanches Neto'/><title type='text'>Cidade Devolvida</title><subtitle type='html'>Uso este blog para falar de obras que li e curti.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>288</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-2077980379749336712</id><published>2012-02-02T14:04:00.000-08:00</published><updated>2012-02-02T14:05:04.373-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miguel Sanches Neto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Então você quer ser escritor?'/><title type='text'>Então você quer ser escritor?, de Miguel Sanches Neto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8J_ApLA7CEc/TysIPY7pBZI/AAAAAAAAATo/ZORJPUziO58/s1600/miguelsanches.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-8J_ApLA7CEc/TysIPY7pBZI/AAAAAAAAATo/ZORJPUziO58/s400/miguelsanches.png" width="246" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Sanches Neto não tem mais nada a provar a ninguém, já tem o seu lugar garantido no panteão da literatura brasileira. Meu pequeno comentário a respeito destes seus contos, portanto, nada pretende acrescentar à vasta bibliografia que cuida de analisar a obra do escritor paranaense. Se este texto conseguir incentivar um ou outro a ler sua obra, me darei por satisfeito.&lt;br /&gt;Os contos (dezesseis, distribuídos por duzentas e poucas páginas, publicados em 2011) tratam, de um modo bem geral, da infelicidade humana, do baixo valor de mercado do orgulho e da vaidade. São narrativas construídas de acordo com o conceito clássico de conto: início, meio e fim (às vezes surpreendente). Com isso, quero dizer que Miguel Sanches Neto quer contar uma história, mas não tem uma ânsia de contar uma história, ele vai devagar, como diríamos em Minas Gerais, "comendo pelas beiradas". Ele vai tateando, rondando o leitor, como quem não quer nada e, de repente, dá o bote. Para tanto, muitas vezes divide os contos em partes, dá uma volta no passado, prepara o chão.&lt;br /&gt;O título do conto de abertura dá o tom da obra: "Sangue". O leitor que se prepare para muito sangue, mas não aquele dos faroestes, dos filmes atuais de Hollywood, mas o sangue &lt;i&gt;nouvelle vague&lt;/i&gt;, o sangue contido, que vai tingindo aos poucos um cenário outrora puro, branco. Há também carne por todo lado. A mulher que não suporta mais o cheiro de sangue e de carne (esse trauma se repetirá em outras partes do livro), as árvores submersas que um artista de uma pequena cidade utiliza para construir suas peças indecentes, a faca que quase é usada para matar uma criança, as memórias de um soldado que romantizava a guerra, o marginal que sonhava em terminar, com o pai, uma casa na árvore e outras histórias que deixam em nós uma impressão de desassossego, de vazio.&lt;br /&gt;Mas eu queria falar especialmente do conto "Vestindo meu avô". Poucas vezes li um texto tão bem concebido, tão bem escrito. Confesso que saí da leitura um pouco deprimido, pensativo. Um garoto que respeitava o avô porque sempre o via com os sapatos bem engraxados. Um avô fugidio e seu cavalo cansado de longas viagens e de repente o menino que vai para a cidade grande, se esquecendo da terra natal, até o dia em que o pai lhe telefona, pedindo que venha ver o avô pela última vez. Aí, para mim, começa a genialidade do conto. O sentimento de proximidade que pai e filho tinham abandonado, é recuperado quando ambos têm de lavar o corpo sem vida do velho, de um velho degradado, que nem usada mais sapatos, mas chinelos de dedo. É uma morte pesada, crua, indigesta, como deveria ser.&lt;br /&gt;"Então você quer ser escritor?" é o conto que fecha o volume e fala de um modo peculiar que a obra é coisa totalmente diferente de autor. Neste texto, Miguel Sanches Neto esmiúça as armadilhas das oficinas literárias, em que os escritores que as ministram sabem da fragilidade do talento de seus pupilos. Mostra um professor de idade, disposto a elogiar seus alunos para garantir a mensalidade e às vezes uma ou outra aventura sexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Trecho&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Sobre uma mesa velha, no quintal, com o sol nascendo, lavávamos seu corpo. O pai queria fazer alguma coisa. o avô tinha se sujado muito. Não eram propriamente fezes, mas um líquido com sangue e células podres. Fui procurar um terno, havia um no armário. Mas encontrei apenas sapatos velhos.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Voltei para o quintal, ele continuava soltando aquele líquido podre. O pai me mandou pegar a mangueira, eu me lembrei da época em que matávamos um porco, o animal era pelado e lavado antes de ser aberto. A diferença é que agora íamos fechar um corpo. O pai apertava a barriga magra do avô, eu jogava água na mesa. Quando não saiu mais nada, fizemos a barba dele e lavamos de novo o corpo, secamos e o embrulhamos em um lençol branco. Depois de me ajudar a carregá-lo para a cama, o pai ficou no quintal limpando a sujeira, jogando terra seca no chão úmido. Eram oito horas, o sol alto, o comércio estava abrindo. Peguei o carro e saí para providenciar o enterro.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-2077980379749336712?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/2077980379749336712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=2077980379749336712' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2077980379749336712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2077980379749336712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2012/02/entao-voce-quer-ser-escritor-de-miguel.html' title='Então você quer ser escritor?, de Miguel Sanches Neto'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8J_ApLA7CEc/TysIPY7pBZI/AAAAAAAAATo/ZORJPUziO58/s72-c/miguelsanches.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-8469766493055887394</id><published>2012-01-29T13:46:00.000-08:00</published><updated>2012-01-29T13:46:03.522-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aberto Bresciani'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Incompleto movimento'/><title type='text'>Incompleto movimento, de Alberto Bresciani</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-qUIqiHpRNNs/TyW99GiPVdI/AAAAAAAAATg/MqumADJ83SM/s1600/bresciani.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-qUIqiHpRNNs/TyW99GiPVdI/AAAAAAAAATg/MqumADJ83SM/s320/bresciani.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Alberto Bresciani resolveu lançar seu primeiro livro aos cinquenta anos. É fato interessante, claro. Não sei se deveria ter editado antes, só posso comentar o que tenho em mãos. E tenho um livro consistente, de um poeta seguro, tarimbado. Demorei três meses, fiz quatro leituras da obra. Claro que um poema e outro me agradaram mais e estes li outras vezes. Após a primeira leitura, escrevi uma mensagem para o Bresciani contando que, após ler livros como este, tenho vontade de aposentar a caneta. Acho que isso não é coisa que se diz, mas estou sendo honesto. Saio deprimido de uma obra assim, porque eu queria ter esse domínio da linguagem.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que vou escrever aqui não é novidade. Eu carrego um caderno por onde vou - nele anoto palavras, pensamentos, reflexões, ideias. Tenho rabiscadas observações sobre quase todos os livros que li. Os que valem a pena, lógico. Quando se trata de um livro de versos, registro as palavras que mais aparecem. Nesta antologia do Bresciani, não tenho dúvidas, três palavras se repetem o tempo todo, mas nenhuma como a "pele". Assim é que eu imagino que o escritor nos dá uma dica de como ler sua obra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como o autor separa as cento e dez páginas da coletânea em quatro partes: "Dos gestos que transfiguram", "Dos gestos que iluminam", "Dos gestos que atordoam" e "Dos gestos que paralisam", pude ter uma ideia geral da construção que ele arquitetou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Juntemos o gesto à pele, qual o resultado? Relacionamentos. Quando observamos, nos relacionamos. Como enxergar o que existe, como, como observadores, como interventores, agimos no mundo, modificando-o, interpretando-o? Talvez Bresciani tenha tentado não responder estas questões, mas refletir sobre elas. Abro agora o livro ao acaso, escolho um título de um poema, "Idioma" e &amp;nbsp;lá está:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Nestes signos&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;a reinscrição do talvez&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;sopro que não morde&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;só se escreve no ar&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;os olhos quase podem ver&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;e, quem sabe, um dia desvelar&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Assim segue o desejo, quase tangível. Um desejo amainado, vez ou outra por um gesto que captura uma esperança de compreensão, de descanso, como nos versos de "Cronologia":&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;nas mãos, entre os braços&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;no peito, na plenitude&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;dos pelos e da pele&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;à mira&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;da boca, das garras, dos dentes&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há, para mim, um recado claro: a compreensão está sempre um passo adiante, nossa tarefa é, então, persegui-la. Aí vai o poema "Opostos":&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;A extensa via obriga&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;a mãos inversas&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Nem a luz é toda&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;brilha por prismas&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Em cada foco&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;a distância se amplia&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Nada nos une&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;ou decifra.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-8469766493055887394?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/8469766493055887394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=8469766493055887394' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8469766493055887394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8469766493055887394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2012/01/incompleto-movimento-de-alberto.html' title='Incompleto movimento, de Alberto Bresciani'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-qUIqiHpRNNs/TyW99GiPVdI/AAAAAAAAATg/MqumADJ83SM/s72-c/bresciani.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-3703093538890187497</id><published>2011-12-29T03:39:00.000-08:00</published><updated>2011-12-29T03:41:52.918-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Perdição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luiz Vilela'/><title type='text'>Sobre "Perdição', de Luiz Vilela</title><content type='html'>Não escrevo resenhas há três anos e as observações que farei aqui não podem ser consideradas crítica literária, mas somente comentários baseados em minhas leituras. Muito do que vem a seguir pode ser aplicado a qualquer obra de Luiz Vilela, embora eu esteja tratando, especificamente, de Perdição, seu romance recém-lançado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nos textos de Vilela, o narrador não é onipresente - ele sempre sabe de algo porque viu ou porque alguém lhe contou. Ele, portanto, repassa ao leitor a sua mensagem, que, evidente, pode estar corrompida. Isso gera um efeito interessante: nunca se sabe o que é verdade e o que é invenção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os diálogos são o ponto principal da obra de Luiz Vilela. Mas diálogo é algo complicado na literatura. Então, o escritor tem de fazer uma escolha: ou ele transcreve a fala das pessoas, imitando-a em seus menores detalhes como ela é ou considera a fala algo diferente da escrita e por isso adota a norma culta para os diálogos. Luiz Vilela escolhe a segunda opção. Assim, pode parecer estranho que um feirante utilize o pretérito maisque-perfeito, mas não é, pois o diálogo é somente uma representação escrita do que foi dito oralmente, de uma outra maneira, mas com o mesmo significado. Como o narrador não é onipresente, a "transcrição" dos diálogos não precisa ser fidedigna. E mesmo se em alguns casos ele está presente durante o diálogo, não é neste momento que ele passa para o papel o que ouviu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A força e a precisão dos diálogos está na voz própria de cada personagem - um padre tem seus cacoetes linguísticos, um pescador idem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para dar um caráter informal e também para amenizar e ao mesmo tempo aumentar a tensão, há piadas, muitas piadas e também ditos populares. De amenidade em amenidade, o leitor prende a respiração, se prepara para a fisgada, pois sabe que a qualquer instante a conversa pode tomar um rumo inesperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A história principal é simples e curta: um pescador se torna pastor, vai para a capital, ganha muito dinheiro com os fiéis e se crê acima de tudo, poderoso. Leva um tombo e se decepciona com o mundo. Só que não se pode escrever 400 páginas sobre isso. Daí que o livro traz muitas personagens secundárias, muitas histórias paralelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um clássico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BnRJL7UDEAk/TvxRZBOOCiI/AAAAAAAAATM/HUdHtMzMlBg/s1600/luizvilelagde.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-BnRJL7UDEAk/TvxRZBOOCiI/AAAAAAAAATM/HUdHtMzMlBg/s320/luizvilelagde.gif" width="207" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-3703093538890187497?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/3703093538890187497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=3703093538890187497' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3703093538890187497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3703093538890187497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2011/12/sobre-perdicao-de-luiz-vilela.html' title='Sobre &quot;Perdição&apos;, de Luiz Vilela'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-BnRJL7UDEAk/TvxRZBOOCiI/AAAAAAAAATM/HUdHtMzMlBg/s72-c/luizvilelagde.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7157057404428190331</id><published>2011-11-14T12:20:00.001-08:00</published><updated>2011-11-15T03:44:29.474-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sol nas feridas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ronaldo Cagiano'/><title type='text'>O sol nas feridas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-5ZKxb8t4R8A/TsF9ytxTDOI/AAAAAAAAASs/t4KDBANSc-I/s1600/solferidas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-5ZKxb8t4R8A/TsF9ytxTDOI/AAAAAAAAASs/t4KDBANSc-I/s1600/solferidas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Ronaldo Cagiano retorna com tudo à poesia. E volta mais irônico, mais cáustico, o que pode ser percebido por meio dos temas, alguns deles trabalhados pela primeira vez pelo poeta. A força da linguagem permanece, o lirismo e as homenagens também estão lá. Mas Cagiano parece ter abandonado aquele trato quase contido com as situações, aquele pisar em ovos dos livros anteriores, para escancarar a sua visão das coisas, o que foi extremamente positivo para sua literatura. Ouso até afirmar que os seus versos ficaram mais amargos. Vejam um exemplo no poema "Onde estava Deus,"&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Onde estava Deus,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;quando Hitler avançou&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;com seus coturnos, suas bombas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;seus campos de concentração&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sobre toda a humanidade?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em outro poema, "Ad nauseam", ainda sobre o mesmo tema das religiões:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando alguém vem falar de Deus&lt;/div&gt;&lt;div&gt;dou-lhe as costas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e abro um livro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não é somente denúncia, é também recordação. A sua Cataguases, sempre mítica e inalcançável em sua pequenas de província também está neste livro:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando nasci, uma parteira,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;dessas que nos inauguram&lt;/div&gt;&lt;div&gt;na febre dos dias, disse:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vai, menino! ser alguém no mundo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e saia de Cataguases&lt;/div&gt;&lt;div&gt;para não ficares menor que ela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao falar de si, de suas provações, de suas dores, Cagiano é mais incisivo, como no poema "Despedida":&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No agosto em que meu pai morreu&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a vida tornou-se uma pátria incompreensível&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e o mundo um albergue de inverdades.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No leito em que dormitavam com ele&lt;/div&gt;&lt;div&gt;todas suas dores e&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;falhavam as energias&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu depositava décadas de silêncios&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;e olhares mudos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aquele que encarar os mais de sessenta poemas pode ter certeza de que não sairá impune da empreitada. "O sol nas feridas" é para corajosos, para esses leitores cada vez mais raros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7157057404428190331?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7157057404428190331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7157057404428190331' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7157057404428190331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7157057404428190331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2011/11/o-sol-nas-feridas.html' title='O sol nas feridas'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-5ZKxb8t4R8A/TsF9ytxTDOI/AAAAAAAAASs/t4KDBANSc-I/s72-c/solferidas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6339518897116228058</id><published>2011-10-25T12:20:00.000-07:00</published><updated>2011-10-25T12:25:13.746-07:00</updated><title type='text'>As certezas e as palavras, Carlos Henrique Schroeder</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-epd9N26K37E/TqcL0pO6hRI/AAAAAAAAASc/XC1UV7usEWk/s1600/schroeder.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-epd9N26K37E/TqcL0pO6hRI/AAAAAAAAASc/XC1UV7usEWk/s320/schroeder.jpg" width="230" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dezenove contos deste livro de Schroeder tratam da única certeza que todos temos: a de estarmos sós. Assim, os relacionamentos não funcionam, nenhum tipo deles, pois o homem parece sempre em busca de algo que não poderá ter jamais. Esse sentimento de impotência é muito bem retratado na literatura de Schroeder, muito por causa de um lirismo às vezes impertinente, que surge quase por acaso em um parágrafo ou outro.&lt;br /&gt;E há também a violência, o despudor. O maniqueísmo não tem mais lugar no mundo de hoje, “meus heróis morreram de overdose”, cantaria Cazuza. “A mão que afaga é a mesma que apedreja”, sentenciaria Augusto dos Anjos. Mas essa violência nunca é gratuita, é uma face da solidão e Schroeder sabe disso, essa Geração zero zero, à qual pertence, sabe disso.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, o leitor perceberá que não há explicação para nada. Há a tentativa de explicação – as palavras, que, se chegam até o homem, não o humanizam. A muleta das palavras, como diz o próprio autor em uma das epígrafes do livro. Uma muleta capenga, que não ajeita o passo de ninguém, apenas ampara, de uma maneira limitada, mas eficiente. A muleta necessária, mas não suficiente.&lt;br /&gt;Há vários contos que me agradam muito, como “As certezas e as palavras”, em que uma das personagens é viciada na palavra “opróbio” e fica criando textos em cima dela, exercitando a sua própria solidão. Ou então “O tempo que resta”, sobre uma rodovia que tira vidas, um conto melancólico, em que nada parece acontecer, como se todo o texto fosse apenas a descrição de uma fome e de um medo, um medo comum a todos, um medo alimentado pela certeza da solidão e da morte. Gosto também do erotismo romântico do conto “Não diga noite”, em que a imagem se torna mais importante do que o sentimento, ou então que o sentimento só pode ser compreendido pela imagem. O que faz todo o sentido, pois atravessamos uma época em que tudo nos chega primeiramente pela visão. Outro dia comecei um texto me perguntando sobre a tarefa do escritor nos dias de hoje, em que, no câmbio cultural, precisamos de mil palavras para comprar uma imagem. Schroeder sabe disso, ele sabe que a palavra não muda mais nada, que a palavra está em desuso, que a palavra não chega a mais ninguém, porque os homens estão caminhando para seu destino de máquinas (novamente parafraseio uma epigrafe de “A certeza e as palavras”).&lt;br /&gt;E os contos têm muitas citações, muitas homenagens, mas elas nunca parecem excessivas, pois fazem parte do contexto, estão ali para ajudar o roteiro. Além disso, sabemos que o leitor não está acostumado a ler Paul Auster, Maurice Blanchot, Alan Pauls ou Dylan Thomas, o que significa que as passagens escolhidas por Carlos Henrique Schroeder têm a função de apresentar estes autores, de fazer com que o leitor se apaixone por estes grandes pensadores, que o leitor &amp;nbsp;Para contrabalançar, há muitas menções pops, principalmente pinçadas do rock. Legião Urbana, Joy Division e assim por diante, o que nos deixa, nós que estamos chegando aos quarenta, mais à vontade. Ouvir Joy Division hoje ainda é possível. Gravar Joy Division e The National num mesmo pen drive é possível.&lt;br /&gt;Eu recomendo este livro porque é bom, é fruto de um autor maduro e quem ler os contos que foram reunidos nesta obra pode ter a certeza que passará bons momentos em companhia de uma literatura forte, que não deixa e nem quer deixar nada a dever a nada ou a ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6339518897116228058?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6339518897116228058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6339518897116228058' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6339518897116228058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6339518897116228058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2011/10/as-certezas-e-as-palavras-carlos.html' title='As certezas e as palavras, Carlos Henrique Schroeder'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-epd9N26K37E/TqcL0pO6hRI/AAAAAAAAASc/XC1UV7usEWk/s72-c/schroeder.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-528791605422454524</id><published>2011-10-15T09:30:00.000-07:00</published><updated>2011-10-15T09:30:00.925-07:00</updated><title type='text'>Atualização</title><content type='html'>Estou testando os novos recursos do Blogger, pois penso em voltar a postar aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-528791605422454524?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/528791605422454524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=528791605422454524' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/528791605422454524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/528791605422454524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2011/10/atualizacao.html' title='Atualização'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-788515782323798335</id><published>2010-06-02T03:46:00.000-07:00</published><updated>2010-06-02T03:46:41.082-07:00</updated><title type='text'>O deus brincalhão, Gilberto G. Pereira</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;&lt;i&gt;“Caminhou contra as línguas de fogo.  Estas não morderam sua carne, estas o acariciaram e o inundaram sem  calor e sem combustão. Com alívio, com humilhação, com terror,  compreendeu que ele também era uma aparência, que outro o estava  sonhando.”&lt;/i&gt; Jorge Luis Borges (As ruínas circulares)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/TAY2YocTWPI/AAAAAAAAAMU/uP3nvCjA0Tg/s1600/olivrodacarne.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/TAY2YocTWPI/AAAAAAAAAMU/uP3nvCjA0Tg/s320/olivrodacarne.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus,  e o verbo era Deus. (...) E o verbo se fez carne e habitou entre nós.”  Embora haja semelhanças, Este que aparece no &lt;b&gt;Evangelho de João&lt;/b&gt;  não é o deus crivado nas palavras da mais recente publicação do mineiro  Whisner Fraga, &lt;b&gt;O livro da carne&lt;/b&gt; (7 Letras, 2010, 80  páginas). Aqui, quem reina é um deus brincalhão, embora também saiba dar  sua cota de tragédia e drama. É um deus cheio de poesia mundana, atada  por tiras de fibra sagrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também a &lt;b&gt;Bíblia&lt;/b&gt; é  um longo poema da criação, alguém pode argumentar com autoridade. E por  isso mesmo, ao largo dos versos de Fraga, o sujeito poético, neste  caso, o próprio deus, está imbuído de propriedades divinas do Velho  Jeová e até de Cristo. No entanto, o espaço lúdico construído na  geografia poética de O Livro da Carne oferece uma multiplicidade de  sonhos e desejos, um turbilhão de rebeldia e senso de desconstrução, que  vão além desses deuses ultrapassados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é raro, neste livro  insólito, o leitor se deparar com versos que renegam a velha tradição,  ou que retiram dela o substrato de sua verdade, para recriar a vida,  para partir praticamente do zero e criar de novo os ossos, os nervos, a  carne, e talvez a inteligência. Mas aí já é exigir demais de um deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os  poemas são uma espécie de receita, ou ordem, conselho, todos nascem do  imperativo, todos giram em torno de verbos no infinito, que é a potência  determinante da linguagem verbal. “Empalhar deuses”, diz um verso.  “Tolerar as feridas chamuscadas de lodo/ De deuses sem fé/ E sem  divindade”, dizem outros versos. “Dois deuses cochilam no assoalho do  criado”, observa o sujeito poético em outro poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “Roteiro  para empreender a fuga”, vemos um exemplo de como a ideia de evangelho,  ainda esconsa no testamento anterior, está inserida, como quem faz o  mesmo caminho messiânico já conhecido, só que em outra dimensão. “Reter o  vão/ Chacoalhar guizos de canduras/ Afivelar saudades/ Olhar derradeiro  as disposições dos trigos/ recolher as tranças das rosas/ Beirar a  ânsia de conter o então/ E depois.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desfecho do poema, que pode  sugerir Moisés e seu séquito, é cheio de graça mundana, cheio de riso,  quase uma pilhéria, mas, ao mesmo tempo, carregado de perplexidade e uma  vontadezinha de ficar, de não ir embora: “Levar também a chave/ Para um  possível retorno.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os títulos de cada poema são índices  voltaicos que ajudam o leitor a penetrar o universo da criação desse  deus que muitas vezes é puramente infantil, um deus menino. “Receita  para dividir o vento”, “Roteiro para edificar o nada”, “Para ninar  espíritos”, “Para prolongar infâncias”. É assim que vemos um desfile de  propostas nascentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O arco e a lira&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma  dessas propostas explora com vigor poético a imagem de um personagem  caro ao Deus hebreu e cristão, mas que também não tira o pé do terreno  infantil, do imaginário de uma infância altiva e que já sabe planejar. É  um poema que vale ser posto em sua totalidade aqui para a devida  apreciação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para escolher forquilhas”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Optar pelo  galho mais alegre&lt;br /&gt;De goiabeira de fim de cinza&lt;br /&gt;De noite arredia&lt;br /&gt;E  sacis xeretas&lt;br /&gt;Enfim se decidir pelo corte:&lt;br /&gt;Improvável cumprir  completo a vida&lt;br /&gt;Esticar braços condoídos&lt;br /&gt;Para teste da melhor goma&lt;br /&gt;E  divertir dos amigos&lt;br /&gt;A penúltima manhã amarela&lt;br /&gt;Não alvejar  canários ou azulões&lt;br /&gt;Nem estrelas&lt;br /&gt;Acolher o travesseiro o  estilingue&lt;br /&gt;Ao presságio de outras guerras.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem traça  esse plano não é um garoto, mas é. É e não é. É um deus menino que  parece dar à luz a infância de um guerreiro, cuja primeira arma é o  estilingue. Uma funda. Estamos diante de um vir-a-ser de Davi. É a  recriação de um guerreiro caro a Jeová, por que ele soube conduzir o  povo de Israel, embora tenha sido controverso e tenha decepcionado seu  Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este Davi, tal como aparece aqui, não está na &lt;b&gt;Bíblia&lt;/b&gt;,  claro, é fruto do novo deus. Mas seu futuro é vencer outro Golias. Sua  tarefa é dormir e sonhar com a batalha e a vitória que virão. O que deve  ser enxergado nesse poema, como construção poética, é essa imagem  buscada, ou rebuscada, entre os objetos de infância do poeta, mas não só  isso, entre elementos da cultura brasileira, do imaginário da cultura  popular tupiniquim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom lembrar que a literatura de Fraga faz  dos mitos uma ferramenta afiada para esculpir os signos atuais. Nestes  poemas de &lt;b&gt;O livro da carne&lt;/b&gt;, o que vemos é uma extensão  temática de sua prosa. Muitos versos remetem a personagens e situações  já trabalhadas em livros anteriores, como Helena, que está em &lt;b&gt;&lt;a href="http://leiturasdogiba.blogspot.com/2009/05/abismo-poente-rancor-e-remorso-no-sol.html"&gt;Abismo  poente&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua marca segue a tradição poética. Não se  alcança o significado polissêmico proposto sem a perseguição do ritmo e a  disposição das palavras, suas formas dançantes e troca de sílabas  ressoantes entre uma palavra e outra. Esta poesia, cheia de  brincadeiras, esta experimentação poética, como um deus que brinca de  criar, tem muito daquilo que se chama de sentido logopeico, em que se  fincam significados substanciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Abismo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  denominação conceitual trabalhada por Ezra Pound nos ajuda, e muito, a  fixar significados aqui. Em &lt;b&gt;O livro da carne&lt;/b&gt;, além dos  recursos vocabulares, há também a riqueza da melopeia (musicalidade) e,  principalmente, a exploração fosfórica da fanopeia (condensação poética  que forja o significado por meio da sugestão de imagens), porque é por  ela que encontramos as figuras mais fulminantes deste livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como  em “Receita para tolerar a miséria do voo”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Contra o viço e o  alvoroço resedá&lt;br /&gt;A transição do peito engatilhado&lt;br /&gt;Atenuar a  voracidade do húmus&lt;br /&gt;O hostil e inquieto rumor de precariedades&lt;br /&gt;O  disparo vermelho&lt;br /&gt;O tambor com seus desgostos giratórios&lt;br /&gt;E o  projétil da vez&lt;br /&gt;O pulso mortificado pelo curso vacilante&lt;br /&gt;Que já  nem denuncia uma pista da vida&lt;br /&gt;Como urubus camicases.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois  de várias receitas sobre como criar um novo mundo de gente mais humana,  resgatando um projeto divino que falhou, que malogrou entre todos os  deuses do passado, o sujeito poético aparece com uma receita de  acabamento final, uma sugestão de suicídio. “Receita para tolerar a  miséria do voo” é, por isso mesmo, um dos poemas mais interessantes do  livro, porque chega como uma espécie de abertura para o abismo da  existência, porque emerge como chave para fechar o que havia sido aberto  como possibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo &lt;b&gt;O livro da carne&lt;/b&gt;,  as temáticas rondam os poemas como uma engrenagem de moinho. No entanto,  o mais interessante é que muitas vezes as palavras dançam no interior  do poema, como acontece em “Receita para tolerar a miséria do voo”. O  desenho do suicídio vai surgindo justamente nessa dança fúnebre dos  vocábulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do metralhar onomatopaico de ‘contra, alvoroço,  transição’, e inversões silábicas entre ‘atenuar’ e ‘voracidade’, o  leitor segue o drama macabro com os termos “peito engatilhado”, “rumor  de precariedades” (que é a própria vida), “disparo vermelho”, “tambor”  (do revólver), “projétil” e a execução final, em que o pulso fenece e já  não há mais vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os últimos versos desenham bem a beleza  mortífera do poema: depois do tiro, o pulso, aquele que poderia conferir  a vida, está como urubus camicases. O termo “urubus camicases” faz o  leitor levantar os olhos e reparar o título. Ele vê ali “miséria do  voo”, e se baixar vertiginosamente as vistas completará “miséria do voo  da vida” e sentirá o baque da queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os urubus voam alto, e só  descem para saborear a morte dos outros, para comer carcaças, carniças,  mas ainda assim, dão pista de vida, pelo menos a deles próprios, ou, em  última hipótese, indicam que houve ali uma vida. Mas urubus camicases  são urubus suicidas, eles descem do céu, em voos fulminantes, para,  hipoteticamente, se racharem no chão. Não há mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Sopro  de verbo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;b&gt;O livro da carne&lt;/b&gt;,  possibilidades são o que não faltam aos poemas, que, junto ao lirismo,  oferecem versos de violência e ternura, como quem quer abarcar a vida  toda. Tudo é uma tentativa. A começar pela proposta de fazer versos com  verbos no infinitivo para quase todas as peças. Entre uma página e  outro, há ideias micros e projetos macros. Neste sentido, é um livro  repleno de mundos e sonhos, em que a natureza humana se aproxima de novo  da Natureza. E a magia, a artimanha, está presente em cada sopro de  verbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como autor, Fraga carrega uma luz literária peculiar.  Escreve com absoluta consciência. E isso é bom. Para quem gosta de  referências, há aqui algo que lembra Manoel de Barros. Mas parece que  suas fontes estão num passado mais longínquo, como a Bíblia, a  mitologia, as verdades religiosas, desbancadas em cada uma das receitas  poéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas receitas riem da febre de livros de autoajuda que  inundaram o mercado editorial nos últimos anos. Mas também, se  seguirmos o ritmo dos versos, sentiremos uma sensação de que estamos  orando, fazendo uma prece. São preces poéticas, que acabam contrariando o  sentido da vida na religião. É um novo religare. Coisa que se faz muito  na literatura. Aliás, no fim das contas, a literatura é isso, uma  espécie de religião ao contrário, cujos deuses são humanos demais,  próximos demais de cada leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhando os versos, o leitor  pode chegar a uma conclusão. Talvez essas regras, essas recomendações,  ou ordens presentes em &lt;b&gt;O livro da carne&lt;/b&gt;, sejam para ele  mesmo, para o próprio deus propositor da nova existência. Talvez essa  escritura seja como bilhetes na porta da geladeira que as pessoas  solteiras e que moram sozinhas deixam, na desculpa de ter pouca memória,  mas que, no fundo, é para travar um diálogo consigo mesmas, diálogos  para espantar a solidão. Todos os deuses estão sós. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Publicado originalmente no jornal &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.tribunadoplanalto.com.br/index.php/cultura.html"&gt;Tribuna  do Planalto&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;, 30/05/2010)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Serviço&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Título: &lt;a href="http://www.7letras.com.br/"&gt;&lt;b&gt;O  livro da carne&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Autora: Whisner Fraga&lt;br /&gt;Editora: 7  Letras, 2010, 80 páginas&lt;br /&gt;Gênero: Poesia&lt;br /&gt;Preço: R$ 28,00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-788515782323798335?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/788515782323798335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=788515782323798335' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/788515782323798335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/788515782323798335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2010/06/o-deus-brincalhao.html' title='O deus brincalhão, Gilberto G. Pereira'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/TAY2YocTWPI/AAAAAAAAAMU/uP3nvCjA0Tg/s72-c/olivrodacarne.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-555617576252200230</id><published>2010-05-06T10:55:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T10:55:32.114-07:00</updated><title type='text'>O legado de Eszter</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S-MCisSJ5QI/AAAAAAAAALc/3O9xT4RLsbI/s1600/legado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S-MCisSJ5QI/AAAAAAAAALc/3O9xT4RLsbI/s320/legado.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha ideia inicial era falar de algum livro do Georges Perec, mas depois de ter lido "De verdade" do escritor austro-húngaro Sándor Márai (1900 - 1989), resolvi falar um pouco deste sujeito corajoso, que deu um tiro na própria cabeça aos 89 anos. O legado de Eszter é um ótimo livro, mas não é o melhor de Márai. Nele, Eszter é uma mulher beirando a terceira idade, apaixonada por um malando, Lajos, que se casou com sua irmã. Vinte anos longe e o camarada resolve retornar para&amp;nbsp; uma visitinha de um dia. O forte do romance, como em todas as demais obras de Sándor, é a construção das personagens. O escritor não poupa ironia e sagacidade ao retratar o lado mesquinho dos relacionamentos e o faz de maneira poética, contida e precisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-555617576252200230?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/555617576252200230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=555617576252200230' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/555617576252200230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/555617576252200230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2010/05/o-legado-de-eszter.html' title='O legado de Eszter'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S-MCisSJ5QI/AAAAAAAAALc/3O9xT4RLsbI/s72-c/legado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6039651297387715413</id><published>2010-04-19T09:17:00.001-07:00</published><updated>2010-04-19T09:17:42.009-07:00</updated><title type='text'>Livro da carne</title><content type='html'>Saiu. Esta semana começa a chegar às livrarias meu novo livro. O  primeiro de poesias. Coloquei alguns exemplares na Estante Virtual a  preços bem módicos. Este livro é um projeto paralelo, no qual vinha  trabalhando desde 2002. Várias poesias foram publicadas naquelas agendas  que o PSTU vende. Isso desde 2003. Só que eu as retrabalhei e foram  publicadas de modo diferente neste livro da carne. A capa ficou muito  bonita, na minha opinião e todo o projeto gráfico de tirar o chapéu. O  texto da orelha ficou por conta do Paulo Bentancur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S8yCG0pbJcI/AAAAAAAAALU/DAHoQDrxr9I/s1600/olivrodacarne.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S8yCG0pbJcI/AAAAAAAAALU/DAHoQDrxr9I/s320/olivrodacarne.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6039651297387715413?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6039651297387715413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6039651297387715413' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6039651297387715413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6039651297387715413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2010/04/livro-da-carne.html' title='Livro da carne'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S8yCG0pbJcI/AAAAAAAAALU/DAHoQDrxr9I/s72-c/olivrodacarne.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-8120864274440687427</id><published>2010-03-08T09:09:00.000-08:00</published><updated>2010-03-08T11:07:14.874-08:00</updated><title type='text'>Elvira Vigna, Nada a dizer</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S5Uuj4Yr19I/AAAAAAAAALM/eYTimtYQI0I/s1600-h/elviravigna.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S5Uuj4Yr19I/AAAAAAAAALM/eYTimtYQI0I/s320/elviravigna.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A classe média granjeou, há algumas décadas, o direito à liberdade sexual, mas até hoje ainda não aprendeu o que fazer com essa conquista. Verdade q a hipocrisia que imperava antigamente entre os casais se converteu em um justificável, porém nada franco, chumbo trocado. Ninguém é de ninguém, já defende a música. Entretanto, ainda existem o sonho (sobretudo feminino) do véu e da grinalda, dos filhos quebrando a casa e da constituição de uma &lt;i&gt;cellula mater&lt;/i&gt;. O egoísmo, que não deixará de existir, porque é uma condição humana. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No último romance de Elvira Vigna, &lt;i&gt;Nada a dizer&lt;/i&gt;, lançado pela Companhia das Letras, em fevereiro de 2010, a narradora tenta esmiuçar o pensamento feminino a respeito da traição. Com uma dose de proselitismo, ela pretende nos ensinar que o homem trai com maior facilidade. O que parece até ser verdade. Uma mulher de meia idade, que parece já ter passado dessa meia idade, apresenta ao leitor os detalhes de uma traição. Uma não, duas. A primeira, contudo, não conta, o marido Paulo, resolve dar uma escapa de uma tarde com uma garota de programa. O medo da narradora, de resto como parece ser o temor de toda mulher dessa classe média-alta é o do envolvimento. Por isso que, quando surge N. na vida de ambos, a coisa complica, porque N. acaba se configurando em um caso, logo em uma competidora, em um fato que faz com que se questione o comodismo que se tornou o cotidiano dessa sociedade mesquinha. Mesmo a narradora apostando que N. não tem grandes chances de fundar uma família com seu marido, permanece como uma competidora, porque apresentou à narradora a fragilidade de uma instituição que julgava forte o bastante para subjugar o lugar-comum da falta de intimidade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Para a narradora, parece não haver problema nenhum que ambos tenham saído de casamentos fracassados para montar esta outra família, construída de estilhaços de crenças anteriores (e ultrapassadas). O que interessa é o autoconhecimento, mas também é importante o conhecimento do outro, com quem divide a cama há vários anos. &lt;i&gt;Nada a dizer&lt;/i&gt; resume o silêncio que facilita a vida - explicar é complicado, o melhor é ir levando. O bom é que a narradora reconhece seu erro na história: cobra demais, força demais uma proximidade que Paulo não deseja a todo instante.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Elvira Vigna faz a sua personagem esmiuçar os traumas que a infidelidade de Paulo e N. gerou em seus respectivos cônjuges. Porque não é possível que só a esposa de Paulo fosse inteligente e somente ela tenha descoberto a traição. Mas é um acerto de contas consigo mesma, que vai agradar sobretudo as leitoras, porque, apesar da prosa direta e envolvente, diz mais respeito a elas. Um homem pode até tirar lições da história (embora não seja este o objetivo da autora e nem é o da literatura), mas não vai mudar. É a condição humana a que me referi lá atrás.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O livro começa delineando com precisão o avanço dos acontecimentos, o que pode ser constatado nas datas - o romance inicia com um "16 de novembro". Quem é que pode acreditar em uma perdão se a mulher rastreia com essa pontualidade (em alguns trechos nem a hora faltou) os passos em falso do marido? Quando tudo parece se cicatrizar, a narradora vai amenizando essa obsessão e as datas passam a ser mais vagas - um "agosto", um "setembro" indiferente. É o processo de redenção e esquecimento.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há muito sexo em todo o livro e ele não tem aquela leveza sentimental dos apaixonados, é material, quase uma outra personagem. Tem o caráter de prazer, de descanso, e, pode-se notar nas entrelinhas, que é uma das razões do silêncio. O sexo em si, o momento em que é consumado, não requer diálogos elaborados, sendo, portanto, um instante de fuga. Quando não queriam conversar, corriam para a cama. Talvez o maior ganho dessa geração tenha sido justamente o prazer sem culpa (embora somente com o parceiro do momento).&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nada a dizer&lt;/i&gt; é um livro inquietante. Só o fato de eu levantar tantas dúvidas sobre os ideais que a narradora defende, já o atesta. Auxiliada por uma escrita exata, que gasta o tempo necessário com digressões, Elvira Vigna se impõe como uma escritora que sabe para onde conduzir seu leitor. Só não concordo com um trecho da orelha: "Uma das argúcias da autora é mimetizar a prosa confessional de autoexposição, tão em voga nos nossos dias." Afirmar que Vigna mimetiza uma prosa confessional é diminuir sua obra, porque é justamente na confissão da narradora, na dúvida que deixa sobre o que é biográfico e o que não é que se encontra a grandeza de sua literatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-8120864274440687427?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/8120864274440687427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=8120864274440687427' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8120864274440687427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8120864274440687427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2010/03/elvira-vigna-nada-dizer.html' title='Elvira Vigna, Nada a dizer'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S5Uuj4Yr19I/AAAAAAAAALM/eYTimtYQI0I/s72-c/elviravigna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-8550732141631637195</id><published>2010-02-02T04:07:00.000-08:00</published><updated>2010-02-02T04:07:07.013-08:00</updated><title type='text'>troia</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S2gVSO-qELI/AAAAAAAAAK8/rI24QNWFy24/s1600-h/youssef.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S2gVSO-qELI/AAAAAAAAAK8/rI24QNWFy24/s320/youssef.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando eu comento por aí que reescrevo um conto, não quero dizer que só faço alguns cortes, de palavras e de frases. Além disso, eu acrescento parágrafos, mudo o roteiro, o final, a trama, o que for preciso. Tem esse conto, que escrevi em 2000, que se chamava "o homem de meia cidade", e que me persegue e venho reescrevendo-o desde então. A última versão pode ser conferida no jornal "A união", suplemento "Correio das artes", de &lt;a href="http://www.auniao.pb.gov.br/v2/index.php?option=com_content&amp;amp;task=blogcategory&amp;amp;id=58&amp;amp;Itemid=67" mce_href="http://www.auniao.pb.gov.br/v2/index.php?option=com_content&amp;amp;task=blogcategory&amp;amp;id=58&amp;amp;Itemid=67"&gt;09 de janeiro de 2009&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-8550732141631637195?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/8550732141631637195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=8550732141631637195' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8550732141631637195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8550732141631637195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2010/02/troia.html' title='troia'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S2gVSO-qELI/AAAAAAAAAK8/rI24QNWFy24/s72-c/youssef.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-8609656915506663577</id><published>2010-01-18T08:06:00.000-08:00</published><updated>2010-01-18T08:06:22.424-08:00</updated><title type='text'>Ninguém me verá chorar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S1SGr8oSsqI/AAAAAAAAAK0/Hg9zvezU1M8/s1600-h/cristina_riv.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S1SGr8oSsqI/AAAAAAAAAK0/Hg9zvezU1M8/s400/cristina_riv.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quem me sugeriu a leitura deste livro foi o poeta e amigo Osvaldo Rodrigues. Se você desejar ver o sujeito em ação, é só clicar &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9h_0_-ijPFY"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Primeiro a autora: Cristina Rivera Garza - mexicana, nascida em 1964, estudiosa da história de seu país. Sua tese de doutorado, defendida na Universidade de Houston, tem como título "The masters of the streets. Bodies, power and modernity in Mexico, 1876 - 1930, em que trata do mundo das ruas, do manicômio e outras instituições de controle social no México porfiriano e na alvorada da pós-revolução. Boa parte deste seu romance "Ninguém me verá chorar" trata deste assunto.&lt;br /&gt;Um dos méritos de Cristina é não misturar o estilo do ensaio com as regras da ficção. Seu livro é, definitivamente, uma obra de ficção. Claro que os dados históricos, que servem de pano de fundo para sua trama, são precisos, mas envoltos por um estilo discreto e elegante, em que são deixados de lado o sentimentalismo e a saída fácil, em detrimento daquilo que deseja narrar.&lt;br /&gt;A epígrafe dá uma dica do que o leitor encontrará nas páginas da obra:&lt;br /&gt;"Esta paciente apresenta bom comportamento. Gosta de trabalhar, é dedicada e tem bom caráter. A paciente fala muito, este é seu distúrbio." (Estudo psicopatológico da paciente Matilda Burgos, do pavilhão das tranquilas, primeira parte).&lt;br /&gt;A pesquisadora, ao se deparar com este documento, resolve criar uma explicação para a estadia de Matilda Burgos no sanatório. E se sai muito bem. Como Cristina Rivera quer contar uma história de amor, será o amor - seja a uma mulher, ao país, ao caos - a danação de todas as personagens da obra. É época de revolução, um período em que tudo é possível e a desgraça inevitável. Apaixonar-se nestes tempos é arriscado e Matilda não teme os riscos. Quando se torna prostituta, é sem remorso que assume a função, é com um sentimento de inevitabilidade e de reverência a uma força maior, a necessidade. Cristina consegue se isolar, deixa com que todos sigam seu destino de tragédias, o que é raro. Ela procura e quase sempre consegue não interferir nas ações das personagens. É um mérito e tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho:&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Há certas coisas em Matilda que o divertem. Seu nervosismo, sobretudo. O ruído de sua saia quando passa perto dele. A maneira com que seu olhar se perde por motivos desconhecidos a ele. O que ela vê? Como? Com o passar dos dias, acostuma-se às suas mudanças de humor, às marés súbitas de sua energia: os dias exaltados, seguidos rapidamente por dias tristonhos. Há horas em que Matilda é incapaz de permanecer sentada sem fazer nada. Presa de uma atividade febril, limpa o chão, remenda cortinas ou se põe a ensaiar passos de dança ditados por sua imaginação. Fala sem parar e as palavras se atropelam por trás dos dentes. Ri às gargahadas. Em seguida, sem aviso, sem motivo aparente, á dias inteiros que não muda de posição. Joaquín a alimenta, lava de vez em quando sua roupa e esquenta a água para o chá ou café. Somente ele vai à cidade. Pouco a pouco, dentro do silêncio da casa sem móveis, ele está se tornando o marido da baunilha.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém me verá chorando (Nadie me verá llorar), Cristina Rivera Garza. Editora Francis, 2005. Tradução de Ledusha B. A. Spinardi. 264 páginas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-8609656915506663577?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/8609656915506663577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=8609656915506663577' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8609656915506663577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8609656915506663577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2010/01/ninguem-me-vera-chorar.html' title='Ninguém me verá chorar'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/S1SGr8oSsqI/AAAAAAAAAK0/Hg9zvezU1M8/s72-c/cristina_riv.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-5545191326982442868</id><published>2009-12-24T03:27:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T03:28:25.957-08:00</updated><title type='text'>Dramaturgo e pianista</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SzNQE0kNeyI/AAAAAAAAAKs/1npnvQ3SPMo/s1600-h/atirepianista.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SzNQE0kNeyI/AAAAAAAAAKs/1npnvQ3SPMo/s400/atirepianista.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Pulp fiction. O termo se notabilizou graças ao filme homônimo de Tarantino. Sugere uma literatura barata, o que pode confundir o leitor. Barata no sentido de ser impressa em papel de baixa qualidade para diminuir custos. Não quer dizer, absolutamente, falta de qualidade. Aliás, há obras-primas entre esses livros. Lia uma matéria na Folha de São Paulo sobre os quatro tiros que o Mário Bortolotto levou em um boteco da Praça Roosevelt quando resolvi escrever este post. Na reportagem, a autora dizia que Bortolotto se inspirou no livro "Atire no dramaturgo", de David Goodis para dar o título ao seu blog: "&lt;a href="http://atirenodramaturgo.zip.net/"&gt;Atire no dramaturgo&lt;/a&gt;". Não conhecia nada da obra de Goodis, então corri atrás.&lt;br /&gt;Na capa da obra, editada em 1984 pela Abril Cultural (lançado originalmente pela Gawcett Publications, em 1956), pode-se ler: "O lirismo da violência, da solidão e do terror". Perfeita descrição da obra. No livro é possível medir a densidade de sangue por página, há tiro em cada parágrafo, mas há também uma literatura envolvente, um lirismo a toda prova. David Goodis consegue prender o leitor. Eu mesmo não queria largar o livro antes do final.&lt;br /&gt;A este respeito, andei lendo umas críticas negativas sobre o novo livro de António Lobo Antúnes. A justificativa: um livro difícil. Ora, parece que estão confundindo tudo. "Atire no pianista" é um livro fácil, fácil demais até e mesmo assim não é uma obra de baixa qualidade. Tem lá seus muitos méritos. A questão é: Goodis não quis fazer um livro difícil, quis escrever um romance que prendesse o leitor e ponto final. No meio disso, há frases de impacto, uma literatura bem feita, com uma história muito bem construída e ponto.&lt;br /&gt;Na "Pulp fiction" sempre há crimes. Há um mocinho que tenta ficar com a mocinha, mas não vai conseguir, porque no final prefere o álcool, prefere a solidão ou esta inevitavelmente o persegue. Em "Atire no pianista" não é diferente - Eddie é um virtuose que trabalha em uma espelunca chamada "Taverna da Harriet". O que um sujeito desses faz num boteco tão sórdido? É o enigma do livro, que vai sendo decifrado pouco a pouco. E a explicação é plausível, comovente até.&lt;br /&gt;A tradução não está lá essas coisas. Para dar um exemplo, em determinado parágrafo eu contei cinco verbos "ouvir" - dois deles na mesma frase. Imperdoável. Fui conferir no original "Down there" e não é nada disso. A elegância a que me referi está lá com todas as letras. É claro que o Bortolotto é um boêmio, assim como Eddie e tenta ressuscitar a Praça Roosevelt com seu talento e seus amigos artistas. No fundo é um sentimental, que não dá valor ao dinheiro, como Eddie. Talvez apenas por motivos diferentes. Li por aí que fez errado ao enfrentar os bandidos para proteger os amigos. Eu não sei, sinceramente não sei. Acho que buraco é mais fundo, só isso.&lt;br /&gt;Em "Atire no pianista" há um negócio bem interessante: Goodis transcreve os pensamentos de Eddie, que são sempre conflituosos. O que ele pensa nunca é o que faz. Só por isso o romance já valeria a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um trecho da tradução de Ubirajara Forte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;"Fui eu?", perguntou Eddie a si mesmo. "Fui realmente eu? Sim, fui. Mas, não pode ser. Eu sou o Eddie. Eddie não faria uma coisa dessas. O homem capaz disso era aquele vagabundo, que já não existe há muito tempo, o selvagem, cuja bebida favorita era o próprio sangue, cujo prato favorito eram os vadios da &lt;i&gt;Cozinha do Inferno&lt;/i&gt;, os desordeiros da rua Bowery, os arruaceiros de Greenpoint. Mas isso fazia parte de outra cidade, outro mundo. No mundo ao qual Eddie pertence, ele senta-se ao piano, toca sua música, indiferente a tudo. Então por que..."&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS:&amp;nbsp; Feliz Natal a todos. Deem livros de presente.&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-5545191326982442868?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/5545191326982442868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=5545191326982442868' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5545191326982442868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5545191326982442868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/12/dramaturgo-e-pianista.html' title='Dramaturgo e pianista'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SzNQE0kNeyI/AAAAAAAAAKs/1npnvQ3SPMo/s72-c/atirepianista.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-4616633560008482263</id><published>2009-12-09T03:41:00.001-08:00</published><updated>2009-12-09T03:41:48.287-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sx-M3dOfi9I/AAAAAAAAAKg/rzzPp_edsPI/s1600-h/convite.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sx-M3dOfi9I/AAAAAAAAAKg/rzzPp_edsPI/s640/convite.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-4616633560008482263?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/4616633560008482263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=4616633560008482263' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/4616633560008482263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/4616633560008482263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/12/blog-post.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sx-M3dOfi9I/AAAAAAAAAKg/rzzPp_edsPI/s72-c/convite.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6541130698907968760</id><published>2009-11-02T11:23:00.000-08:00</published><updated>2009-11-02T11:23:49.492-08:00</updated><title type='text'>Herta Müller</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Su8xHyX-geI/AAAAAAAAAKY/MNZoFrrofng/s1600-h/muller+faisao.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Su8xHyX-geI/AAAAAAAAAKY/MNZoFrrofng/s320/muller+faisao.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;O mundo se perguntou quem era a escritora romena naturalizada alemã que venceu o Nobel de literatura este ano. Alguns afoitos arriscaram opiniões duvidosas. Daniel Piza foi ousado ao dizer que Müller é uma &lt;a href="http://blog.estadao.com.br/blog/piza/?title=respostas_ao_nobel&amp;amp;more=1&amp;amp;c=1&amp;amp;tb=1&amp;amp;pb=1"&gt;escritora de segunda&lt;/a&gt;. Analisou a escritora considerando apenas uma obra e - pior - uma tradução. Pior ainda: tradução de Lya Luft. Acusou seus leitores de não terem lido o único livro de Herta publicado no Brasil - O compromisso, editado pela Globo. Bobagem, foram os estertores da vaidade. O fato é que a tradução da Lya Luft é fraca. Não vou aborrecer meus poucos leitores com detalhes da tradução. Até porque não tive acesso ao livro inteiro em alemão, mas somente a partes. Entretanto, o título nos dá uma boa ideia das opções da tradutora. No original: Heute wär mir lieber nicht begegnet. Em português: O compromisso. Depois de analisar a baixa qualidade da tradução, resolvi tentar outra obra. Pesquisei em sebos e encontrei uma boa versão feita na terrinha. Mais: consegui uma versão em espanhol também. Ainda não me considero conhecedor da literatura de Herta Müller, mas vou avançando. Até porque encontrar os livros de Herta é tarefa complicada, seja em alemão, em português ou em outra língua. Entrei em contato com livrarias alemãs em São Paulo e nada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;O homem é um grande faisão sobre a terra. &lt;/b&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CBichos%5CLOCALS%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List" style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CBichos%5CLOCALS%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData" style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CBichos%5CLOCALS%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping" style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:"Cambria Math";	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;}@font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin-top:0cm;	margin-right:0cm;	margin-bottom:10.0pt;	margin-left:0cm;	line-height:115%;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	font-family:"Calibri","sans-serif";	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-fareast-theme-font:minor-latin;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;	mso-fareast-language:EN-US;}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-fareast-theme-font:minor-latin;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;	mso-fareast-language:EN-US;}.MsoPapDefault	{mso-style-type:export-only;	margin-bottom:10.0pt;	line-height:115%;}@page Section1	{size:595.3pt 841.9pt;	margin:72.0pt 72.0pt 72.0pt 72.0pt;	mso-header-margin:35.4pt;	mso-footer-margin:35.4pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Der Mensch ist ein gro&lt;/span&gt;β&lt;span lang="EN-US"&gt;er Fasan auf der Welt.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Já podemos visualizar nesta tradução um pouco do estilo enigmático e elíptico que faz desta obra de Herta Müller uma coisa única na literatura. Logo no início da obra, a explicação para o título, uma nota da tradutora (Maria Antonieta C. Mendonça): "O título reporta-se ao provérbio romeno 'O homem é um grande faisão sobre a terra', o qual pretende estabelecer a associação entre o voo desajeitado do faisão e os defeitos e a acção desastrosa do homem sobre o mundo que o rodeia." Não pude deixar de relacionar com o "Albatroz", de Baudelaire. É um livro bonito, cujo tema é caro à autora: a imigração. No caso a luta de uma família romena para se mudar para a Alemanha. O casal: Windisch e a mulher. A filha Amalie. As frases são curtas, o que facilita a leitura em alemão. Ao estilo de James Salter, a mesma elegância.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Windisch é um pai agoniado que tenta justificar a corrupção da filha, que usa o sexo para conseguir o passaporte: "'A minha filha', diz Windisch medindo mentalmente a frase, 'a minha Amalie também já não é virgem'. O guarda-nocturno olha para a nuvem vermelha. 'As barrigas das pernas da minha filha parecem melões', diz Windisch." Ao mesmo tempo, a vida na Romênia é insuportável. Há sim muito de autobiográfico, já que o livro foi escrito quando Herta Müller tentava o visto para se mudar para a Alemanha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Todos sabem que a escola do vencedor do Nobel passa por questões políticas. Mas há literatura ali também, há uma escritora laureada e respeitada na Europa. Não é somente dizer que foi uma surpresa, que é uma escritora de segunda, que mereciam muito mais o Nobel Philip Roth, Claudio Magris, Amós Oz. Até acrescentaria outros aí nesta lista, principalmente António Lobo Antúnes e por que não Rubem Fonseca?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Um trecho da tradução para que vocês julguem:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;"As crianças agrupam-se em semi-círculo, segundo o tamanho, em frente da secretária do professor. Comprimem as palmas das mãos sobre as coxas. Elevam o queixo. Os olhos tornam-se grandes e húmidos. Cantam em voz alta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Os meninos e as meninas são soldadinhos. O hino tem sete estrofes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Amalie pendura o mapa da Roménia na parede.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;'Todos os meninos moram em blocos de apartamentos ou em casas', diz Amalie. 'Cada casa tem quartos. Todas as casas juntas formam uma grande casa. Esta grande casa é nossa terra. A nossa pátria.'&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Amalie aponta para o mapa. 'Esta é a nossa pátria', diz ela. Com a ponta do dedo procura os pontos negros no mapa. 'Isto são cidades da nossa pátria', diz Amalie. 'As cidades são os quartos desta grande casa, da nossa terra. Nas nossas casas moram o nosso pai e a nossa mãe. São os nossos pais. Cada criança tem os seus pais. Tal como o nosso pai na cada em que nós vivemos é o pai, assim o camarada Nicolau Ceausescu é o pai da nossa terra. E tal como a nossa mãe na casa em que nós vivemos é a nossa mãe, assim a camarada Elena Ceausescu é a mãe da nossa terra. O camarada Nicolau Ceausescu é o pai de todas as crianças. E a camarada Elena Ceausescu é a mãe de todas as crianças. Todas as crianças amam o camarada e a camarada porque eles são os seus pais.'"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;Aí está toda a ironia do livro: Amalie não ama seu pai e sua mãe, que usam a sua beleza para fugir do regime totalitário de seu país. É um livro muito bonito, escrito de maneira primorosa por uma grande escritora. Uma escritora de primeira.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6541130698907968760?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6541130698907968760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6541130698907968760' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6541130698907968760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6541130698907968760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/11/herta-muller.html' title='Herta Müller'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Su8xHyX-geI/AAAAAAAAAKY/MNZoFrrofng/s72-c/muller+faisao.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-4143384589087670490</id><published>2009-09-27T06:20:00.000-07:00</published><updated>2009-09-27T06:20:17.120-07:00</updated><title type='text'>Bukowski</title><content type='html'>Recordo-me de um amigo dos tempos da pós-graduação, que precisava traduzir um bom trecho de uma tese escrita em holandês. Só que ele não sabia nada dessa língua e não conhecia ninguém que soubesse. Então, conseguiu um dicionário em um sebo e foi traduzindo, intuindo, até chegar em frases que faziam certo sentido. Em uma semana traduziu uma página e meia, duas, no máximo. Mas aí ele já não era a mesma pessoa, era alguém que tinha uma leve noção do que era conhecer uma outra língua e sabia que dali pra frente traduzir seriauma tarefa cada dia  mais fácil. Eis uma poesia de Bukowski, de que gosto muito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;the souls of dead animals&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;after the slaughterhouse&lt;br /&gt;there was a bar around the corner&lt;br /&gt;and I sat in there&lt;br /&gt;and watched the sun go down&lt;br /&gt;through the window,&lt;br /&gt;a window that overlooked a lot&lt;br /&gt;full of tall dry weeds.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I never showered with the boys at the&lt;br /&gt;plant&lt;br /&gt;after work&lt;br /&gt;so I smelled of sweat and&lt;br /&gt;blood.&lt;br /&gt;the smell of sweat lessens after a while&lt;br /&gt;but the blood-smell begins to fulminate&lt;br /&gt;and gain power.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I smoked cigarettes and drank beer&lt;br /&gt;until I felt good enough to&lt;br /&gt;board the bus&lt;br /&gt;with the souls of all those dead&lt;br /&gt;animals riding with&lt;br /&gt;me;&lt;br /&gt;heads would turn slightly&lt;br /&gt;women would rise and move away from&lt;br /&gt;me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;when I got off the bus&lt;br /&gt;I only had a block to walk&lt;br /&gt;and one stairway up to my&lt;br /&gt;room&lt;br /&gt;where I'd turn on my radio and&lt;br /&gt;light a cigarette&lt;br /&gt;and nobody minded me&lt;br /&gt;at all.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-4143384589087670490?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/4143384589087670490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=4143384589087670490' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/4143384589087670490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/4143384589087670490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/09/bukowski.html' title='Bukowski'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-9208024847741102342</id><published>2009-09-20T16:02:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T16:03:40.568-07:00</updated><title type='text'>Poetas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sra0SQqlMHI/AAAAAAAAAKI/Aid8EfJnDDo/s1600-h/bukowski.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sra0SQqlMHI/AAAAAAAAAKI/Aid8EfJnDDo/s320/bukowski.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou distante deste blog porque me dedico há vários dias à obra completa de dois poetas: Bukowski e Cummings. O problema é que pouco há a dizer sobre eles e por isso meu silêncio. Pouco resta a dizer porque muito já foi dito. E meu silêncio expressa também a grandiosidade das obras. Frente aos versos, me sinto impotente, inútil. É como ouvir Mozart. O mínimo que devemos fazer é nos calar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sra0XsGk1DI/AAAAAAAAAKQ/Too8DQBy6Rk/s1600-h/cummings.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sra0XsGk1DI/AAAAAAAAAKQ/Too8DQBy6Rk/s320/cummings.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class="cssButton" href="javascript:void(0)" id="publishButton" onclick="if (this.className.indexOf(&amp;quot;ubtn-disabled&amp;quot;) == -1) {var e = document['postingForm'].publish;(e.length) ? e[0].click() : e.click(); if (window.event) window.event.cancelBubble = true; return false;}" target=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="cssButtonOuter"&gt;&lt;div class="cssButtonMiddle"&gt;&lt;div class="cssButtonInner"&gt;&lt;a class="cssButton" href="javascript:void(0)" id="publishButton" onclick="if (this.className.indexOf(&amp;quot;ubtn-disabled&amp;quot;) == -1) {var e = document['postingForm'].publish;(e.length) ? e[0].click() : e.click(); if (window.event) window.event.cancelBubble = true; return false;}" target=""&gt;Publicar postagem&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-9208024847741102342?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/9208024847741102342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=9208024847741102342' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/9208024847741102342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/9208024847741102342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/09/poetas.html' title='Poetas'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sra0SQqlMHI/AAAAAAAAAKI/Aid8EfJnDDo/s72-c/bukowski.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6551640411378930259</id><published>2009-09-07T10:35:00.000-07:00</published><updated>2009-09-07T10:38:42.343-07:00</updated><title type='text'>Resenha de Silas Correa Leite</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SqVE9QbcvZI/AAAAAAAAAKA/22zv8_87fjA/s1600-h/Capa_Espirais.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 270px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SqVE9QbcvZI/AAAAAAAAAKA/22zv8_87fjA/s400/Capa_Espirais.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378781149136731538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fragrâncias e Ordenhas Historiais  em “As Espirais de Outubro”, Romance de Whisner Fraga&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas não se preocupe, meu amigo/&lt;br /&gt;Com os horrores que eu lhe digo/&lt;br /&gt;A vida realmente é diferente/&lt;br /&gt;Ao vivo é muito pior...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belchior&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aila, personagem principal narradora-memorialista do romance “As Espirais de Outubro”, ora no passado, ora no presente, ora no futural (o Nobel de Literatura brasileiro), ora um sem tempo ou tempo nenhum, o que dizer dela? Implicações, reinações, florações. Respigando. Paradoxos, ossos e ócios do oficio de ler-ser-escrever-ter-se (tecer-se). Brilhante romance como se fosse escrito a ferro e afago; escrito como uma espátula impressionista a arrancar fios, recalques, tiras, simulações, descaminhos, espirais – da vida-obra-livro: Aila ela mesma no fim do seu íntimo outonal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantos personagens-páginas vão e voltam, estão e soam, dizem, costuram elementos-paisagens e assim compõem a estrutura narrativa do belo romance do Whisner Fraga, já autor de Coreografia dos Danados (Edições Galo Branco 2002), e A Cidade Devolvida (7 Letras, 2005). A intimidade devassada pela velha escritora em um apartamento no bairro do Botafogo, Rio de Janeiro. O nome do bairro já alude a um rasgo de incêndios revisitados pela ótica da narradora-personagem querendo assim alumiar resquícios de vida louca, personagem de si mesma em agonia a esperar um fim, sem ter se dado um fim em si mesmo, preferindo prolongar a agonia de viver no que escreve, mesmo negando isso. Nas reminiscências ficando a sua espécie assim de continuação... Como se ordenhasse as ovelhas das memórias recapituladas em prosa poética, mas com estilo, qualificação, ora desbunde, ora rancor, sempre o que foi (tem sido) naquilo que agora expropria entre erranças associadas, heranças historiais e inventários de si mesma no camarim das horas e honras indispostas. Penumbras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor obra é quando o próprio autor morre no final? Mortos acompanham a obra de Aila/Whisner. Um cortejo de palavras, tristices, corpos, danações. Fantasmas pontuando parágrafos como se querendo compor lidas adjacentes, a colocarem pingos em dáblios, não em is. O apartamento. A cidade. Tudo ali, vida em viço, o inicio, a composição de, depois o estado decrépito, erros e acertos, fragrâncias e decomposições. O câncer, o Nobel, o diário-romance (reinventando a vida em declínio?), lembrando aqui e ali Clarice Lispector, ora Hilda Hist, ora Lygia Fagundes Telles, mas sempre ele mesmo Whisner com talento e maestria levando a correção do livro e à corrosão de uma vida-personagem enlivrada. O diabo mora nos desfechos? Mergulhos em maldições. A coitada da vez tendo voz-escrita. Não tem como não se encantar com Aila. A mulher carregando a violência, quase incapaz de domá-la, no entanto com trejeitos peculiares costurando-a nas contações, domando, por fim, a ordenha de momentos, fragmentos, destilos, despojos, jorros narrativos da feia e fera se entregando de mão beijada. Tem um toque poético e um jeito que cutuca um enfoque meio Nelson Rodrigues em certas paragens-interpretações do sentimento ledor, da existência-monstro-poderoso com brincadeiras e perversidades. Ai de ti Botafogo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espera pela morte, da morte. Familiares reduzidos a momentos e sentenças. Amigos catados de escombros, e ainda assim dando alguns suportes afetivos. Personagens-relações transfigurados, compondo o cenário de amor, dor e de horror com reticências. Será o impossível? O ar abafadiço estaciona na memória requentada. Os vazios da rotina. O livro-filho-continuação. Presenças e ausências ressentidas. Janelas da alma no quarador de tantas implicações, alguma de fundo falso. Lugares fechados, sombrios. Pés enxofrados das palavras-libertações. O mesmo lugar, lugar nenhum, qualquer lugar em si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você, na correria estúpida da vida in Sampa também embrutecida, quer ler o livro do Whisner Fraga de supetão, não consegue. É corrompido a ler como um desgaste de ferrugens da alma da Aila, é levado a parar, truncar, ir e voltar, rever, como se arrancasse suas próprias espirais e tivesse que adentrar àquele mundo criado lento, devagar, aos poucos, na prosa poética que seduz, cativa, aponta dedos em faces que ora chegam, ora saem, entrecortando parágrafos como se tudo fosse uma balburdia literal de acasos, ocasos e pertencimentos querendo ser avaliados, feito desespelhos. Memórias sangram palavras. Não é fácil procurar culpados, pior, achá-los. Não se podendo parir um filho, poder parir um livro, não deixando um legado de horror-filho mas um legado de reconciliação-livro. Escrever continua sendo mais fácil do quem existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai, a mãe, Augusto, Catarina, Karina, Adriano, Fabrícia, todos (presenças arrebanhadas), a cara e a corrosão da autora-Aila em parecenças. Iguais diferentes? Cada um com sua cruz-crusoé, ilha-alheamento. Nós. Suicídio, indiferença, a faca da linguagem cegando, instantes-trevas. Vaidades antigas, corpo em desalinho, embriagações em memórias talvez inventadas. O ser-não-ser? Clandestinos amores, ecos, zelos, não há lógica na mortevida, no destino, apenas capitulações, vestígios de ausências, exercícios de perdas. A morte sendo preparada em livro. A freira, o homossexual, a vida boêmia, o Rio de Janeiro continua límpido. Entre sombras amealhando curtumes. O diário-monólogo, o último ato antes de. Qualquer coisa. Espirais. Maldições e coitados tendo voz. Por eles, por Aila mesmo, em recomposições a espera do final que certamente virá. Melancolia. Sentimento de esterilidade frente ao que passou, se passou (se passou?), foi, está, virá, é cruz-destino. A campainha. O telefone. A vida-fera e o recolhimento antes do último suspiro. Veias de comunicações in-terrompidas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...a cidade decadente, cinza, com suas baías comprometidas, fétidas, os rios acuados no meio de uma civilização agressiva, o mal que fizemos escancara-se por todos os lados” (Pg 36). Os poros da Aila ela mesma essa cidade que narra. Não pode sair de si, mas pode expandir-se no que corajosa destila, escreve, nomeia, delata, conta, romanceia na metalingüística de escrever sobre o que descreve. O desmanche de coisas que não quer que migrem para o vazio. Escrever é ficar de alguma maneira entre rascunhos e escritas-momentos?.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carcaças agônicas preenchendo vazios. Não ser esperada e não esperar. Muito triste. Escreve para se ter consigo mesma.  Ah o self.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A morte se aproxima e polvilha sobre a minha cabeça todas as faltas arrebanhadas, exige um balanço final ou um prelúdio para o encontro fatal, quando me cobrarão erros” (Pg 52).  A longevidade desastrosa, as situações obsessivas, conflitos, filtros de. Um romance sobre a escrita dele. Memórias vasculhadas. Rascunhos e originais. A preparação para o desfecho bendito/maldito. Os loucos são especiais pra Deus? Há um Deus? Viver é a qualquer custo? Sobreviver tem um preço, dói desatinadamente. E re-eescrever o subViver, feito mesmo assim um escreViver? Prazer Prozac de viver? A consciência do Zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Essa palavra tão banalizada, nada pode acrescentar à história que não seja dúvida” (PG 108). Nomeações que seriam (foram) imprudentes. Pondo o dedo com indisfarçável rancor (negado) em feridas revisitadas.  Consciência pesada e vaidade leve. O querer não querendo. O desdizer. O negar afirmando. Contundências. O desgosto de lembrar, pior, ter que lembrar para auditar (auditar?) o que foi real e o que deveria ter sido, poderia ter sido, só o é no que nomina sob disfarces e a expectativa do fim, no camarim da vida se extinguindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como explicar ao filho o mecanismo do patinete? A escolha do galho da goiabeira mais propício à construção do estilingue(...)” (Pg 122). O futuro na morte resgatando a obra que ficou... O filho que não teve (drumondeando) e fez-se livro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Dia, pré-final: romance misturando descrições e evocações, imaginário e aventuroso, contradições, o alterego, licenças poéticas, tudo tirado do mesmo final. Feliz ou infeliz? Ler pra saber. Isso fica com a sensibilidade atiçada do leitor no envolvimento, ele também um reinventor do que lê, pelo que pensa, sente, aquilata, do que tem de bagagem e gosto por leituras de peso. O romance As Espirais de Outubro é sim, um clássico. Um esgotamento de sensibilidade depois das páginas-lágrimas, vidas-personagens, verdadeiros espirais do talento e da sensibilidade do Whisner Fraga, num trabalho também de edição de belíssima qualidade sob a Coordenação Editorial do Valentim Facioli. Leia e sofra. Leia e viva. Leia e grude. Leia e curta. Leia e sinta por você mesmo. Leia e deguste o final do romance que na verdade não se enquadra assim a priori em estilo nenhum, é um trabalho literário mágico falando das incongruências da vida levada a reboque. Dor e agonia. Criação e criatura. Ah que bom que, assim como o passado tem asas, o escritor tem uma linguagem edificante, toda própria. O fazer falando do fazer. Todo bom escritor é isso: esperar que o leitor de alguma forma e por um seu motivo também morra no final. Saí mais leve dessa leitura-vida-e-morte. Em algum lugar do passado, em algum lugar do presente, aqui no livro-lugar do futuro. Ah as espirais do tempo-rei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Silas Correa Leite&lt;/span&gt; – Escritor, Jornalista Comunitário, Teórico da Educação, Conselheiro em Direitos Humanos, pós-graduado em Arte e Literatura na Comunicação (ECA/USP) - E-mail: poesilas@terra.com.br Blogue: www.portas-lapsos.zip.net  Autor de “Campo de Trigo Com Corvos”, Contos, Editora Design, finalista do Prêmio Telecom, Portugal, à venda no site www.livrariacultura.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6551640411378930259?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6551640411378930259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6551640411378930259' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6551640411378930259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6551640411378930259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/09/resenha-de-silas-correa-leite.html' title='Resenha de Silas Correa Leite'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SqVE9QbcvZI/AAAAAAAAAKA/22zv8_87fjA/s72-c/Capa_Espirais.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-562807165154760582</id><published>2009-08-29T11:20:00.000-07:00</published><updated>2009-08-29T12:03:48.021-07:00</updated><title type='text'>Thomas Wolfe</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Spl6TvWYkrI/AAAAAAAAAJw/nvQdiHwnXBU/s1600-h/thomaswolfe.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 265px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Spl6TvWYkrI/AAAAAAAAAJw/nvQdiHwnXBU/s400/thomaswolfe.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375462109789852338" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Primeiro e mais importante: não confundir Thomas Wolfe (1900 - 1938) com Tom Wolf (1931 - ). Este último um jornalista americano que escreveu o best seller "A fogueira das vaidades" (The bonfire of the vanities) e que adotou o pseudônimo em homenagem a um dos maiores escritores da literatura de língua inglesa. Sobre Thomas Wolfe escreveu o Chicago Daily Tribune: "Reading the work of this genius is like listening to Wagner or watching the aurora borealis. It is an experience beside which the mill run of most fiction seems trivial and insignificant." Não é exagero. Seus contos são obras-primas da concisão e da elegância.&lt;br /&gt;Primeiro eu quero falar sobre um conto de Thomas Wolfe: The lost boy. Traduzido no Brasil como "O menino perdido", por Marilene Felinto, narra a história de Grover, um garoto inteligente que é enganado por um padeiro sovina. Permeando o argumento aparentemente simples, há uma sórdida e triste história de racismo. Este conto é narrado pelo Grover e o que é apresentado ao leitor é seu ponto de vista. Depois temos as opiniões da mãe, do irmão e da irmã de Grover a seu respeito e assim se constrói uma das mais belas histórias que já tive a oportunidade de ler.&lt;br /&gt;No conto "Arnold Pentland" (Parente de sangue na tradução de Felinto, percebemos a arte de Wolfe ao descrever o fracassado Arnold, que decide mudar de nome e de destino para se vingar da família que não soube educá-lo. Deste conto destaco o trecho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Arnold Pentland was a man of thirty-six. He could have been rather smal of limb and figure had it not beem for his great soft shapeless fatness - a fatness pale and grimy that suggested animal surfeits of unwholesome food.  He had lank, greasy hair of black, carelessly parted in the middle, his face, like all the rest of him, was pale and soft, the features blurred by fatness and further disfigured by a greasy smudge of beard. And from this fat, pale face his eyes, brown and weak, looked out on the world with a hysterical shyness of retreat, his mouth trembled uncertainly with a movement that seemed always on the verge of laughter and hysteria, and his voice gagged, worked, stuttered incoherently, or wrenched out desperate, shocking phrases with an effort that was almost as painful as the speech of a paralytic."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradução de Felinto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Arnold Pentland era um homem de trinta e seis anos. Seria um tanto pequeno de membros e compleição, não fosse por sua enorme obesidade amorfa - uma gordura pálida e encardida, que sugeria um empanturrar-se animalesco de comida insalubre. Tinha cabelo preto, escorrido e seboso, repartido no meio com desleixo; o rosto, como tudo nele, era pálido e mole, os traços encobertos pela gordura e ainda desfigurados por um borrão de barba. E sobre esse rosto pálido e obeso, seus olhos castanhos e doentios olhavam o mundo, refugiados numa timidez histérica; sua boca tremia insegura, num movimento que parecia sempre à beira da risada ou da histeria; e sua voz engasgava, debatia-se, gaguejava incoerente, ou soltava frases insensatas e chocantes, num esforço quase tão doloroso quanto o discurso de um paralítico."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este pedaço do conto nos dá a certeza de uma personagem derrotada pela vida: as palavras "pale" e "fatness" aparecem com frequência na descrição de Arnold, levando-nos a compará-lo com um urso que resolveu hibernar, também por questão de sobrevivência, porque é incapaz de encarar o mundo. A mãe, ciente de que errou em algum momento, toma o máximo cuidado com tudo o que lhe diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"his mother, approaching him, spoke to him in the tender, almost pleading tone of a woman who is conscious of some past negligence in her treatment of her child and who is now, pitiably too late, truing to remedy it."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"a mãe, aproximando-se dele, falou-lhe no tom suave, quase suplicante, de uma mulher que está consciente de alguma antiga negligência no tratamento que dispensou ao filho e que agora, infelizmente tarde demais, tenta remediar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai não consegue ignorar a fraqueza do filho e o humilha a todo instante. Thomas Wolfe descreve com tal elegância a história desta família que não conseguimos ter pena de Arnold, que escolheu a derrota como sua forma de revolta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os trechos traduzidos por Marilene Felinto foram tirados do livro "O menino perdido e outros contos", editado em 1989 pela Iluminuras. Os originais eu copiei do livro "The complete short histories of Thomas Wolfe", editado pela Collier Books em 1989.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Spl7R0QCr7I/AAAAAAAAAJ4/x1iXJ8NrgXE/s1600-h/thomasport.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 266px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Spl7R0QCr7I/AAAAAAAAAJ4/x1iXJ8NrgXE/s400/thomasport.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375463176257318834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-562807165154760582?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/562807165154760582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=562807165154760582' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/562807165154760582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/562807165154760582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/08/thomas-wolfe.html' title='Thomas Wolfe'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Spl6TvWYkrI/AAAAAAAAAJw/nvQdiHwnXBU/s72-c/thomaswolfe.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-4902727350403386528</id><published>2009-08-17T08:39:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T10:15:07.549-07:00</updated><title type='text'>Sophie's choice</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SomP2TxRJpI/AAAAAAAAAJo/TMi_cR34SGg/s1600-h/styron222.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 231px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SomP2TxRJpI/AAAAAAAAAJo/TMi_cR34SGg/s400/styron222.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370982193798653586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes tempos em que todos tememos a gripe suína como o vírus que dizimará a raça humana, é triste recordar que o escritor William Styron (1925 - 2006) faleceu vitimado por uma pneumonia. Triste para mim, porque sempre sinto a morte de um artista de talento.&lt;br /&gt;Poucos terão a coragem necessária para encarar as mais de seiscentas páginas de "A escolha de Sofia", do norteamericano Styron, publicadas em 1979. Para estas pessoas, há um filme razoável lançado em 1982, com Meryl Streep no papel principal. A película, é claro, não chega perto da beleza do romance, principalmente por causa da Meryl Streep. Considero-a uma boa atriz, mas imaginá-la no papel de Sofia é demais. Sofia é descrita no livro como possuidora de uma beleza selvagem e sublime, coisa difícil de se ver na Streep.&lt;br /&gt;Se alguém for procurar por aí um resumo do livro, encontrará algo vagamente ilustrativo sobre um casal, um aspirante a escritor e o holocausto. Mas a história vai muito além disso. Alguns acharão algumas matérias mais profundas, que tentam explicar a escolha do título: também podem estar lendo informações incompletas.&lt;br /&gt;Ao se aventurar pelo livro de Styron, o leitor deve ter em mente que se trata de um escritor norteamericano dos anos 50, o que quer dizer longas (embora não tediosas) descrições, diálogos precisos, embora igualmente compridos e uma narrativa que beira o jornalismo de Gay Talese. Nada disso é ruim, óbvio, é só uma maneira de escrever.&lt;br /&gt;"A escolha de Sofia" narra a história do casal Nathan e Sofia, ele um jovem perturbado e ela uma polonesa católica, que amargou anos em campos de concentração e vai parar nos Estados Unidos numa tentativa de reconstruir sua vida. Para se juntar à história surge o sulista Stingo, alterego de Styron. Mas o fato é que naqueles anos eles não podem e de fato não transformam aquele relacionamento em um triângulo amoroso. Mas é explícita a incompreensão de Stingo quando se vê atraído por Nathan (embora nada se consuma a não ser em um sonho) e ainda mais explícita a descrição de uma cena de sexo entre Sofia e Stingo, quando afinal ela cede aos encantos do sulista, tem-se a impressão de que é muito mais por um sentimento materno e por uma dívida pelo amor que este nutre por ela.&lt;br /&gt;Sofia é capturada por nazistas porque tenta contrabandear uns quilos de presunto, que levaria para a mãe moribunda. A polonesa vive um contundente sentimento de culpa, porque o pai era antissemita e porque a mãe morreu sem que recebesse a tão desejada carne. Além disso, quando Sofia é capturada está com os dois filhos, Jen e Eva. A escolha a fazer é a seguinte: um oficial nazista lhe explica que pelo fato de Sofia ser polonesa, ela tem de optar por um dos dois filhos, que seguirá para a câmara de gás. Mas a escolha não tem importância nenhuma do ponto de vista prático, pois seria apenas prolongar a existência. Todos que estavam ali tinham consciência que morreriam cedo ou tarde. Claro que isso não foi verdade, hoje sabemos que vários conseguiram escapar, mas pelo menos era o que todos aqueles judeus e poloneses tinham em mente. O fato é que se Sofia não escolhesse, ambos seriam levados imediatamente para a câmara.&lt;br /&gt;Mas a escolha de Sofia é muito mais do que isso e é o que torna este um livro até certo ponto perturbador: percebemos que Sofia tem de viver com esse fardo de não poder ter tudo o que deseja jamais, então tem de escolher entre o amor por Nathan e a atração por Stingo. Tem de optar pela crença em um Nathan que pode ser curado de sua esquizofrenia e do uso abusivo de drogas ou pela lucidez de um mundo que não é esse conto de fadas. Parece-lhe que a Nova Iorque do final dos anos 40 é tão desumana quanto Auschwitz. Nesse meio tempo, não há como acreditar em Deus e Sofia sente que a única fuga que lhe é permitida vem por meio do sexo. E é por isso que Meryl Streep jamais poderia fazer algo que prestasse a esse respeito, porque ela pode até ser uma boa atriz, mas não dá para olhar para ela e sentir qualquer espécie de desejo nesta área.&lt;br /&gt;Sofia sabe que não conseguirá descanso, porque está irremediavelmente marcada pelos traumas do campo de concentração, pela privação que passou durante anos e pelas doenças que quase a mataram. Há no livro esta sensação constante de erro: Sofia devia ter morrido, Nathan devia estar internado em um hospício e Styron devia se concentrar solitariamente na escrita do seu romance. Mas são esses equívocos de Deus (como descreve Styron) que preparam os homens para as tragédias.&lt;br /&gt;O livro já foi acusado de auto-indulgente, mas olhar a obra sobre este prisma é diminuí-la. É claro que há muito de autobiográfico e o olhar que o autor lança sobre si mesmo é piedoso, o que não importa, já que é apenas um outro olhar e não o verdadeiro. A narrativa, os pontos de vista do narrador, as histórias selecionadas, a indulgência, tudo isso também é escolha. O romance não pode ser lido com olhos de hoje, quando tudo que podia ser escrito sobre os campos de concentração já foi escrito, na ficção e fora dela, sob pena de rotulá-lo de livro comercial, quando na verdade ele representa o ressurgimento da ficção estadunidense, ao mesmo tempo que sugere um novo tipo de narrativa, misturando elementos dos romances comerciais com um estilo quase nunca poético, mas pungente e preciso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-4902727350403386528?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/4902727350403386528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=4902727350403386528' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/4902727350403386528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/4902727350403386528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/08/sophies-choice.html' title='Sophie&apos;s choice'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SomP2TxRJpI/AAAAAAAAAJo/TMi_cR34SGg/s72-c/styron222.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-2284705539013995810</id><published>2009-08-08T15:19:00.001-07:00</published><updated>2009-08-09T06:51:21.996-07:00</updated><title type='text'>Hócus-Pócus</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sn35-tQ0S2I/AAAAAAAAAJY/AIUtDSAFZhE/s1600-h/vonnegut.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 269px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sn35-tQ0S2I/AAAAAAAAAJY/AIUtDSAFZhE/s400/vonnegut.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5367721186592836450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As capas dos livros que comento aqui podem, às vezes, parecer estranhas. De fato talvez o sejam mesmo. Há uma explicação: eu mesmo as escaneio e embora o faça com muito carinho, não tenho muita paciência para retoques. O máximo que faço é diminuir o tamanho do arquivo para que não fique muito pesado na página.&lt;br /&gt;Dito isto, vamos a Kurt Vonnegut: nasceu em 1922 em Indianápolis, nos Estados Unidos e morreu em 2007, em Nova Iorque, cidade onde morava desde 1970. Foi formado em Química e Antropologia e serviu na infantaria durante a Segunda Guerra Mundial. Provavelmente sua obra mais conhecida aqui no Brasil seja &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Matadouro 5 (Slaughterhouse-Five) &lt;/span&gt;e acho que por causa deste seu romance, ele é taxado de escritor de ficção-científica. O fato é que este "Hócus Pócus" é um livro e tanto e não tem nada de ficção-científica. Digo até com um certo preconceito, porque os livros de ficção se preocupam mais com a história e mais ainda com as ideias mirabolantes que devem fazer sentido e ter um embasamento teórico do que com a linguagem. Ray Bradbury tentou mudar isso trazendo lirismo para o estilo, mas ele já estava estigmatizado.&lt;br /&gt;Hócus pócus é uma expressão que significa algo como truque ou fraude. Como chegou até aí ninguém sabe, porque em termos linguísticos, Hócus pócus não significa nada. Tem um jeitão de latim, mas é besteira: o próprio termo é uma fraude.&lt;br /&gt;Kurt Vonnegut fala neste seu romance de um tema que sempre o perturbou: a guerra. E a guerra está presente o tempo todo, ora como realidade, quando o personagem principal do livro, o professor Eugene Debs Hartke, que é apresentado pelo autor logo no primeiro parágrafo do romance, resolve contar as pessoas que matou na Guerra do Vietnã, ora como uma inquietante sombra, que é o caso de um presídio gerenciado por japoneses que está sempre a um passo de uma rebelião.&lt;br /&gt;A história: o professor Hartke se torna professor por um acaso - mandado para o exército pelo pai desejoso de um filho de sucesso, vai para West Point e depois para a guerra. Feito o que tinha de ser feito, o soldado retorna para os Estados Unidos sem saber o que será de seu futuro, até que um acaso o faz trombar com seu antigo oficial comandante, que então era diretor de um colégio e precisava de um professor de física.&lt;br /&gt;Um rio separa o Colégio Tarkington e um presídio de segurança máxima com fins lucrativos gerenciado por japoneses. Era uma época em que os americanos começaram a preferir produtos vindos da terra do sol nascente. O Colégio Tarkington é uma dessas escolas para crianças ricas com problemas de aprendizagem.&lt;br /&gt;Mulherengo, Eugene começa a sair com a esposa do diretor. Isso não poderia resultar em boa coisa. Colocam uma menina com um gravador escondido para seguir o professor por toda a escola. Uma maneira eficiente de conseguirem provas para dar um jeito no professor Hartke. Sem emprego e um pouco desesperado, consegue ficar amigo do diretor do presídio e começa a lecionar lá. Como ele é meio maluco, os prisioneiros se identificam com ele e adotam-no como um mentor, o que complica a sua vida, já que quando acontece o motim, ele é acusado de ser o guia dos presos. Com tuberculose e na cadeia, Eugene espera sobreviver neste estranho país que o recebeu de volta.&lt;br /&gt;A qualidade da literatura de Vonnegut está justamente nesta crítica ao jeito americano de ser e na linguagem crua, extremamente crua e ácida.&lt;br /&gt;Para encerrar, eu acho essa capa da Rocco perfeita, a metáfora de uma sociedade que já não funciona de forma correta há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Trecho de Hócus Pócus&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que William Shakespeare foi o homem mais sábio que existiu. Mas, para ser franco, isso não é grande coisa. Somos animais de uma vaidade impossível, e na verdade burros de doer. Pergunte a qualquer professor. Nem precisa perguntar a um professor. Pergunte a qualquer um. Cães e gatos são mais espertos do que nós.&lt;br /&gt;Se eu digo que os Curadores do Colégio Tarkington eram Burros, e que as pessoas que nos meteram na Guerra do Vietnã eram burras, espero que fique claro ser eu mesmo o maior Burro de todos. Olhe aonde vim parar agora, e como dei duro só para chegar aqui, e não a outro lugar. Bingo!&lt;br /&gt;E se acho que meu pai era uma besta quadrada e minha mãe era uma besta quadrada, o que posso eu ser se não outra besta quadrada? Pergunte aos meus filhos, legítimos ou não. Eles sabem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tradução de Rubens Figueiredo para a Rocco, edição de 1993).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;O trecho em inglês:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I think William Shakespeare was the wisest human being I ever heard of. To be perfectly frank, though, tht's not saying much. We are impossibly conceited animals, and actually dumb as heck. Ask any teacher. You don't even have to ask a teacher. Ask anybody. Dogs and cats are smarter than we are.&lt;br /&gt;If I say that the Trustees of Tarkington College were dummies, and that the people who got us involved in the Vietnam War were dummies, I hope it is understood that I consider myself the biggest dummy of all. Look at where I am now, and how hard I worked to get here and nowhere else. Bingo!&lt;br /&gt;And if I feel that my father was a horse's fundament and my mother was a horse's fundament, what can I be but another horse's fundament? Ask my kids, both legitimate and illegitimate. They know.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-2284705539013995810?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/2284705539013995810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=2284705539013995810' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2284705539013995810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2284705539013995810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/08/hocus-pocus.html' title='Hócus-Pócus'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sn35-tQ0S2I/AAAAAAAAAJY/AIUtDSAFZhE/s72-c/vonnegut.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-349453131617664306</id><published>2009-08-01T13:25:00.000-07:00</published><updated>2009-08-01T16:10:05.331-07:00</updated><title type='text'>Fome de rosas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SnSuQxQGVHI/AAAAAAAAAJA/a4wTZOZdz-E/s1600-h/fomederosas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 220px; height: 316px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SnSuQxQGVHI/AAAAAAAAAJA/a4wTZOZdz-E/s400/fomederosas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365104659227104370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda semana recebo alguns livros em casa - amigos com seus lançamentos, escritores em busca de novos leitores. Ganho muito mais livros do que consigo ler. Porque além destes que chegam até mim, ainda há os outros, que compro com o desejo de conhecer. Há uma pilha de obras aguardando minha leitura. Então, infelizmente, tive de adotar um critério: para que eu não tenha de simplesmente abandonar os livros que ganho em um canto, leio as três primeiras páginas de todos. Se resistirem à leitura, provando sua qualidade, sigo até o final.&lt;br /&gt;Não tenho tempo sequer de agradecer a todos os que me enviam suas obras, que gastam tempo e dinheiro envelopando sua esperança e me destinando um alô. É uma questão de tempo sim, de forma que, como encaro a literatura como meu segundo trabalho, sou "obrigado" a ler de cem a duzentas páginas todos os dias. Mas o mesmo critério eu uso com os escritores consagrados: se eu não julgar que fizeram um bom trabalho, também não passo das três primeiras páginas. Se alguém me recomenda e a leitura engasga pela falta de qualidade, tento chegar até a décima página para ver se é só uma questão de tipo.&lt;br /&gt;Uma história que me pegou de jeito foi a de "Fome de rosas", de Rosângela Vieira Rocha. Li três resenhas sobre este livro, publicadas em jornais e sites. Como não escrevo mais críticas literárias e estou correndo de jornal, vou tentar contar algo diferente sobre o romance. A respeito da escritora, quem quiser saber mais, digite o seu nome no Google e veja o que acontece.&lt;br /&gt;Para ser honesto, o título não me incentivou muito e a capa também não me ajudou. Mas é uma questão de gosto, vejam bem: gosto. Porque tanto a capa quanto o título são muito coerentes com a mensagem que Rosângela pretende passar.  Mas não me iludi - sou daqueles que acham que um texto não se vende pela capa ou por um título somente. Não me arrependi.&lt;br /&gt;Vamos primeiro à história. Rosângela começou a trama no momento preciso para laçar o leitor: no enterro de um jovem e poderoso advogado, morto em um acidente de carro. Lisandro deixa mulher (Ariadne) e duas filhas (Letícia e Alice). Até aí tudo bem. O que não gostei muito nas críticas que li foi a atenção exacerbada que deram à personagem Alice. Ótimo, mas o livro é mais do que isso.&lt;br /&gt;Letícia é uma jovem de vinte e um anos e Alice uma mimada garota-problema de 13. Com a morte do pai, Letícia vê-se obrigada a cuidar da família, que vivia confortavelmente em uma mansão, onde alienavam-se Ariadne e Alice. A filha mais velha decide que não quer esse fardo para si, abandona o curso de Direito no último ano e segue com o marido para a Alemanha, onde ele fará seu doutoramento e ela cuidará da casa. Rosângela trata de forma superficial da questão do imigrante, pois não é seu objetivo se aprofundar sobre isso, mas é muito feliz ao retratar de maneira poética a solidão em um novo país.&lt;br /&gt;Alice é uma pré-adolescente que fica menstruada no dia da morte do pai - e é emblemática essa sutil união de sangues. Gordinha, decide perder peso sozinha, comprando dezenas de livros sobre dietas. Faz exercícios, controla a alimentação e em alguns meses se vê quinze quilos mais magra, ao custo de negligenciar a escola e de se tornar paranóica com o corpo. É um dos méritos do livro: discutir e apresentar de forma detalhada e certeira o processo de desenvolvimento de duas graves doenças: a bulimia e a anorexia. Alice tem em casa modelos de beleza: a mãe e a irmã e decide fazer o que está ao seu alcance para ficar como elas. Rosângela Vieira mostra o perigo da Internet sem fiscalização, os efeitos dos conselhos de amigos virtuais na disseminação de bobagens, as consequências do abandono, já que Ariadne decide, após anos se dedicando à família, cuidar um pouco de si e retomar um antigo relacionamento com um empregado de seu ex-marido.&lt;br /&gt;É uma questão pessoal, mas achei muito interessante o aparecimento da cantora Karen Carpenter na narrativa. Carpenter foi um caso que ganhou a mídia do final dos anos 70, quando começou a emagrecer desenfreadamente e chegou a morrer em 1983, com problemas no coração, decorrentes da anorexia. É um assunto bastante atual, tendo-se em vista a exigência de modelos cada dia mais magras. Usuários do Protoshop criam ilusões, capas de revistas com mulheres perfeitas, sem celulite, sem estrias, com a barriguinha malhada e com um rosto sem marcas. Os recursos de luz e destreza fotográfica de antigamente me pareciam mais honestos.&lt;br /&gt;O mérito de Rosângela está no seu modo de escrever, sem rodeios. Ela sabe contar uma história sem se posicionar criticamente sobre o tema, o que não quer dizer que o livro não trate a questão de maneira crítica, evidente. Ela simplesmente narra os fatos, o que é importante em se tratando de um ponto tão delicado. Se a autora tomasse um partido, o livro poderia descambar para a defesa gratuita de um preconceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Trecho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cortejo deixa a capela. Não houve tempo para os convites, tudo aconteceu rapidamente. A última a sair é Alice, a filha mais nova do morto, de calça jeans e camiseta, pálida, apesar dos olhos secos. Elas nem parecem irmãs, de tão diferentes. A mais velha é alta, esbelta, morena, olhos azuis esverdeados. O luto não a impediu de preocupar-se com a aparência. Vestida com um discreto conjunto bege, de bolinhas marrons, sandálias de salto alto, cabelos bem assentados e uma maquiagem leve, Letícia já parece a dona do escritório de advocacia que herdará do pai, logo que terminar o curso. Flávio, o namorado, é um jovem juiz de direito cujas sentenças têm sido comentadas nas revistas especializadas e nos seminários jurídicos. Lisandro apreciava o futuro genro, dizia que tinha futuro, mas queria que a filha se formasse antes do casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fome de Rosas, Rosângela Vieira Rocha, Edições Dédalo, Brasília, 2009, 138 páginas.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-349453131617664306?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/349453131617664306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=349453131617664306' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/349453131617664306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/349453131617664306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/08/fome-de-rosas.html' title='Fome de rosas'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SnSuQxQGVHI/AAAAAAAAAJA/a4wTZOZdz-E/s72-c/fomederosas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-9093678693552356605</id><published>2009-07-30T05:30:00.000-07:00</published><updated>2009-07-30T05:42:35.463-07:00</updated><title type='text'>Os estranhos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SnGUpruh4kI/AAAAAAAAAI4/shJ2F7BFbPo/s1600-h/Capa_OsEstranhos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 265px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SnGUpruh4kI/AAAAAAAAAI4/shJ2F7BFbPo/s400/Capa_OsEstranhos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364232075008401986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos escrevi o prefácio para um romance da Carla Dias, que me tocou profundamente. Sempre insisti para que ela o inscrevesse em algum certame e que o editasse logo. Então ela acabou ganhando um concurso importante aqui no estado de São Paulo e seu livro será lançado dia 22 de agosto próximo, na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1731), na capital. É uma boa oportunidade para conhecer a obra desta escritora que, eu tenho certeza, ainda ganhará muitos outros prêmios importantes.&lt;br /&gt;Abaixo o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;release &lt;/span&gt;do livro da Carla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Romance aborda a solidão presente na proximidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Premiado pela Secretaria de Estado da Cultura, através do ProAc – Programa de Ação Cultural – o livro Os estranhos, da paulista Carla Dias, é o primeiro título da [sic] editorial. Por meio do cotidiano aparentemente simples, Carla tece a trama de personagens complexos.&lt;br /&gt;Alice, a personagem central, tem um trabalho comum numa vida ainda mais comum. Nas horas vagas, gosta de  lmar depoimentos de pessoas atormentadas e com desequilíbrio emocional. Kalé, o outro protagonista do romance, é um escritor às voltas para  nalizar mais um livro. A proximidade dos dois acontece ao acaso, assim como a proposta abrupta de Kalé para ocupar um dos quartos da casa de Alice e dividir com ela as despesas. Mas o que une Alice e Kalé é a solidão que cada um à sua maneira cultua. E esta proximidade entre eles empurra-os para questionamentos e descobertas.&lt;br /&gt;Afinal, até onde as pessoas podem ser estranhas mesmo estando próximas? Até onde a proximidade pode ser alento? Até onde pode machucar? Essas são algumas das muitas perguntas que Carla Dias faz brotar na cabeça do leitor já nas primeiras páginas do romance &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os estranhos&lt;/span&gt;. Mas não espere resposta pronta. O talento de Carla é daqueles que instigam.&lt;br /&gt;Para o escritor Whisner Fraga, que assina a apresentação de Os estranhos, o livro de Carla “é grande literatura. Aqui há solidão, desesperança, amizade, arte, intrigas, mas tudo permeado de uma ironia refinada, de dúvidas e da presença da cidade grande, esse mito aterrorizante que constrói individualidades asfixiadoras”.&lt;br /&gt;Carla Dias é escritora, baterista e produtora de eventos. Em 1997, publicou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Azul&lt;/span&gt;, seu primeiro livro, uma coletânea de contos e poesias. Em 1998, participou com o conto Queda da antologia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Encontros&lt;/span&gt;, organizada por Whisner Fraga. No mesmo ano, tornou-se colaboradora do site Crônica do Dia, no qual publica até hoje. Ficou em segundo lugar no III Concurso de Contos José Cândido de Carvalho promovido em 2001 pela ANE – Associação Nacional dos Escritores – com o conto &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vôo cego&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-9093678693552356605?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/9093678693552356605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=9093678693552356605' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/9093678693552356605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/9093678693552356605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/07/os-estranhos.html' title='Os estranhos'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SnGUpruh4kI/AAAAAAAAAI4/shJ2F7BFbPo/s72-c/Capa_OsEstranhos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-1836782803277729237</id><published>2009-07-28T12:36:00.000-07:00</published><updated>2009-07-28T12:53:09.673-07:00</updated><title type='text'>O quarto de Jacob</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sm9WZE0d6uI/AAAAAAAAAIw/9dqnkM1rkcA/s1600-h/CamposdeCarvalho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 263px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sm9WZE0d6uI/AAAAAAAAAIw/9dqnkM1rkcA/s400/CamposdeCarvalho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363600670012074722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que se não conhecêssemos a biografia de Virginia Woolf, saberíamos que o Jacob do livro é, na verdade, seu irmão Thoby? Será que se ela não escrevesse um diário narrando a confecção deste romance, saberíamos tanto sobre o livro, uma vez que a linguagem da obra é bastante rebuscada? Será que o fato de não relacionarmos a vida pessoal de Virginia Woolf com passagens e detalhes de sua obra diminuiria o nosso poder de interpretá-la?&lt;br /&gt;Andei lendo uns artigos sobre este livro da Woolf e fiquei um pouco chateado porque dão muito valor à história do ponto e vírgula e da reticências, que ela usava muito. Mas ninguém foi mais fundo para saber o verdadeiro motivo. Acredito que as pessoas ainda têm muito medo de ler Virginia, mas acho ela bem mais acessível do que o TS Eliot. Os brasileiros têm muito medo de textos herméticos, por isso um Campos de Carvalho nunca foi mais adiante. E olha que Campos é dono de um estilo irresistível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-1836782803277729237?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/1836782803277729237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=1836782803277729237' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1836782803277729237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1836782803277729237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/07/o-quarto-de-jacob.html' title='O quarto de Jacob'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sm9WZE0d6uI/AAAAAAAAAIw/9dqnkM1rkcA/s72-c/CamposdeCarvalho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7484920416955065926</id><published>2009-07-23T08:50:00.000-07:00</published><updated>2009-07-28T06:10:59.918-07:00</updated><title type='text'>Um estrangeiro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SmiefoVEwZI/AAAAAAAAAIo/R3WO-dvOMnI/s1600-h/hospede_1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 263px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SmiefoVEwZI/AAAAAAAAAIo/R3WO-dvOMnI/s400/hospede_1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5361709622623519122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não tenho dúvida alguma que um grande livro é aquele que deixa o leitor confuso, que com uma linguagem requintada e cheia de lirismo vai além da trama, de encontro ao que poderia chamar de incômodo. E para alcançar esse objetivo, para desconcertar o leitor, o autor desta obra não pode ter medo de arriscar.&lt;br /&gt;Guy Corrêa é um autor que não se deixa iludir pelo caminho fácil de um texto linear (ele se encaixa no tipo de escritor a que me referi no parágrafo acima, àquele que não subestima seu leitor) e seu romance "O hóspede perplexo" mereceu a minha atenção e preenche todos os requisitos de uma obra de arte.&lt;br /&gt;O livro pode ser dividido em três tempos e há um tema a perpassar toda a história: a imigração. O próprio Guy, jornalista experimentado, já foi um imigrante em Portugal e na Inglaterra. A primeira parte narra um pesadelo que o personagem principal está tendo - e aí já se inicia o drama da imigração. Ao que parece, um homem tenta desesperadamente nadar em um mar inabalável, como se estivesse em uma difícil travessia clandestina, rumo ao sonho de uma vida melhor em uma praia de um país de primeiro mundo.&lt;br /&gt;Na segunda parte conhecemos o narrador do sonho, Edgard, um bem-sucedido empresário, que não consegue se relacionar com pessoas, a menos que estas se portem como objetos e possam ser comercializadas. Assim, conhecemos suas idas e vindas em uma sociedade em que nada acontece além da busca pelo lucro e seu relacionamento mercantil com a esposa e os filhos.&lt;br /&gt;Na última parte, Edgard cede seu espaço para um jovem de 30 anos, alterego de Guy, que chega a Lisboa e enfrenta todas as dificuldades de um estrangeiro em uma Europa cada dia mais xenófoba. A xenofobia é um tema que aparece todos os dias nos jornais e o crescimento dos grupos neonazistas nos deixa claro que ele está mais vivo do que nunca.&lt;br /&gt;Um detalhe curioso sobre o livro é que eu o havia adquirido e não o tinha lido. Quando fui premiado com o PAC da Secretaria de Cultura do estado de São Paulo e estava procurando uma editora, recorri à uma leitura rápida do primeiro capítulo do romance, para me certificar que a Ficções tinha um certo critério de qualidade para suas publicações. Foi aí que tive a certeza que queria publicar por essa editora. No site da &lt;a href="http://www.ficcoes.com.br/"&gt;Ficções&lt;/a&gt; está publicado o primeiro capítulo do romance de Guy Corrêa.&lt;br /&gt;Ah, sobre o título. Por que Hóspede perplexo? Nas palavras do próprio Guy, com quem troquei algumas mensagens para melhor compreender os objetivos de sua obra: "Os personagens têm mesmo esse caráter transitório, de hóspedes do mundo. O leitor também se hospeda nas páginas de livros." Não podemos nos esquecer também que um dos significados para "hóspede" é o de estrangeiro que visita ou viaja em um determinado país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Trecho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tinham partido havia menos de uma hora - a viagem carregava consigo a promessa de brevidade. Dois rapazes magriços, polarizados no meio da embarcação, faziam movimentos sincronizados com os remos, torvelinhando aquelas águas, transportando aquela gente sofrida, rumo a algum ponto remoto de uma praia, no lado oposto do estreito. Agiam esses remadores como profissionais e isso era mesmo verdade. Havia ainda um terceiro homem na proa do barco, motivado por alguma pequena quantia em dinheiro, que supervisionava o movimento dos dois; vestido com um conjunto safári bege e calçando um par de tamancos, ele libertava uma expressão rude e ainda vasculhava os 360 graus da porção de mar que os circundavam com o auxílio de um binóculo. A noite tinha se dissolvido, mas a claridade do dia não carregava consigo a almejada nitidez, pelo contrário, uma névoa foi se instalando com tamanha violência até conseguir alterar o semblante da tripulação que semanalmente fazia esse serviço.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7484920416955065926?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7484920416955065926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7484920416955065926' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7484920416955065926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7484920416955065926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/07/o-hospede-perplexo.html' title='Um estrangeiro'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SmiefoVEwZI/AAAAAAAAAIo/R3WO-dvOMnI/s72-c/hospede_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-8422445934489350428</id><published>2009-07-10T11:05:00.000-07:00</published><updated>2009-07-10T11:54:06.844-07:00</updated><title type='text'>Cavalos do amanhecer</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SleNz6TGtoI/AAAAAAAAAIg/NS2temqvuTA/s1600-h/cavalos+do+amanhecer.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 277px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SleNz6TGtoI/AAAAAAAAAIg/NS2temqvuTA/s400/cavalos+do+amanhecer.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356906204742727298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um livro precioso de Mario Arregui chamado "Cavalos do amanhecer", que pode ser facilmente encontrado nas livrarias ou nos sebos. A nota bibliográfica da edição que eu tenho não dá dicas sobre qual livro do escritor uruguaio foi traduzido. Suponho que tenha sido seu primeiro, "Noche de San Juan y otros cuentos", de 1956. Arregui está tão esquecido que não consigo encontrar seus livros nem em espanhol em livraria nenhuma, inclusive do Uruguai. Aceito sugestões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os oito contos da obra são magníficos, são uma aula de literatura. É o tipo de leitura da qual nunca saímos sem pensar que o melhor é não escrevermos nada nunca mais. No conto de abertura, "Noite de São João", lemos a tradução de Sérgio Faraco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Depois de muitos dias consumidos em tropeadas por campos e caminhos onde o outono semeava suas mil mortes, regressava Francisco Reyes ao povoado. Era um entardecer límpido e alto como a espada vitoriosa de um anjo, e cem fogueiras dispersas anunciavam o nascimento da noite de São João. Os cascos do cavalo golpeavam sonora e compassadamente a branca carreteira, e ele abria com avidez os olhos para os cordiais fogos dos homens e o balbuciar das primeiras estrelas. Seu peito também se abria, docemente se abria e se dilatava para antigas ternuras, recordações ainda palpitantes que o alcançavam desde o sítio onde se esconde a infância. Seu coração disparava como o de um menino.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito mais do que um relato sobre gaúchos, é um relato universal, no melhor sentido da palavra, a despeito do debate entre Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho na Flip. Francisco Reyes remói a sua solidão entre os lençóis de uma prostituta, conhecida antiga. Ao sair da casa dessas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mulheres da vida&lt;/span&gt;, Reyes conhece Ofélia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Longos minutos permaneceram assim, como dois náufragos arrojados pelo destino na concavidade de uma mesma onda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida vem o conto "Os contrabandistas". O contexto em que se passa a história foi muito bem explicado pelo jornalista &lt;a href="http://leiturasdogiba.blogspot.com/2009/06/longe-dos-livros-o-infeliz-e-seu-modo.html"&gt;Gilberto Pereira&lt;/a&gt;. Pouco depois, o notável "Cavalos do amanhecer", que narra a fuga de Martiniano, que já enfrentara duas guerras e não queria lutar a terceira. Percebemos o nervosimos e a covardia do herói:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Interrompeu-o a entrada de Correntino, com latidos que eram um único latido (ele saíra do rancho, recorrera as cercanias e voltava sobrecarregado de alarmas). Martiniano calou-o com um grito rouco e um pontapé, o cão refugiou-se debaixo do catre do garoto. Este despertou-se e ergueu-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martiniano decide se esconder no poço ao lado de sua casa e deixa a mulher o filho se entenderem com os ginetes que se aproximam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próximo conto, "Diego Alonso", é dos que mais gostei. Conta a história de um conflito silencioso, suspenso por um um terror tênue e assustadiço, que qualquer sussurro poderia derrubar. Diego Alonso e o barbeiro estão enamorados pela mesma mulher. Quando Diego aparece na barbearia, percebe-se que é hora do confronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lua de outubro" é a próxima narrativa. Fala de Pedro Arzábal e de sua aventura na casa dos Lopes, com a menina Leonor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro inteiro é permeado por um lirismo assustador, que faz com que sua leitura seja essencial e urgente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-8422445934489350428?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/8422445934489350428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=8422445934489350428' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8422445934489350428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8422445934489350428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/07/cavalos-do-amanhecer.html' title='Cavalos do amanhecer'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SleNz6TGtoI/AAAAAAAAAIg/NS2temqvuTA/s72-c/cavalos+do+amanhecer.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-5286298741426066030</id><published>2009-07-07T10:35:00.000-07:00</published><updated>2009-07-07T10:44:44.613-07:00</updated><title type='text'>FLIP de novo</title><content type='html'>Tem gente falando que o Tezza sumiu perto do Bellatin, tem gente comentando que o Bernardo Carvalho arrasou com o Atiq Rahimi, tem gente fofocando que o Chico disparou que o João Gilberto é maior do que Guimarães Rosa. Tudo bobagem.&lt;br /&gt;O legal era ficar nas filas dos autógrafos. Ali conheci muita gente interessante e anotei várias dicas de livros. Nas filas eu já ficava sabendo dos comentários sobre todas as mesas.&lt;br /&gt;Mas não vi ninguém lendo em nenhum lugar da cidade.&lt;br /&gt;Este ano proibiram a venda de livros off-Flip. Mas muitos conseguiram vender assim mesmo. Eu tenho as provas: comprei alguns.&lt;br /&gt;Um sujeito perguntou ao gerente da livraria exclusiva da Flip se podia colocar alguns marcadores de página pra darem aos clientes. Não, não podia. Algumas editoras, que patrocinavam alguma coisa, não permitiam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-5286298741426066030?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/5286298741426066030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=5286298741426066030' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5286298741426066030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5286298741426066030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/07/flip-de-novo.html' title='FLIP de novo'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6871835310348954829</id><published>2009-07-06T04:01:00.001-07:00</published><updated>2009-07-06T04:06:37.581-07:00</updated><title type='text'>Lobo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SlHaVCfSsuI/AAAAAAAAAIQ/2eGFDawuOYA/s1600-h/Eu_Lobo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SlHaVCfSsuI/AAAAAAAAAIQ/2eGFDawuOYA/s400/Eu_Lobo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355301486900458210" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Caminhando por Paraty encontrei António Lobo Antunes, que foi muito simpático comigo. Eu o segui por dois quarteirões, na esperança de que fosse reconhecido, tietado e nada. À noite, porém, a coisa mudou, parecia uma estrela de cinema, um reboliço. Aí só assinou o livro para um número limitado de pessoas. Ao chegar na tenda dos autógrafos foi recebido por uma salva de palmas, quando olhou para aquela multidão e soltou um sorriso irônico. Finalmente acendeu o cigarro que agitou durante toda a uma hora e pouco na tenda dos autores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6871835310348954829?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6871835310348954829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6871835310348954829' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6871835310348954829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6871835310348954829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/07/lobo.html' title='Lobo'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SlHaVCfSsuI/AAAAAAAAAIQ/2eGFDawuOYA/s72-c/Eu_Lobo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-2034938081859490008</id><published>2009-06-29T15:41:00.000-07:00</published><updated>2009-06-29T15:43:05.547-07:00</updated><title type='text'>Vídeos</title><content type='html'>Muito legais esses &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=EIaYq04U6iI"&gt;vídeos&lt;/a&gt; feitos pelo jornalista Michel Lacombe, durante a nona Feira do Livro de Ribeirão Preto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-2034938081859490008?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/2034938081859490008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=2034938081859490008' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2034938081859490008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2034938081859490008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/06/videos.html' title='Vídeos'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-5456553793460675534</id><published>2009-06-26T06:42:00.000-07:00</published><updated>2009-06-26T06:57:51.044-07:00</updated><title type='text'>Camus e Albatroz</title><content type='html'>Aprendi a língua francesa porque queria ler Albert Camus no original. Cheguei a traduzir "O estrangeiro", mas nunca pensei em publicar a tradução. Depois Baudelaire. "O albatroz" é um dos sonetos mais perfeitos que já se escandiram e não existe tradução, em nenhum idioma, que se aproxime dos versos escritos por Baudelaire. Uma grandiosa metáfora da solidão dos gênios. Os versos finais narram a aventura desta ave, que, por ter as asas desproporcionais em relação ao corpo, gigantes, possui um caminhar manco, feio. Por outro lado, quando voa, percebe-se a harmonia do conjunto e a profunda habilidade nos movimentos. Leiam o &lt;a href="http://www.kalliope.org/digt.pl?longdid=baudel1999063004"&gt;poema&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-5456553793460675534?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/5456553793460675534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=5456553793460675534' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5456553793460675534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5456553793460675534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/06/camus-e-albatroz.html' title='Camus e Albatroz'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6289273164677459998</id><published>2009-06-25T05:27:00.000-07:00</published><updated>2009-06-25T05:28:05.917-07:00</updated><title type='text'>Blog do poeta</title><content type='html'>Recomendo a leitura do blog de &lt;a href="http://blogs.jovempan.uol.com.br/poeta/"&gt;Álvaro Alves de Faria&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6289273164677459998?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6289273164677459998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6289273164677459998' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6289273164677459998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6289273164677459998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/06/blog-do-poeta.html' title='Blog do poeta'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-3336772101514594467</id><published>2009-06-23T13:28:00.000-07:00</published><updated>2009-06-23T13:30:19.691-07:00</updated><title type='text'>Jerusalém</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SkE7Iw9zNVI/AAAAAAAAAHY/TbD1MQpG1kE/s1600-h/Jerusalem.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 259px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SkE7Iw9zNVI/AAAAAAAAAHY/TbD1MQpG1kE/s400/Jerusalem.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350622854061962578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Gonçalo Tavares é um escritor português de 36 anos que vem causando frisson em seu país natal com o livro "Jerusalém", tendo conseguido arrancar elogios até do conterrâneo José Saramago. O livro é realmente bonito, a trama consegue ser surpreendente em alguns momentos, mas o que conseguiu me prender foi a estranheza que as personagens nos causam: uma esquizofrênica que engravida em uma casa de recuperação e tem um filho deficiente. Ontem vi uma palestra do italiano Giovanni Ricciardi e ele, comentando um romance do Antônio Torres, Um táxi para Viena d'Áustria, diz que a principal característica desta obra é o fato de possuir um protagonista que vagueia sem motivo e sem razão por uma cidade. O mesmo pode ser dito das personagens de Tavares: elas perderam a conexão com a realidade, com a vida e com a própria verdade. É mais do que apatia, é uma falta aparentemente orgânica, há uma causa biológica nas ações. Incomodaram-me os "a nível de" e também os "há 5 anos atrás". Não sei se a regra da língua portuguesa em Portugal permite isso. Vou ver com o Pasquale no &lt;a href="http://twitter.com/Prof_Pasquale"&gt;Twitter&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-3336772101514594467?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/3336772101514594467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=3336772101514594467' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3336772101514594467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3336772101514594467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/06/jerusalem.html' title='Jerusalém'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SkE7Iw9zNVI/AAAAAAAAAHY/TbD1MQpG1kE/s72-c/Jerusalem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-5337479144997184552</id><published>2009-06-15T15:06:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T15:25:29.160-07:00</updated><title type='text'>Pele calejada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SjbJjBIsEMI/AAAAAAAAAHQ/-THcwT3IINc/s1600-h/Pele.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 251px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SjbJjBIsEMI/AAAAAAAAAHQ/-THcwT3IINc/s400/Pele.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347683210986524866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título original deste livro de Raymond Guérin é "La peau dure". Em português, em uma tradução literal, ficou muito mais poético. Como não consegui o livro em francês, vou comentar somente sobre a história.&lt;br /&gt;O romance é dividido em três partes, cada uma narrando a respeito de uma mulher. Lá pelo meio da segunda parte é que descobrimos que as três mulheres são irmãs. Todas se acham espertas, mas o leitor vai perceber que são bastante tontas - embora, seja dito a favor das três, muito sensíveis ao sofrimento humano.&lt;br /&gt;São elas: Clara, a doméstica perseguida pela polícia por ter feito um aborto, Jaquina, franzina e tuberculosa, que consegue ter dois filhos e é abandonada pelo marido, porque sua saúde requer investimentos muito altos e por fim Luísa, a libertina, que tem três amantes e é apaixonada pelo mais franzino deles, o Zé e tenta, umas vezes com sucesso, outras nem tanto, ajudar as duas irmãs, para não perceber que quem mais necessita de ajuda é ela própria.&lt;br /&gt;Abaixo, um trecho da (elegante) tradução assinada por Luiza Neto Jorge para a Assírio e Alvim. Nesta altura, os Kubnec, que empregam a ingênua Clara, estão contentes porque conseguiram que a empregada fizesse sua primeira comunhão, aos vinte e três anos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Kubnec, agora vejo, estavam realmente orgulhosos do que tinham feito. Gabavam-se por toda a parte. Estavam convencidos de que o bom Deus lhes levaria aquilo em conta, quando chegasse a altura. Mas como era Verão, isso não os impediu de pensarem nas férias. Para Pouliguen, era para onde eles iam todos os anos. Fica na Bretanha. O mar eu já conhecia. Tinha estado em Berck quando era pequena, por via de ter as pernas um bocado tortas. Estava tudo cheio de miúdas como eu, lá no hospital. Um hospital para gente necessitada. Era a expensas da Câmara Municipal de Paris, ao que parece. Perto de um ano que lá estive, e fez-me bem. Mas fiquei sempre um bocado fraca das pernas. Quem me vir, não dirá, porque tenho umas pernas de certo modo fortes. Mas se eu forço um pouco, é certo e sabido que fico cheia de dores nas articulações.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As três partes estão em primeira pessoa, o que torna a obra um tanto arriscada - dar voz a personagens marginais é sempre muito complicado para um escritor. Na tradução, o estilo dá a impressão de uma linguagem muito próxima da oral, tal a precisão da narrativa, mas precisaria ler o original para dizer se Raymond Guérin conseguiu o mesmo efeito em francês.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-5337479144997184552?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/5337479144997184552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=5337479144997184552' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5337479144997184552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5337479144997184552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/06/pele-calejada.html' title='Pele calejada'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SjbJjBIsEMI/AAAAAAAAAHQ/-THcwT3IINc/s72-c/Pele.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-1021093119132989082</id><published>2009-06-06T12:27:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T12:33:35.557-07:00</updated><title type='text'>Sobre abismo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SirEOe22SWI/AAAAAAAAAHI/ywmGVMUpeJc/s1600-h/CAPA_ABISMO_FECHADA.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 269px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SirEOe22SWI/AAAAAAAAAHI/ywmGVMUpeJc/s400/CAPA_ABISMO_FECHADA.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344299660908841314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vou reproduzir aqui a resenha que o jornalista Gilberto Pereira fez sobre Abismo poente. Um belo texto. Eu acharia o mesmo se ele descesse a lenha na obra, porque escreve com argumentos, com conhecimento de causa:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém lembra uma história inteira começando do dia ou da hora mais recente. É preciso cavar o tempo. E há sempre algo que ficou para trás e que se ligará com o que ainda está por vir. Uma lembrança, portanto, entrecortada de saudade ou não, é um vertiginoso subir e descer do sol no horizonte da memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais recente livro do escritor mineiro Whisner Fraga nos mostra a dimensão poética desse drama épico que existe em cada um de nós, que faz do homem um guardador de fantasmas, quando os projetos de vida não deram certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abismo poente&lt;/strong&gt; (Ficções, 2009, 112 páginas) é essa tonalidade suspensa que o leitor pode puxar e transformar num sussurro delirante ou num grito, marcados pelo ritmo da prece, da encenação dramática, massa forjadora de um novo amanhã, da esperança sustentada pelo vão de um mundo em ruínas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se considerarmos que a arte da narrativa é o instrumento de fusão entre nossa emoção e a beleza construída pelo autor do texto, &lt;strong&gt;Abismo poente&lt;/strong&gt; está no rol do que existe de melhor da literatura brasileira dos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Whisner Fraga, aos 37 anos, faz parte da novíssima geração de escritores brasileiros, mas já se coloca entre os grandes. Quando digo ‘grandes’, refiro-me a nossos contemporâneos, Milton Hatoum, Wilson Bueno, João Ubaldo Ribeiro, Raimundo Carrero, todos já passados dos 50. Junta-se a outros, próximos de sua idade, um pouco mais velhos, que também se destacam e têm muito mais mídia, como Luiz Ruffato e Miguel Sanches Neto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de comparação de linguagem, do fazer literário, mas do nivelamento da qualidade autoral. Whisner Fraga já demonstrou sua capacidade de olhar para a miséria humana em trabalhos anteriores, sempre com títulos que trazem consigo o germe da beleza do texto, como &lt;strong&gt;Coreografia dos danados&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;A cidade devolvida&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;As espirais de outubro&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com &lt;strong&gt;Abismo poente&lt;/strong&gt;, ele demonstra habilidade para falar de uma miséria mais calada na alma, uma memória cheia de angústia, remorso, rancor e culpa. Este livro – que pode ser lido como romance ou contos (em que ambos os gêneros ficam indefinidos) – tem como fio condutor a figura de Helena, o amor de infância do Narrador, paixão que fracassou na formalidade, por ela ter sido prometida a outro, por ela ser de família árabe (libanesa) e não poder decidir seu próprio destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta para se ver livre desse compromisso firmado pelo pai, Youssef, custou caro a Helena. E ao Narrador também, que, por isso mesmo, lamenta a desgraça em que todos caíram, em que os dois foram forçados a marcar encontros na clandestinidade por sucessivos anos. Nos nove capítulos ou contos, as antenas do autor souberam captar, com sensibilidade, o drama humano, o nervo do sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;até a devastadora elegia do rumor de seus peitos bicando os enredos da seda, helena, até o arroio dos cabelos recortando a deformada geometria do ar, embebendo com sua volúpia o recato dos ombros, o sol gotejante nas caldas de suas pálpebras, até à ostentosa hierarquia da obediência – danadamente, helena, você foi a caçula e era seu encargo se submeter a todos os irmãos, mesmo a afif, um ano e pouco mais velho. que uso poderia maquinar uma criança de onze anos para semelhante autoridade?&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A poesia e o eco&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Narrador é um personagem sombrio e evasivo. Fala muito mais dos outros do que de si mesmo, embora esteja presente em quase todas as cenas. Sabemos que é engenheiro, mas não é um brucutu, é culto, sensível e solitário. Mora sozinho numa chácara, onde encontrou “no álcool um pai.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viveu nos arredores da família de Youssef e tem uma idade próxima dos 40 anos, meia idade, portanto, um período da vida em que a crise existencial pode bater à porta e causar um estrago inimaginável. E é mais ou menos o que lhe acontece, ao desencadear as lembranças de Helena e do mundo ao redor em seu apelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No decorrer dessa súplica, o hino amargo em louvor a Helena, também vemos os desencontros do Narrador com outros amores e até outras pessoas, como os irmãos de sua amada, Afif, Astun e Wadiha. E é este fio apelativo que puxa as lembranças adjacentes e vem arrastando como forte correnteza os detritos da memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu jogo de cena, o Narrador envolve o leitor e tem consciência disso. Ele registra e repete na memória sua súplica. É uma repetição do vivido, portanto, um eco, e ele sabe disso, ele quer que essa dor seja transmitida. “aceito o eco como o instrumento essencial da humanidade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repete o amor malogrado, mas também a covardia e a culpa. Em duas ocasiões, ele testemunha a violência contra mulheres, mas não faz nada, e o resultado é a dor do remorso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abismo poente&lt;/strong&gt; é uma perfeita simetria entre os gêneros prosa, poesia e teatro. Dá para imaginar as caras e bocas do Narrador no palco, ao falar mais das dores do que das flores, que também houve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá para seguir a musicalidade em tom de súplica e as pegadas das frases como se fossem versos soltos, como se o Narrador fosse aedo de si mesmo, e dá para correr o olho, até se perder de vista, na teia formada pela prosa invulgar do autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;um dilacerante cacarejar tentava colher a respiração da manhã, antes do sol, o calafrio da neblina gemia nos espasmos finais dos sonhos, o alarde da natureza a hipnotizar a ressaca dos músculos, o celulóide das nuvens soluçando entre um cinza persistente e um rubro desmaiado e interesseiro, um louvor de recompensas se espraiando pela frouxidão de um dia de trégua: era sábado.&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta bela passagem é um exemplo da poeticidade que há no texto de Fraga. O Narrador não se contenta em descrever o dia de sábado amanhecendo, ele quer mais, quer despejar o encanto da palavra para provar que há beleza em meio à desgraça que carrega consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os procedimentos usados nesta técnica de narrar, a metáfora e a metonímia têm um lugar de destaque, como na frase usada para se referir ao sexo de Helena: “espaçoso e incógnito artefato de delícias”, e na aproximação do profano e do sagrado: “avistávamos o orgasmo como um atalho até deus.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A memória como abismo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a narrativa é um monólogo, recurso que aproxima o texto da linguagem teatral em função do apelo corporal implícito nas frases. A dinâmica desse monólogo se dá também pela captação de todas as esferas da realidade histórica e os matizes da cultura, mesclando com precisão os elementos pops e eruditos, como a inclusão dos nomes de Cid Moreira e David Hume, em diferentes contextos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras cenas entram como pano de fundo: a readaptação das famílias árabes no Brasil, vindas do Líbano e da Síria (mas cujos membros eram chamados de turcos, porque usavam passaporte turco, por razões políticas) e os conflitos religiosos e de fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse pano de fundo também traz a lembrança do período militar e seu conflito com os movimentos de esquerda, até chegar aos dias de hoje, em que há “mascates com cds piratas” e “casas de massagens se espreguiçando, acordando suas meninas para as aulas nas universidades caça-níqueis, garotos bocejantes infeccionando os cursos de direito, administração, fisioterapia, turismo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fala apelativa de &lt;strong&gt;Abismo poente&lt;/strong&gt;, semelhante ao que se vê na poesia, aproxima o autor do estilo do português António Lobo Antunes. Aproxima, mas o livro de Fraga também apresenta uma voz própria, uma respiração &lt;em&gt;sui generis&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mesmo a feitura homogênea da grafia remete o leitor a uma espécie de abismo. Neste caso, o autor mais uma vez busca o recurso poético. Caixa baixa, à la Cummings, do princípio ao fim, criando uma sensação de nivelamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação é falsa, pois não há nivelamento. O que há é um abismo recorrente, porque em cada ponto, após o qual esperamos um início de frase com maiúscula, vem a palavra em minúscula. É como se caíssemos de um precipício verbal, algo como caminharmos num trilho onde o próximo passo seria um degrau acima, levantarmos o pé na altura programada, bem mais alto, mas o que temos embaixo é o mesmo chão de sempre.&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O título &lt;strong&gt;Abismo poente&lt;/strong&gt; empresta ao livro uma metáfora englobante. Além de se referir à migração libanesa, da dificuldade de readaptação em solo ocidental, onde o sol se põe, há a indubitável queda do ser, o fracasso amoroso, resultado de uma intransigência. Conforme o texto da epígrafe, o abismo é a memória de Helena. É a memória.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-1021093119132989082?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/1021093119132989082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=1021093119132989082' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1021093119132989082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1021093119132989082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/06/sobre-abismo.html' title='Sobre abismo'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SirEOe22SWI/AAAAAAAAAHI/ywmGVMUpeJc/s72-c/CAPA_ABISMO_FECHADA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-8175608580017561395</id><published>2009-05-29T05:18:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T05:20:43.114-07:00</updated><title type='text'>Festival</title><content type='html'>Ontem fiz leituras de poesias inéditas na Casa das Rosas. Hoje estou em São Francisco Xavier para acompanhar o Festival da Mantiqueira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-8175608580017561395?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/8175608580017561395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=8175608580017561395' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8175608580017561395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8175608580017561395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/05/ontem-fiz-leituras-de-poesias-ineditas.html' title='Festival'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7323071223707493287</id><published>2009-05-23T13:13:00.000-07:00</published><updated>2009-05-23T13:47:24.242-07:00</updated><title type='text'>Bartleby, de Herman Melville</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ShhgKM-cj2I/AAAAAAAAAG4/9Zo_OKkMugY/s1600-h/bartleby.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 247px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ShhgKM-cj2I/AAAAAAAAAG4/9Zo_OKkMugY/s400/bartleby.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339123086645825378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vou transcrever o início do conto Bartleby, de Herman Melville, porque é um trecho maravilhoso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I am a rather elderly man. The nature of my avocations for the last thirty years has brought me into more than ordinary contact with what would seem an interesting and somewhat singular set of men, of whom as yet nothing that I know of has ever been written: - I mean the law-copyists or scriveners. I have known very many of them, professionally and privately, and if I pleased, could relate divers histories, at which good-natured gentlemen might smile, and sentimental souls might weep. But I waive the biographies of all other scriveners for a few passages in the life of Bartleby, who was a scrivener of the strangest I ever saw or heard of. While of other law-copyists I might write the complete life, of Bartleby nothing of that sort can be done. I believe that no materials exist for a full and satisfactory biography of this man. It is an irreparable loss to literatura. Bartleby was one of those beings of whom nothing is ascertainable, except from the original sources, and in his case those are very small. What my own astonished eyes saw of Bartleby, that is all I know of him, except, indeed, one vague report which will appear in the sequel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando procuro uma tradução razoável, prefiro as publicadas em Portugal. No Brasil, há pouco tempo que os editores vêm dando maior atenção às traduções, então muitos livros ainda não possuem versões à altura dos originais. As edições da Assírio &amp;amp; Alvim são as que recomendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já tenho uma certa idade. A natureza das minhas ocupações, nos últimos trinta anos, pôs-me em contacto estreito com o que seria de considerar uma interessante e algo singular classe de homens, sobre a qual, que eu saiba, nada se escreveu ainda - quero dizer, os escrivães, ou copistas de foro. Conheci muitos deles, quer profissional quer particularmente, e, se me apetecesse, podia contar variadas histórias, acerca das quais os cavalheiros de boa índole ririam, ao passo que as almas sensíveis verteriam lágrimas. Mas eu ponho de lado as biografias de todos os outros, em troca de algumas passagens da vida de Bartleby, que era escrivão, o mais estranho que conheci ou de que ouvi falar. Enquanto de outros copitas do foro, eu poderia escrever a vida completa, acerca de Bartleby tal não é possível fazer-se. Creio não haver material existente de modo a fazer-se a biografia integral e capaz deste homem. É uma perda irreparável para a literatura. Bartleby era um desses seres acerca dos quais nada se pode concluir a não sser a partir de fontes originais, que, no seu caso, são mínimas. O que os meus próprios olhos, atónitos, viram de Bartleby, isso é tudo quanto sei dele, excepto, na verdade, determinado rumor, que aparecerá em devido tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, há problemas no trecho, que não chega a comprometer o resultado final, mas que poderiam ser evitados. Por exemplo, há dois "fazer-se" pertinhos um do outro. No original em inglês não há nada parecido. Uma boa revisão resolveria o caso. Entretanto, o tradutor, Gil de Carvalho, não é nenhum iniciante e prova isso lá no final do parágrafo, com uma solução elegante para a última frase, chegando a melhorar o estilo rebuscado de Melville: determinado rumor, que aparecerá em devido tempo. Perfeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a tradução, o próprio Gil de Carvalho se pronuncia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Traduzir Melville, usar em português esta linguagem por vezes carregada, cruzada de várias tradições, tão alusiva, é problemático. O melhor mesmo é lê-lo no original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Sim, é melhor mesmo.&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;Bartleby&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;é um conto de Herman Melville, publicado em 1853 e narra a história do escrivão Bartleby, um sujeito extremamente metódico, que trabalha todos os dias da semana, sem descanso e faz seu trabalho com extrema eficiência. Entretanto, se nega a realizar qualquer outra tarefa que não seja a de copiar, com o bordão "I would prefer not to do"&lt;style&gt; Definitions */  @font-face  {font-family:"Cambria Math";  panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;  mso-font-charset:0;  mso-generic-font-family:roman;  mso-font-pitch:variable;  mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;} @font-face  {font-family:Calibri;  panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;  mso-font-charset:0;  mso-generic-font-family:swiss;  mso-font-pitch:variable;  mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-unhide:no;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  margin-top:0cm;  margin-right:0cm;  margin-bottom:10.0pt;  margin-left:0cm;  line-height:115%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif";  mso-fareast-font-family:Calibri;  mso-bidi-font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-language:EN-US;} .MsoChpDefault  {mso-style-type:export-only;  mso-default-props:yes;  font-size:10.0pt;  mso-ansi-font-size:10.0pt;  mso-bidi-font-size:10.0pt;  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-fareast-font-family:Calibri;  mso-hansi-font-family:Calibri;} @page Section1  {size:612.0pt 792.0pt;  margin:72.0pt 72.0pt 72.0pt 72.0pt;  mso-header-margin:36.0pt;  mso-footer-margin:36.0pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-priority:99;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif";  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-theme-font:minor-fareast;  mso-hansi-font-family:Calibri;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;  mso-bidi-font-family:"Times New Roman";  mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10;"   lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;. Até que um dia ele realmente prefere não fazer mais nada e se põe estático no meio do escritório, recusando-se a deixar o local. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7323071223707493287?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7323071223707493287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7323071223707493287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7323071223707493287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7323071223707493287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/05/vou-transcrever-o-inicio-do-conto.html' title='Bartleby, de Herman Melville'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ShhgKM-cj2I/AAAAAAAAAG4/9Zo_OKkMugY/s72-c/bartleby.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7464508505592671202</id><published>2009-05-15T09:12:00.000-07:00</published><updated>2009-05-16T05:14:57.820-07:00</updated><title type='text'>Bartleby</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sg2aGorNy1I/AAAAAAAAAGw/zj8eVicbbZI/s1600-h/Bartleby+y+compa%C3%B1ia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 313px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sg2aGorNy1I/AAAAAAAAAGw/zj8eVicbbZI/s400/Bartleby+y+compa%C3%B1ia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336090572292475730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é Bartleby? O leitor se lembrará primeiramente do personagem de Melville. Nas palavras de Enrique Vila-Matas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Todos conocemos a los bartlebys, son esos seres en los que habita una profunda negación del mundo. Toman su nombre del escribiente Bartleby, ese oficinista de un relato de Herman Melville que jamás ha sido visto leyendo, ni siquiera un periódico; que, durante prolongados lapsos, se queda de pie mirando hacia fuera por la pálida ventana que hay tras un biombo, en dirección a un muro de ladrillo de Wall Street; que jamás ha ido a ninguna parte, pues vive en la oficina, incluso pasa en ella los domingos; que nunca ha dicho quién es, ni de dónde viene, ni si tiene parientes en este mundo; que, cuando se le pregunta dónde nació o se ele encarga un trabajo o se le pide que cuente algo sobre él, responde siempre diciendo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Preferiría no hacerlo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já conhecia o Vila-Matas, principalmente o seu "Viagem vertical", livro maravilhoso. Mas foi por causa do António Lobo Antúnes que cheguei até esta obra, "Bartleby y Compañía". O título do seu romance "Boa tarde às coisas aqui em baixo" surgiu graças ao companheiro Enrique Vila-Matas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bartleby y Compañia não é um romance, tampouco um livro de ensaios ou de contos. É uma brincadeira, sutil e inteligente. Uma obra-prima. Vila-Matas usa a figura deste escrevente para criar a metáfora da inutilidade da arte. Procura, em toda a história da literatura, os escritores que se negaram a escrever, os autores sem obras, aqueles que venceram a tentação da vaidade. Há uma parte muito interessante, dentre outras tão interessantes quanto, que é quando Vila-Matas fala do escritor suicida Chamfort:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Voy a hacer una tercera excepción con suicidas, voy a hacerla con chamfort. En una revista literaria, un artículo de Javier Cercas me ha puesto en la pista de un feroz partidario del No: el señor Chamfort, el mismo que decía que casi todos los hombres son esclavos porque no se atreven a pronunciar la palabra "no".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como hombre de letras, Chamfort tuvo suerte desde el primer momento, conoció el éxito sin el menor esfuerzo. También el éxito en la vida. Le amaron las mujeres, y sus primeras obras, por mediocres que fueran, le abrieron los salones, ganando incluso el fervor real (Luis XVI y Mará Antonieta lloraban a lágrima viva al término de las representaciones de sus obras), entrando muy joven en la Academia Francesa, gozando desde el primer instante de un prestigio social extraordinario. Sin embargo, Chamfort sentía un desprecio infinito por el mundo que le rodeaba y muy pronto se enfrentó, hasta las últimas consecuencias, con las ventajas personales de las que disfrutaba. Era un moralista, pero no lo de los que estamos acostumbrados a soportar en nuestros tiempos, Chamfort no era un hipócrita, no decía que todo el mundo era horroroso para salvarse él mismo, sino que también se despreciaba cuando se miraba al espejo: "El hombre es un animal estúpido, si por mí se juzga."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trecho de "Bartleby y compañía", de Enrique Vila-Matas (Barcelona, 1948).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7464508505592671202?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7464508505592671202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7464508505592671202' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7464508505592671202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7464508505592671202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/05/bartleby.html' title='Bartleby'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/Sg2aGorNy1I/AAAAAAAAAGw/zj8eVicbbZI/s72-c/Bartleby+y+compa%C3%B1ia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-1948211167921302441</id><published>2009-05-10T06:56:00.001-07:00</published><updated>2009-05-10T07:14:07.910-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nós sabemos que muito raramente uma tradução consegue reproduzir a beleza do original (nem vamos discutir aqui sobre estilo).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He paused and gazed at her with his full, hazel eyes, almost hypnotic. "Now I consider," he added, "I can give a woman the darndest good time she can ask for, I think I can guarantee myself."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"And what sort of a good time?" asked Connie, gazing on him stillwith a sort of amazement, tha looked like Thrill; and underneath feeling nothing at all.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Every sort of a good time, damn it, every sort! Dress, jewels up to a point, any nightclub you like, know anybody you want to know, live the pace... travel and be somebody wherever you go... Damn it, every sort of good time."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He spoke it almost in a brilliancy of triumph, and Connie lokked at him as if dazzled, and really feeling nothing at all. Hardly even the surface of her mind was tickled at he glowing prospects he offered her. Hardly even her most outside self responded, tha at any other time would have been thrilled. She just got no feeling from it, she couldn´t go off." She just sat and stared and looked dazzled, and felt nothing, only somewhere she smelt the extraordinarily unpleasant smell of the bitch-goddess.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A solução de Rodrigo Richter:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calou-se, e encarou-a com os seus olhos cor de avelã, hipnotizantes.&lt;br /&gt;- Pois bem: creio que posso dar a uma mulher toda a felicidade a que ela aspira. Serei o fiador de mim mesmo.&lt;br /&gt;- Que felicidade? - perguntou Constance, sempre a olhá-lo com uma espécie de estupor que parecia paixão e não era nada.&lt;br /&gt;- Toda a felicidade, todos os prazeres possíveis. Vestidos, jóias, todos os entretenimentos noturnos imagináveis, todas as relações que queira, todas as coisas da moda, viagens, situação social. Enfim, todas as felicidades, todos os prazeres.&lt;br /&gt;Falava com uma espécie de eloquência triunfante que parecia fasciná-la e, no entanto, Constance nada sentia. Todas aquelas brilhantes promessas nem tocavam a superfície de seu ser. Nada nela reagia àspalavras de Mick. Não experimentava nenhum sentimento. Não podia "partir". Não se movia do lugar. Não experimentava sensação nenhuma - salvo a olfativa: o cheiro da deusa-cadela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lady Chatterley's lover foi escrito por D. H. Lawrence (1885 - 1930) e publicado em 1928.  Dizem que a história é autobiográfica.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;De qualquer maneira, quem se interessar, pode lê-la &lt;a href="http://books.google.com.br/books?id=7omCI6IBPrQC&amp;amp;dq=lady+chatterley%27s+lover&amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;source=bn&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;ei=498GSpjKHp3ItgeY8_2HBw&amp;amp;sa=X&amp;amp;oi=book_result&amp;amp;ct=result&amp;amp;resnum=4"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-1948211167921302441?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/1948211167921302441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=1948211167921302441' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1948211167921302441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1948211167921302441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/05/nos-sabemos-que-muito-raramente-uma.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-5813915821166575017</id><published>2009-05-07T06:26:00.000-07:00</published><updated>2009-05-07T06:30:33.527-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Carlos Fuentes não vem mais para a FLIP. Tomara que o Lobo Antunes não resolva cancelar na última hora também. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=rSoSat2Ioc0"&gt;Aqui&lt;/a&gt;, leitura de Martha Nowill e Christiane Tricerri.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-5813915821166575017?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/5813915821166575017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=5813915821166575017' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5813915821166575017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5813915821166575017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/05/carlos-fuentes-nao-vem-mais-para-flip.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7863268910813693600</id><published>2009-04-30T09:34:00.000-07:00</published><updated>2009-04-30T09:36:59.372-07:00</updated><title type='text'>"Um dos melhores escritores dos últimos tempos"</title><content type='html'>Quem quiser ouvir o restante do comentário do poeta Álvaro Alves de Faria sobre meu livro de contos Abismo poente, é só clicar &lt;a href="http://jovempan.uol.com.br/noticia/whisner+fraga+lanca+abismo+poente+em+sp-159948,,0"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7863268910813693600?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7863268910813693600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7863268910813693600' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7863268910813693600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7863268910813693600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/04/um-dos-melhores-escritores-dos-ultimos.html' title='&quot;Um dos melhores escritores dos últimos tempos&quot;'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-1376476086884318262</id><published>2009-04-29T14:17:00.001-07:00</published><updated>2009-04-29T15:01:38.584-07:00</updated><title type='text'>Sobre o lançamento</title><content type='html'>Ontem na Livraria da Vila. O melhor foi a leitura de trechos do meu livro por Martha Nowill e Christiane Tricerri. Apareceram por lá Evandro Ferreira, Ronaldo Cagiano, Ricardo Lísias, Luiz Guedes, Guy Corrêa e João Carrascoza. Após a leitura, converso com o Guy e nem percebo que alguém nos ouve. Evandro diz para partilhar com o pessoal que estava lá. Eu comentava que escrevo 4 linhas por dia, em média - nos melhores dias 10 ou 12 e que demoro 3, 4 horas neste trabalho. Todo dia, de segunda a segunda. Que não escrevo diálogos em meus textos, porque nunca conseguem reproduzir a fala real. Que sou influenciado pelo António Lobo Antúnes e pelo Guimarães Rosa. Que não encontro utilidade em letras maiúsculas e nem em parágrafos. Que não me preocupo com sucesso ou com vendas. Que foi graças ao Evandro que o Abismo poente foi publicado, porque ele fez parte da comissão julgadora do PAC.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-1376476086884318262?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/1376476086884318262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=1376476086884318262' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1376476086884318262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1376476086884318262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/04/sobre-o-lancamento.html' title='Sobre o lançamento'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6391702735598633011</id><published>2009-04-13T05:30:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T05:31:38.351-07:00</updated><title type='text'>Abismo 3</title><content type='html'>Trechos do livro, primeiro capítulo, detalhes do lançamento, &lt;a href="http://www.ficcoes.com.br/abismo.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6391702735598633011?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6391702735598633011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6391702735598633011' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6391702735598633011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6391702735598633011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/04/abismo-3.html' title='Abismo 3'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7939606233083912931</id><published>2009-04-09T15:48:00.000-07:00</published><updated>2009-04-09T15:54:12.200-07:00</updated><title type='text'>Observatório</title><content type='html'>Recomendo o texto do Deonísio da Silva publicado no Observatório da Imprensa desta semana: Pensando morreu um burro, em que fala sobre Machado de Assis. Apesar dos comentários sobre a crônica terem descambado para a questão das cotas, vale o clique. Ainda sobre o romancista caterinense, a notícia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor e professor Deonísio da Silva, autor das histórias infanto-juvenis reunidas em Os segredos do baú (Editora Peirópolis), que no conjunto já venderam mais de 150.000 exemplares, será um dos entrevistados do programa "A importância da literatura infantil e juvenil", da Rádio MEC AM 800, que irá ao ar dia 10 de abril, sexta-feira, das 11h - 12h, com reapresentação à uma hora da manhã de sábado. Entrevitados e entrevistadores concordaram que a criança começa a demnostrar desde cedo o interesse por rabiscos e ilustrações. Se houver estímulo em casa e na escola, a literatura infantil e juvenil pode ser utilizada para auxiliar o desenvolvimento e a aprendizagem, despertando a criatividade, a imaginação e o prazer pela leitura. A Rádio MEC AM 800 é sintonizada também na Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom lembrar que o Deonísio é um dos convidados da Feira do Livro de Ribeirão Preto, que acontecerá em junho. Outro destaque da feira é a escritora Carola Saavedra, que vai falar também sobre o seu premiado livro "Flores Azuis".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7939606233083912931?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7939606233083912931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7939606233083912931' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7939606233083912931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7939606233083912931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/04/observatorio_1811.html' title='Observatório'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7434870115653622553</id><published>2009-04-04T14:15:00.000-07:00</published><updated>2009-04-04T14:32:10.928-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Lançado aqui no Brasil ano passado, de António Lobo Antunes, "Ontem não te vi em Babilónia", que foi resenhado no Rascunho deste mês. Cá tenho "Eu dei-de amar uma pedra" e "Boa tarde às coisas aqui em baixo". Sobre este último, achei interessante o modo como o autor encontrou o título do romance:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Larbaud conservó enteras su lucidez y su memoria, pero cayó en una confusión total del lenguaje, carente de organización sintáctica, reducida a sustantivos o a infinitivos aislados, reducido a un mutismo inquietante que un día, de pronto, ante la sorpresa de los amigos que habían ido a visitarle, rompió con esta frase:&lt;br /&gt;- Bonsoir les choses d'ici bas.&lt;br /&gt;Buenas tardes a las cosas de aquí abajo? Una frase intraducible.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Enrique Vila-Matas, Bartleby y Compañia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O engraçado é que temos dois irônicos - Enrique Vila-Matas, que traduziu uma frase que acabou de sentenciar intraduzível e depois Lobo Antunes que a traduziu ainda outra vez para a língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou lendo no momento "Conhecimento do Inferno". O &lt;a href="http://rascunho.rpc.com.br/index.php?ras=secao.php&amp;amp;modelo=2&amp;amp;lista=&amp;amp;secao=25&amp;amp;subsecao=0&amp;amp;ordem=1187&amp;amp;submenu=0&amp;amp;semlimite=todos"&gt;Rascunho&lt;/a&gt; traz uma resenha da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui até o quarto e peguei no criado os livros que ando ou andei lendo ultimamente: Los años con Laura Días, do Carlos Fuentes, já me preparando para sua vinda para a Flip, Tolo, morto, bastardo e invisível, do Juan José Millás, Erro e fracasso na escola, alternativas teóricas e práticas, antologia organizada por Juliio Groppa Aquino, Poesia (1956 - 1978), de Pedro Tamen, Árabe coloquial com caracteres ocidentais sem mestre, de Chafic Elia Said, O hóspede perplexo, de Guy Corrêa, Putas assassinas, de Roberto Bolaño e assim por diante. Recomendo todos, porque de todos gostei ou estou gostando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em breve dou mais notícias sobre o lançamento do meu novo livro de contos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7434870115653622553?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7434870115653622553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7434870115653622553' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7434870115653622553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7434870115653622553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/04/lancado-aqui-no-brasil-ano-passado-de.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6414435789978287942</id><published>2009-03-22T12:11:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T12:16:06.132-07:00</updated><title type='text'>ABISMO 2</title><content type='html'>Lançamento do meu sexto livro, "Abismo Poente", dia 28 de abril, a partir das 18:30, na Livraria da Vila, em São Paulo: Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena. Algumas atrizes lerão trechos da obra durante o evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ScaODkrbBFI/AAAAAAAAADY/7ytY5vOmj-4/s1600-h/CAPA_ABISMO_FECHADA.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 269px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ScaODkrbBFI/AAAAAAAAADY/7ytY5vOmj-4/s400/CAPA_ABISMO_FECHADA.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316092602194003026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6414435789978287942?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6414435789978287942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6414435789978287942' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6414435789978287942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6414435789978287942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/03/abismo-2.html' title='ABISMO 2'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ScaODkrbBFI/AAAAAAAAADY/7ytY5vOmj-4/s72-c/CAPA_ABISMO_FECHADA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-5248767190728025488</id><published>2009-03-08T07:02:00.000-07:00</published><updated>2009-03-08T07:03:23.491-07:00</updated><title type='text'>ABISMO</title><content type='html'>A capa do meu sexto livro já está pronta. Quem quiser dar uma conferida, vá até ao site da &lt;a href="http://www.ficcoes.com.br"&gt;Editora Ficções&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-5248767190728025488?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/5248767190728025488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=5248767190728025488' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5248767190728025488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5248767190728025488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/03/abismo.html' title='ABISMO'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-2073305432907757668</id><published>2009-03-06T14:09:00.000-08:00</published><updated>2009-03-06T14:22:54.754-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O ruído discreto mas perfeitamente audível, persistente, sorna, acompanhou-o a noite inteira, como já o acompanhara nas anteriores, como o escoltaria todas as noites em que ele deliberasse fazer serão.&lt;br /&gt;Os ratos devoravam, no forro dos soalhos, dos tectos, das paredes, por entre as prateleiras cevadas de livros e de papéis, a carcaça do velho edifício e o seu venerável recheio. De dia ninguém os escutava. A voz poderosa do funcionalismo que ocupava o casarão antigo abafava todas as demais vozes, todos os rumores. O próprio público que se dirigia aos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;guichets&lt;/span&gt;, à busca de informações, ou tentava introduzir-se nas salas para tratar dos assuntos que na repartição tinham o seu expediente, fazia-o com respeito, com timidez, em fala apagada, submissa, para não dar motivo à fácil irritação dos funcionários, sempre prenhe de desastrosas consequências para os implorantes. Durante as breves horas catalogadas como "horas de trabalho", reinava, de facto, ali, essa entidade soberana - cujas decisões instituem a lei, cujo arbítrio substitui a justiça, cuja inércia é o melhor escudo contra as mutações perigosas da condição social, da sociedade e dos regimes - que constitui a grande, espraiada família do funcionalismo público.&lt;br /&gt;Os ratos, intimidados pela presença dos senhores do edifício, pelo falatório, pelo ranger dos passos sobre o soalho decrépito, não ousavam chamar sobre a sua faina clandestina e corrosiva a atenção de quem lhes não convinha para inimigo. E aproveitavam essas curtas horas de humana actividade para fruir um merecido repouso. Desse modo, a soberania da velha casa se dividia, em boa paz, entre os funcionários e os ratos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Parágrafos iniciais do conto "A história de Venâncio, segundo-oficial", que fala da desastrosa luta entre um funcionalismo ineficiente e uma manada de ratos bastante disciplinada. Foi publicada no livro "Carnaval e outros contos" (1958), do português Joaquim Paço D'Arcos (1908 - 1979). &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-2073305432907757668?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/2073305432907757668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=2073305432907757668' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2073305432907757668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2073305432907757668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/03/o-ruido-discreto-mas-perfeitamente.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-5096270072179936892</id><published>2009-02-27T12:18:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T12:19:21.722-08:00</updated><title type='text'>Dois escritores</title><content type='html'>Roberto Arlt e Joaquim Paço D'Arcos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-5096270072179936892?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/5096270072179936892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=5096270072179936892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5096270072179936892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5096270072179936892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/02/dois-escritores.html' title='Dois escritores'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-1263063427763887025</id><published>2009-02-27T11:52:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T12:18:09.337-08:00</updated><title type='text'>Tradução</title><content type='html'>Estou tentando me acostumar com o novo horário de trabalho. Lendo "Humano, demasiado humano", do Nietzsche, recordei-me que vinha traduzindo "O estrangeiro", do Camus e sempre desistindo. Não porque não seja possível transpor qualquer obra para outra língua, é que nenhuma tradução poderá vencer as inúmeras particularidades de cada idioma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Má compreensão do sonho.&lt;/span&gt; - Nas épocas de cultura tosca e primordial, o homem acreditava conhecer no sonho um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;segundo mundo real&lt;/span&gt;; eis a origem de toda metafísica. Sem o sonho, não teríamos achado motivo para uma divisão do mundo. Também a decomposição em corpo e alma se relaciona à antiquíssima concepção do sonho, e igualmente a suposição de um simulacro corporal da alma, portanto a origem de toda crença nos espíritos e também, provavelmente, da crença nos deuses: "Os mortos continuam vivendo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque &lt;/span&gt;aparecem em sonho aos vivos": assim se raciocinava outrora, durante muitos milênios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradução e a nota a seguir é de Paulo César de Souza:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"a suposição de um simulacro corporal da alma": &lt;span style="font-style: italic;"&gt;die Annahme eines Seelenscheinleibes. &lt;/span&gt;A primeira palavra (do verbo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;annehmen&lt;/span&gt;, "aceitar, supor") é geralmente traduzida por "suposição" ou "hipótese"; mas a segunda, cunhada por Nietzsche, oferece alguma dificuldade, como atestam as diferentes soluções dos tradutores: "a hipótese de um exterior corpóreo para a alma", &lt;span style="font-style: italic;"&gt;la creencia en una envoltura aparente del alma, l'ammissione di una forma corporea dell'anima, la croyance à une enveloppe apparente de l'âme, l'hypothèse d'un simulacre corporel de l'âme, the postulation of a life of the soul, the assumption of a spiritual apparition, the assumption that the soul can appear in bodily form.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Destaco a seguinte palavra: soluções. Sim, a tradução é um grande problema e acredito que sem solução razoável. Mais&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;alguns comentários: Machado de Assis foi um tradutor medíocre. Monteiro Lobato também. O primeiro porque só conhecia bem o francês, o que o levava a traduzir para o português autores de língua inglesa a partir da versão francesa. O segundo porque não sabia mesmo traduzir. Para transpor uma obra para outro idioma, é preciso conhecer várias outras línguas, como fica implíticio no comentário do Paulo César. Há algum tempo fiz uma observação que melindrou um crítico, mas continuo pensando da mesma maneira (se não mais radicalmente): para se resenhar qualquer livro, é preciso conhecer também a versão original. Para se fazer um elogio superficial da obra de um compadre para algum desses suplementos de sábado, não é necessário nem que se domine o português - para revisar textos, os jornais dispõem de bons estagiários.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-1263063427763887025?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/1263063427763887025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=1263063427763887025' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1263063427763887025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1263063427763887025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/02/traducao.html' title='Tradução'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7176819127096118860</id><published>2009-02-06T12:53:00.000-08:00</published><updated>2009-02-06T13:13:43.609-08:00</updated><title type='text'>Philip Roth</title><content type='html'>I lauched into my speech. "Hello-Brenda-Brenda-you-don't-know-me-that-is-you-don't-know-my-name-but-I-held-your-glasses-for-you-this-afternoon-at-the-club... You-asked-me-to-I'm-not-a-member-my-cousin-Doris-is-Doris-Klugman-I-asked-who-you-are..." I breathed, gave her a chance to speak, and then went ahead and answered the silence on the other end. "Doris? She's the one who's always reading &lt;span style="font-style: italic;"&gt;War and Peace&lt;/span&gt;. That's how I know it's the summer, when Doris is reading &lt;span style="font-style: italic;"&gt;War and Peace&lt;/span&gt;." Brenda didn't laugh; right from the start she was a practical girl.&lt;br /&gt;"What's your name?" she said.&lt;br /&gt;"Neil Klugman. I held your glasses at the board, remember?"&lt;br /&gt;She answered me with a question of her own, one, I'm sure, that is embarassment to both the homely and the fair. "What do you look like?"&lt;br /&gt;"I'm... dark."&lt;br /&gt;"Are you a Negro?"&lt;br /&gt;"No," I said.&lt;br /&gt;"What &lt;span style="font-style: italic;"&gt;do &lt;/span&gt;you look like?"&lt;br /&gt;"May I come see you tonight and show you?"&lt;br /&gt;"That's nice," she laughed. "I'm playing tennis tonight."&lt;br /&gt;"I thought you were driving golf balls."&lt;br /&gt;"I drove them already."&lt;br /&gt;"How about after tennis?"&lt;br /&gt;"I'll be sweaty after," Brenda said.&lt;br /&gt;It was not to warn me to clothespin my nose and run in the opposite direction; it was a fact, it apparently didn't bother Brenda, but she wanted it recorded.&lt;br /&gt;"I don't mind," I said, and hoped by my tone to earn a niche somewhere between the squeamish and the grubby. "Can I pick you up?"&lt;br /&gt;She did not answer a minute; I heard her muttering, "Doris Klugman, Doris Klugman..." Then she said, "Yes, Briarpath Hills, eight-fifteen."&lt;br /&gt;"I'll be driving a -" I hung back with the ear, "a tan Plymouth. So you'll know me. How wil I know you?" I said with a sly, awful laugh.&lt;br /&gt;"I'll be sweating," she said and hung up.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trecho do conto "Goodbye Columbus", de Philip Roth, em que os jovens Neil Klugman e Brenda Patimkn iniciam um inquietante relacionamento guiado pela curiosidade sexual e pelas perdas.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7176819127096118860?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7176819127096118860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7176819127096118860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7176819127096118860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7176819127096118860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/02/philip-roth.html' title='Philip Roth'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6265796560991072231</id><published>2009-02-01T09:37:00.000-08:00</published><updated>2009-02-01T10:17:39.394-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Livros de memórias são obras muito importantes para nós, escritores. É o caso de "A loja do Osório", de Petronio Rodrigues Chaves (&lt;a href="http://www.thesaurus.com.br/livro/498/a-loja-do-osorio"&gt;Thesaurus&lt;/a&gt;, Brasília, 1984). Não por elencar fatos históricos de pouca relevância ou por enfeixar uma enfadonha árvore genealógica de coronéis e outras personagens que a história fez ou fará o favor de esquecer, tampouco por apresentar um estilo algumas vezes sofrível e outras inspirado. O que vale nesta obra é a lembrança das pequenas figuras, que por seu estilo controverso e peculiar, têm boas chances de se tornar personagens literárias. Destaco a crônica de César França, publicada no jornal de Ituiutaba (MG) lá pelo ano de 1956, que transcrevo a seguir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sepultura 6.328&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma chuva fria e mansa vinha lavar a fina areia da sepultura de n. 6.328. Poucas horas antes  havia sido conduzido para ali um corpo que, triturado pelo sofrimento de uma enfermidade de três meses de cama, não pesava mais que trinta quilos.&lt;br /&gt;E de quem era este corpo? Da figura mais popular da cidade, do homem mais despreocupado que já passou pela terra, tão despreocupado que deixou para morrer na quarta-feira de cinzas, para não preocupar os seus amigos que brincavam na terça-feira gorda do Carnaval.&lt;br /&gt;Do filósofo que interpretava o viver da forma seguinte: "Da vida nada se leva, trabalhar para quê?"&lt;br /&gt;Que preferiu morrer solteirão porque achava que devia amar a todas as mulheres, e sempre dizia: "deve-se amar a uma, mas nunca desprezando as outras".&lt;br /&gt;Enfim, pertenceu este corpo ao maior boêmio de todos os tempos. Ao que de mais típico pode uma cidade criar no seu reduto de boemia. A esta altura, acredito eu que todos os leitores já devem saber que falo de "José Abadio".&lt;br /&gt;Quando passou por nossa cidade a estrela mais querida do rádio brasileiro, e que, no ato de sua apresentação, gritou do palco:&lt;br /&gt;- "Quero dançar com o moço mais popular da cidade!" - um grito uníssono reboou pelos quatro cantos do salão:&lt;br /&gt;Zé Abadio! Zé Abadio! e lá se foi ele no seu passo de malandro, corpo todo gingando, mais parecendo um bodoque, a dançar e a beijar Emilinha Borba, no palco.&lt;br /&gt;Era, pois, assim o nosso José Abadio, visto deste lado, mas na outra face, no reverso desta alma estava um outro "José Abadio", um José Abadio caridoso, espírito cívico, cheio de iniciativas, amante de boas leituras e que gostava de estar sempre onde lobrigava uma boa palestra.&lt;br /&gt;No tocante à caridade, esta tinha mroada efetiva no seu coração. Onde quer que houvesse um doente, rico ou pobre, ali estava ele, pronto para passar quantas noites fosse preciso. Se o doente viesse a falecer, ele o velava a noite toda, (não sei se dormia ou não). O certo é que se o enterro estivesse marcado para as oito ou nove horas, ele era o primeiro a chegar.&lt;br /&gt;Jamais perdeu um enterro e só o perderia se o ignorasse.&lt;br /&gt;Cheio de iniciativas, em 1938 idealizou a fundação do clube dos homens de cor de Ituiutaba, e graças à sua popularidade, viu concretizado seu sonho. Sendo seu primeiro presidente, deu-lhe o nome de Palmeira Clube, hoje com sua sede própria em pleno funcionamento bem  no coração da cidade.&lt;br /&gt;Espírito atilado, vivo e mordaz para uma crítica, em qualquer assunto e a qualquer momento tinha ele uma gíria toda sua, personalíssima.&lt;br /&gt;Enfim, um livro teríamos que escrever se tudo fôssemos falar da vida desse boêmio, que por 47 anos, viveu entre nós. Limito-me, portanto, a parar por aqui. Antes que termine, porém, chamo José Abadio, de onde quer que esteja, na sua morada eterna para lhe dizer o seguinte:&lt;br /&gt;- Quando cerrávamos a tampa do seu caixão (você deve ter visto) uma mulher em soluços, banhada em pranto, com o coração varado pelo gume da dor e da saudade, em ais lancinantes, dizia:&lt;br /&gt;- "Leva, leva Nossa Senhora, leva meu filho para junto de si; tenha-o em sua companhia por amor do seu filho Jesus". E como mãe que foi  Nossa Senhora, acredito eu, José Abadio, que ela atendeu aos rogos e às súplicas da sua mãe,  levando o seu espírito para gozar do sossego do Paraíso Celeste.&lt;br /&gt;Seu corpo seco, este devolvemo-lo à terra, que a ela pertencia.&lt;br /&gt;Uma coisa, entretanto, ficou conosco, e esta jamais alguém a levará, é exclusivamente nossa, por todos os tempos, esta você nos legou com o seu bondoso coração: a saudade de você!&lt;br /&gt;Saudade da sua gíria, saudade das suas pilhérias, saudade das suas malandragens, saudade, enfim, da sua CARIDADE."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SYXlMBBqL-I/AAAAAAAAADA/4WQFG-p68pE/s1600-h/osorio.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 264px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SYXlMBBqL-I/AAAAAAAAADA/4WQFG-p68pE/s400/osorio.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297892531267842018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6265796560991072231?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6265796560991072231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6265796560991072231' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6265796560991072231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6265796560991072231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/02/livros-de-memorias-sao-obras-muito.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SYXlMBBqL-I/AAAAAAAAADA/4WQFG-p68pE/s72-c/osorio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6300896777228899954</id><published>2009-01-28T09:35:00.000-08:00</published><updated>2009-01-28T09:44:12.378-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Pensei nos versos de Eugenio Montale, traduzidos para o português por Geraldo Holanda Cavalcanti assim: "O mundo existe... Um espanto pára/ o coração que sucumbe aos espíritos errantes,/ mensageiros da noite: e não pode acreditar/ que homens famintos possam ter sua festa." Seguindo as novas regras, fica: "Um espanto para o coração..." O leitor provavelmente ficará sem saber o que é este "para", a não ser que esteja de posse do original e que domine o italiano. A solução será traduzir de outro jeito. O original:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Il mondo esiste... Uno stupore arresta&lt;br /&gt;il cuore che ai vaganti incubi cede,&lt;br /&gt;messaggeri del vespero: e non crede&lt;br /&gt;che gli uomini affamati hanno una festa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6300896777228899954?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6300896777228899954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6300896777228899954' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6300896777228899954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6300896777228899954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/01/pensei-nos-versos-de-eugenio-montale.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-124713915256374369</id><published>2009-01-27T09:43:00.000-08:00</published><updated>2009-01-27T09:52:53.813-08:00</updated><title type='text'>Pipoca</title><content type='html'>Dizem que depois de Lady Vingança, o último filme da trilogia da vingança, o coreano Park Chan-wook perdeu a mão. Não sei. Dele, só conheço mesmo a tal trilogia. Dizem também que esse boom do cinema coreano é uma estratégia de marketing (o fato de Quarantino divulgar e babar pelos asiáticos ajuda a fortalecer o boato). Minha opinião é que o marketing serve também para vender não só arte, mas muita coisa que presta. De qualquer maneira, eu recomendo o filme "Oldboy", de 2003, pela atuação do Min-sik Choi e pelo roteiro surpreendente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SX9JiCnrTbI/AAAAAAAAAC4/X3c3FMPTcqQ/s1600-h/oldboy_poster-pt-795958.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 285px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SX9JiCnrTbI/AAAAAAAAAC4/X3c3FMPTcqQ/s400/oldboy_poster-pt-795958.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296032535978659250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-124713915256374369?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/124713915256374369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=124713915256374369' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/124713915256374369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/124713915256374369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/01/pipoca.html' title='Pipoca'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SX9JiCnrTbI/AAAAAAAAAC4/X3c3FMPTcqQ/s72-c/oldboy_poster-pt-795958.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-8761984806674619624</id><published>2009-01-26T12:28:00.000-08:00</published><updated>2009-01-26T12:47:23.423-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ensaio sobre a lucidez&lt;/span&gt;, de José Saramago, é uma espécie de continuação de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ensaio sobre a cegueira&lt;/span&gt;. A história se passa quatro anos após a cegueira branca ocorrida em Portugal. Acho notável como Saramago doa diálogos improváveis a determinadas personagens - mesmo uma secretária é capaz das mais complexas meditações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Diga por favor aos jornais e à gente da televisão e da rádio que não deitem mais gasolina na fogueira, se a sensatez e a inteligência nos faltam, arriscamo-nos a que tudo isto vá pelos ares, deve ter lido que o director do jornal do governo cometeu hoje a estupidez de admitir a possibilidade de que isto venha a terminar num banho de sangue, O jornal não é do governo, Se este comentário me é permitido, senhor ministro, teria preferido outro comentário seu, O homenzinho excedeu-se, passou as marcas, acontece sempre que se quer apresentar mais serviço que aquele que foi encomendado, Senhor ministro, Diga, Que faço finalmente com os empregados do serviço municipal de limpeza, Deixe-os trabalhar, dessa maneira a câmara municipal ficará bem vista aos olhos da população e isso poderá ser-nos útil no futuro, além do mais, há que reconhecer que a greve era só um dos elementos da estratégia, e de certeza não o de maior importância, Não seria bom para a cidade, nem agora nem no futuro, que a câmara municipal fosse utilizada como uma arma de guerra contra os seus munícipes, A câmara não pode ficar à margem de uma situação como esta, a câmara está neste país e não noutro, Não estou a pedir que nos deixem à margem da situação, o que peço é que o governo não ponha obstáculos ao exercício das minhas competências próprias, que em nenhum momento queira dar ao público a impressão de que a câmara municipal não passa de mais um instrumento da sua política repressiva, com perdão da palavra, em primeiro lugar porque não é verdade, e em segundo lugar porque não o será nunca, Temo não o compreender, ou compreendê-lo demasiado bem, Senhor ministro, um dia, não sei quando, a cidade voltará a ser a capital do país, É possível, não é certo, depende de até onde queiram chegar com a rebelião, Seja como for, é preciso que esta câmara municipal, comigo aqui ou com qualquer outro presidente, jamais possa ser olhada como cúmplice ou co-autora, mesmo que apenas indirectamente, de uma repressão sangrenta, o governo que a ordene não terá outro remédio que aguentar-se com as consequências, mas a câmara, essa, é da cidade, não a cidade da câmara, espero ter sido suficientemente claro, senhor ministro, Tão claro que lhe vou fazer uma pergunta, Ao seu dispor, senhor ministro, Votou em branco, Repita, por favor, não ouvi bem, Perguntei-lhe se votou em branco, perguntei-lhe se era branco o voto que pôs na urna, Nunca se sabe, senhor ministro, nunca se sabe, Quando tudo isto terminar, espero vir a ter consigo uma longa conversa, Às suas ordens, senhor ministro, Boas tardes, Boas tardes, A minha vontade seria ir aí e dar-lhe um puxão de orelhas, Já não estou na idade, senhor ministro, Se alguma vez vier a ser ministro do interior, saberá que para puxões de orelhas e outras correcções nunca houve limite de idade, Que não o ouça o diabo, senhor ministro, O diabo não tem tão bom ouvido que não precisa que lhe digam as coisas em voz alta, Valha-nos então deus, Não vale a pena, esse é surdo de nascença.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho de "Ensaio sobre a lucidez", de José Saramago.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-8761984806674619624?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/8761984806674619624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=8761984806674619624' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8761984806674619624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8761984806674619624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/01/ensaio-sobre-lucidez-de-jos-saramago.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7110379942497398531</id><published>2009-01-21T04:34:00.000-08:00</published><updated>2009-01-21T04:50:06.509-08:00</updated><title type='text'>Exuberante deserto</title><content type='html'>Títulos enganam a gente. Às vezes um bom título embrulha um péssimo livro ou um título horrível destrói uma obra-prima. O filme sobre o qual falarei agora é vítima deste último caso: "Exuberante deserto". Nem dá vontade de assistir, né? O filme conta a história de Dvir, que mora com a mãe e o irmão em um kibutz, aquela comunidade utópica, em que teoricamente todos devem trabalhar para o bem comum. Só que o filme revela o que na realidade é um agrupamento como esse - um lugar propício a desvios sexuais e abusos de toda espécie. Miri, a mãe de Dvir, espera a visita de seu namorado suíço, que vai chacoalhar um pouquinho o kibutz. O filme é de 2006, bancado por Israel, Japão e Alemanha e dirigido por Dror Shaul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SXcZV39TExI/AAAAAAAAACw/Bqjs3LgVDuU/s1600-h/exuberante-deserto-poster02.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 236px; height: 340px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SXcZV39TExI/AAAAAAAAACw/Bqjs3LgVDuU/s400/exuberante-deserto-poster02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293727750586307346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7110379942497398531?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7110379942497398531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7110379942497398531' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7110379942497398531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7110379942497398531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/01/exuberante-deserto.html' title='Exuberante deserto'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SXcZV39TExI/AAAAAAAAACw/Bqjs3LgVDuU/s72-c/exuberante-deserto-poster02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6394324301864942581</id><published>2009-01-19T08:15:00.001-08:00</published><updated>2009-01-19T08:17:10.432-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Li sobre o Dave Eggers faz pouco tempo e resolvi ver se o cara era tão bom quanto o resenhista vendia que fosse. O americano escreve muito bem sim, mas eu esperava mais. Um pouco do meu desapontamento eu credito à tradução. O título do livro: em inglês “How we are hungry”. Em português, ficou: “A fome de todos nós”. Aliás, gostei mais do título em nossa língua do que do original. Mas acho que toda a inspiração do tradutor acabou aí. Eggers dá uma importância tremenda aos títulos, é como se eles fizessem parte da história ou mais ainda, é como se fossem a chave para decifrar o mistério das narrativas. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The only meaning of the oil-wet water&lt;/span&gt; ficou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O único significado da água suja de óleo&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Up the mountain coming down slowly&lt;/span&gt; acabou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Descendo vagarosamente a montanha&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Notes for a story about a man who would not die alone&lt;/span&gt; se tornou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Notas à história de um homem que não morrerá sozinho&lt;/span&gt;. Aí me deu vontade de ler o Dave em inglês, mas ainda não consegui encontrar um livro dele por aqui e com o dólar nesses patamares, vou esperar mais um pouco para importar alguma obra do sujeito. Então que eu não fiquei satisfeito não, saí da leitura (há alguns dias, admito) com aquela velha sensação de ter perdido algo. Alguns trechos me pareceram bem forçados, quando o autor dá voz a animais e objetos, sem que no final isso tenha qualquer relação com a história. Pareceu-me que o Eggers queria mesmo só transgredir. É um bom escritor, se me permitem. Talvez eu até recomende essa obra dele algum dia a um amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou transcrever a orelha desta minha edição (Rocco, 2007):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A fome de todos nós&lt;/span&gt; é uma coletânea que mescla histórias inéditas com outras anteriormente publicadas em algumas das mais aclamadas revistas literárias americanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misturando narrativas lineares com tramas narradas por diversas vozes distintas, Dave Eggers consegue relatar, com maestria, desde a saga de um cão que corre para alcançar o paraíso em “Após ser jogado no rio e antes de me afogar” até uma meditação amargamente cômica sobre a amizade e o suicídio em “Subindo pela janela, fingindo dançar”. Os contos reunidos em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A fome de todos nós&lt;/span&gt; assombram o leitor com prazeres inesperados e divagações sobre assuntos incomuns que, em seu cerne, revelam muito sobre nós mesmos e o mundo que nos cerca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através de toques delicados e explosões de humor rasgado, o combustível desta coletânea são os tempos atribulados no qual foi escrita. A urgência e o experimentalismo que marcam a carreira de Dave Eggers desde seu primeiro livro estão, aqui, mais desenvolvidos que nunca, elevados a um novo nível de precisão e beleza, injetando vida nova a formas literárias tradicionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que um retrato cômico e ferino deste início de milênio, A fome de todos nós é o registro da maturidade de um dos maiores autores americanos de nossos dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6394324301864942581?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6394324301864942581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6394324301864942581' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6394324301864942581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6394324301864942581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/01/li-sobre-o-dave-eggers-faz-pouco-tempo.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-2581487734712922729</id><published>2009-01-09T06:17:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T06:18:23.026-08:00</updated><title type='text'>Ainda cinema</title><content type='html'>Sobre os Coen, para encerrar, eu concordo com o &lt;a href="http://blog.estadao.com.br/blog/merten/?title=na_roda_da_fortuna&amp;amp;more=1&amp;amp;c=1&amp;amp;tb=1&amp;amp;pb=1"&gt;Luiz Carlos Merten&lt;/a&gt;. Amanhã postaria algo sobre um bom escritor - Dave Eggers.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-2581487734712922729?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/2581487734712922729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=2581487734712922729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2581487734712922729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2581487734712922729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2009/01/ainda-cinema.html' title='Ainda cinema'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-2492750012118277092</id><published>2008-12-30T15:45:00.000-08:00</published><updated>2008-12-30T15:52:03.630-08:00</updated><title type='text'>Um pouco mais</title><content type='html'>Irmãos por irmãos, fico com os Paolo e Vittorio Taviani, que dirigiram o filme "Bom dia, Babilônia", lançado em 1987.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SVqziLOcFqI/AAAAAAAAACo/6NI3OHudSWU/s1600-h/babylon.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 270px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SVqziLOcFqI/AAAAAAAAACo/6NI3OHudSWU/s400/babylon.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285734512382973602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-2492750012118277092?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/2492750012118277092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=2492750012118277092' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2492750012118277092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2492750012118277092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/12/um-pouco-mais.html' title='Um pouco mais'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SVqziLOcFqI/AAAAAAAAACo/6NI3OHudSWU/s72-c/babylon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-2842758089724692884</id><published>2008-12-22T14:41:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T15:57:07.785-08:00</updated><title type='text'>Um pouco de cinema</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SVAZRDTH4nI/AAAAAAAAACg/2ZIsUlNH86A/s1600-h/mepris.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SVAZRDTH4nI/AAAAAAAAACg/2ZIsUlNH86A/s400/mepris.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282750143639577202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Muito se tem falado sobre os tais irmãos Coen, como se fossem dois gênios. Eu vi "Burn after reading", que acho que ficou como "Queime depois de ler" mesmo. Assisti a "Onde os fracos não têm vez" (No country for old men), "Paris, te amo" (Paris, Je t'aime), "O homem que não estava lá" (The man who wasn't there), "O grande Lebowski" (The big Lebowski), "Barton Fink" e se brincar algum outro. Venho vendo filmes desses caras porque sempre alguém me diz que eles são demais, que reinventaram o cinema e outras bobagens do tipo. Mas ainda não consegui me encantar com o trabalho dos dois.&lt;br /&gt;Agora, já "O desprezo" (Le mépris), de Jean-Luc Godard, é magnífico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-2842758089724692884?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/2842758089724692884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=2842758089724692884' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2842758089724692884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2842758089724692884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/12/um-pouco-de-cinema.html' title='Um pouco de cinema'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SVAZRDTH4nI/AAAAAAAAACg/2ZIsUlNH86A/s72-c/mepris.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-3232735087967934348</id><published>2008-12-19T03:10:00.000-08:00</published><updated>2008-12-19T03:11:12.915-08:00</updated><title type='text'>Blog</title><content type='html'>Sugiro que dêem uma lida no blog do Ronaldo Bressane: &lt;a href="http://impostor.wordpress.com/"&gt;Impostor&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-3232735087967934348?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/3232735087967934348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=3232735087967934348' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3232735087967934348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3232735087967934348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/12/blog.html' title='Blog'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7211114431300310551</id><published>2008-12-16T11:46:00.000-08:00</published><updated>2008-12-16T12:07:43.029-08:00</updated><title type='text'>Prêmios e livros</title><content type='html'>Já disse aqui que o Cristovão Tezza escreveu o livro mais premiado do ano: levou também o Prêmio São Paulo de Literatura há algumas semanas. Mas a obra da Tatiana Salem Levy, que ganhou na categoria estreante, me chamou mais a atenção. Devo confessar que ainda estou nas primeiras páginas deste romance, mas já ganhou a minha confiança. Pena que esteja brigando com outro livro bem mais atraente para mim no momento: As cruzadas, de Zoé Oldenbourg, traduzido do francês por Vânia Pedrosa. Minha edição é antiga: Civilização Brasileira, 1968. Comprei ontem em um sebo e até onde sei não foi relançado não. Mas como normalmente eu digito aqui trechos de obras de ficção, vou inserir um trecho do livro da Levy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;[Você não imagina o alívio que acabo de sentir. Há quanto tempo está esparramada nessa cama, inamovível? Há quanto tempo lhe peço para se levantar?] Não sei, desconheço a resposta. Pode ser uma semana, um mês, um ano, ou mesmo uma vida. Sinto-me às vezes um bloco de cimento, às vezes uma nuvem diluída, não percebo sequer a minha forma, os meus contornos. Quero sair do lugar, mas ainda duvido se é essa a melhor escolha. [Não desanime. No início de uma partida, não existem escolhas melhores ou piores, apenas escolhas. É cedo para um julgamento.] Mas e se errar? Se me afundar ainda mais nesse poço de imprecisão e incerteza? Que garantia tenho de que não tropeçarei em mim mesma? [Não posso lhe garantir nada. Só posso prometer uma coisa: arrisque-se e estarei sempre pronta a lhe estender a mão.]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou transcrever a orelha do livro, escrita por Cíntia Moscovich:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neta de judeus turcos, nascida em Lisboa, emigrada para o Brasil aos 9 meses de idade, a estreante Tatiana Salem Levy chega, neste &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A chave de casa&lt;/span&gt;, ao ponto que muitos almejam e bem poucos alcançam: condensar o jorro da memória e transformá-lo em literatura.&lt;br /&gt;Concretizando o que denomina de "autoficção", a autora tece um romance de vozes diversas - como são as vozes da memória -, histórias que se complementam num tom de densa estranheza. Tudo se inicia quando a personagem-narradora recebe do avô a chave da casa da família deixada para trás, no tempo e na distância, em Esmirna. Rumo à Turquia, toca a ela procurar a herança passada, tarefa a que se entrega não sem medo e expectativa de modificar seu próprio presente.&lt;br /&gt;Passando por temas como a morte da mãe e a relação com um homem violento - dores exploradas nos extremos do lirismo e da crueldade -, Tatiana demonstra grande pendor para o gênero a que se dedica. Escritora refinada, capaz de frases torneadas com precisão e de cortes e elipses nunca menos que exatos, o romance seduz pelo apelo sensorial, pela extrema competência narrativa e, em especial, por um alto sentido de humanidade.&lt;br /&gt;Sobre os estilhaços da memória individual, Tatiana soube assentar as bases de uma literatura singular e vigorosa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7211114431300310551?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7211114431300310551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7211114431300310551' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7211114431300310551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7211114431300310551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/12/prmios-e-livros.html' title='Prêmios e livros'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6359833483832217303</id><published>2008-12-08T04:10:00.000-08:00</published><updated>2008-12-08T04:35:35.894-08:00</updated><title type='text'>Juan José Millás</title><content type='html'>Vocês conhecem Juan José Millás? Ele á apresentado assim na orelha de um de seus livros: "Referência do jornalismo literário, Juan José Millás (Valência, 1946) é um dos romancistas espanhóis mais importantes e aclamados pelo público e pela crítica tanto na Espanha quanto nos outros quinze paíese onde sua obra está traduzida."&lt;br /&gt;Sugiro dele: Cerbero son las sombras e La soledad era esto. Ambos são difíceis de achar aqui no Brasil. Não sei se foram traduzidos.&lt;br /&gt;Então talvez fosse mais fácil se procurassem o "Laura e Julio", um livro bem interessante. O resumo da trama eu transcrevo da orelha da obra:&lt;br /&gt;"Laura e Julio é um romance sobre a ausência. O jovem casal que dá título ao livro tem uma vida vazia, sem trocas, seja de palavras ou de afeto. Laura e Julio praticamente só conversam quando Manuel os visita. Novo morador do prédio, Manuel é um escritor que jamais escreveu um livro e que prefere vivenciar a história de Laura e Julio a colocá-la no papel. Para ele, os dois mais parecem personagens de ficção; não da vida real. Mas Manuel sofre um acidente que condena ao isolamento não apenas ele mesmo, mas também a dupla. E o inevitável finalmente acontece: laura pede a separação. Sem rumo, Julio refugia-se na casa desocupada do vizinho. O apartamento serve como uma espécie de vitrine por meio da qual passa a espionar a vida da ex-mulher, assim como Manuel deveria fazer quando morava ali. Pouco a pouco, Julio vai se apropriando dos objetos do vizinho e até de sua persona. Durante essa transformação, descobre que não é o único a viver uma mentira."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um trecho aí do romance:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Julio apagou a luz e sentou-se na cama, junto à cabeceira da menina, com quem trocou, já na penumbra, um olhar que o perturbou.&lt;br /&gt;- Se quiser que eu durma, vai teer que me contar uma história - disse a menina.&lt;br /&gt;- Eu não sei contar histórias - disse Julio.&lt;br /&gt;- Então não vou dormir.&lt;br /&gt;O adulto e a pequena permaneceram em silêncio alguns instantes, cada um à espera de que o outro resolvesse a situação. Finalmente, a menina cedeu.&lt;br /&gt;- Você diz era uma vez e vai ver como sai sozinho.&lt;br /&gt;- Era uma vez - disse Julio, e calou-se.&lt;br /&gt;- Era uma vez um país - acrescentou a menina.&lt;br /&gt;- Era uma vez um país...&lt;br /&gt;Nesse instante, uma sombra causada por alguma atividade que vinha da rua atravessou a parede.&lt;br /&gt;- Era um país - repetiu Julio - onde havia menos sombras que pessoas.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Porque a metade das pessoas nascia sem sombra.&lt;br /&gt;- E como eram as pessoas sem sombra?&lt;br /&gt;- Atordoadas.&lt;br /&gt;- O que quer dizer atordoadas?&lt;br /&gt;- Que pensavam pouco nas coisas.&lt;br /&gt;- Que coisas?&lt;br /&gt;- Todas as coisas. Prendiam os dedos nas portas; caíam pelas escadas; cortavam-se com as tesouras; queimavam-se com a sopa; engasgavam com a comida; deixavam as torneiras abertas e os cadarços dos sapatos desamarrados...&lt;br /&gt;- Faziam xixi na cama?&lt;br /&gt;- Também.&lt;br /&gt;- Sabiam ler?&lt;br /&gt;- Mal.&lt;br /&gt;- E o que aconteceu?&lt;br /&gt;- O governo desse país decidiu dividir as sombras existentes ao meio e distribuí-las entre os cidadãos para que todos tivessem pelo menos meia sombra."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6359833483832217303?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6359833483832217303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6359833483832217303' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6359833483832217303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6359833483832217303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/12/juan-jos-mills.html' title='Juan José Millás'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-5171755783017190822</id><published>2008-11-25T03:30:00.000-08:00</published><updated>2008-11-25T03:34:21.916-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O filho eterno, de Cristovão Tezza, é a obra mais premiada este ano no Brasil. É um bom livro sim, mas não essa genialidade que andam divulgando por aí. Em breve vou postar alguns trechos do romance, cujo enredo é autobiográfico e versa sobre um pai que tem um filho com Síndrome de Down. Por enquanto recomendo a &lt;a href="http://www.cristovaotezza.com.br/entrevistas/p_jornaldeletras_portgal_02dez08.pdf"&gt;entrevista&lt;/a&gt; que o Tezza concedeu para o Jornal de Letras, de Portugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-5171755783017190822?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/5171755783017190822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=5171755783017190822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5171755783017190822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5171755783017190822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/11/o-filho-eterno-de-cristovo-tezza-obra.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7593966424084325368</id><published>2008-11-22T03:20:00.000-08:00</published><updated>2008-11-22T03:23:11.533-08:00</updated><title type='text'>Duas resenhas</title><content type='html'>Gostaria que lessem os seguintes textos: o primeiro, de &lt;a href="http://www.brazilianpress.com/20081119/colunas/aureaalves.htm"&gt;Áurea Alves&lt;/a&gt;, sobre o livro de poesias de Zeh Gustavo e outro &lt;a href="http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=173"&gt;meu&lt;/a&gt;, tratando da mesma obra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7593966424084325368?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7593966424084325368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7593966424084325368' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7593966424084325368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7593966424084325368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/11/duas-resenhas.html' title='Duas resenhas'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-4886759419291259427</id><published>2008-11-18T04:19:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T04:34:28.642-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Este calor, este calor, eu repetia sentado debaixo de uma sombra, nos arredores do terreiro de galos de rinha, enquanto passeavam em volta galinhas d'angola, preciosidades do dono do terreiro. Este calor, este calor, eu repetia ali, sentado, conforme vi em estampas da minha infância, com um pedaço de pau na mão, escarafunchando na terra, tendo ao lado um formigueiro medonhamente grande, o sol quem sabe em seu zênite, o caboclinho da estampa da minha infância talvez fosse mais feliz, havia aquele sorriso das estampas da infância, sorri também, resolvi entrar também nessa do sorriso, um sorriso esgazeado, um sorriso para tudo e para nada, e vi uma cobra serpenteando o formigueiro, me perfilei automático, mesmo sem me levantar me perfilei, e o sorriso ali, intacto, para tudo e para nada, para a cobra inclusive, pensei, este sorriso vai para a cobra também, para a cobra este sorriso vai, vai sim, vai para essa imensa cobra que pretende se aconchegar aos meus pés - súbito bati com aquele pedaço de pau na cobra, duas, três vezes, quatro, paulada e mais paulada, e a cobra se partiu em dois, três, quatro pedaços, e o sangue em torno era escuro, quase preto, e a terra ao redor de mim, a terra como eu nunca imaginara antes tremeu, tremeu sim, tremeu no duro, de verdade, um tremor de terra, e deu para perceber que alguma coisa no alto ia despencar em cima da minha cabeça, e depois disso não me perguntem mais nada, porque de nada adiantaria mentir que vi, que remexi, que aconteci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;João Gilberto Noll (1946 - ), em Harmada. O romance é tão bom quanto "A fúria do corpo". Não há uma história propriamente dita, mas vou transcrever o que está escrito na orelha: "Um ex-ator, escondido num asilo para mendigos, consola-se com o projeto de uma peça de teatro. Ele quer retornar a Harmada, a capital de seu país, mas se vê retido em uma paralisia na qual só a arte o ampara."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-4886759419291259427?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/4886759419291259427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=4886759419291259427' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/4886759419291259427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/4886759419291259427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/11/este-calor-este-calor-eu-repetia.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-3938289996219044569</id><published>2008-11-12T05:33:00.000-08:00</published><updated>2008-11-12T05:37:08.472-08:00</updated><title type='text'>Agendas 2009</title><content type='html'>Desde 2005 que esse pessoal publica minhas poesias nesta agenda, que já é bem conhecida de todo mundo. Quem estiver interessado em comprar, me mande uma mensagem que eu passo o contato de quem está vendendo. Além de mim, outros poetas da nova geração e clássicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SRrb4wRUx3I/AAAAAAAAAB8/zd7sOuqVjTg/s1600-h/agendas.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 367px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SRrb4wRUx3I/AAAAAAAAAB8/zd7sOuqVjTg/s400/agendas.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5267764482239940466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-3938289996219044569?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/3938289996219044569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=3938289996219044569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3938289996219044569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3938289996219044569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/11/agendas-2009.html' title='Agendas 2009'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SRrb4wRUx3I/AAAAAAAAAB8/zd7sOuqVjTg/s72-c/agendas.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6153224074594371885</id><published>2008-11-10T12:32:00.000-08:00</published><updated>2008-11-10T12:46:52.482-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;Minha pátria é onde os goiamuns&lt;br /&gt;pressentindo o cair da noite&lt;br /&gt;buscam as locas entre os mangues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu país palustre&lt;br /&gt;o peso das chuvas encurva os cajueiros&lt;br /&gt;e o sol calcina lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma espinha de carapeba&lt;br /&gt;arranha a louça do dia&lt;br /&gt;que a língua do mar lambe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre casas de marimbondos&lt;br /&gt;e caranguejeiras imóveis&lt;br /&gt;a tarde me iluminava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu soletrava a ferrugem&lt;br /&gt;de navios sem nome que a lama&lt;br /&gt;das lagoas mastigava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu percorria as galáxias.&lt;br /&gt;Fagulhas de estrelas caíam&lt;br /&gt;nos coqueirais do tifo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No chão das ilhas pegajosas&lt;br /&gt;um planetário búzio avariado&lt;br /&gt;guardava o aroma do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha pátria é a água negra&lt;br /&gt;- a doce água cheia de miasmas -&lt;br /&gt;dos estaleiros apodrecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Na cozinha, a boca alugada,&lt;br /&gt;soprando carvões, fazia nascer&lt;br /&gt;o fogo do dia.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu estava dormindo&lt;br /&gt;e chovia no meu sonho, nos vales&lt;br /&gt;caíam trombas-d'água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã raiante se manchava&lt;br /&gt;do sangue escuro da raposa&lt;br /&gt;morta no chão memorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha terra é o novo caminho&lt;br /&gt;que o homem abriu sem querer&lt;br /&gt;no capim à beira do arrozal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre lagartos e caga-sebos&lt;br /&gt;vi as horas caírem sobre as cercas&lt;br /&gt;que afrontavam os relâmpagos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi na infância que aprendi a ver-te,&lt;br /&gt;ó sol que me ilumina. E um arco-íris&lt;br /&gt;abriu-se entre arraias do céu pálido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trecho da poesia &lt;/span&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Minha terra", de Lêdo Ivo (1924  - )&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;retirado do livro "Poesia Completa", editado em 2004 pela Topbooks em parceria com a Braskem.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6153224074594371885?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6153224074594371885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6153224074594371885' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6153224074594371885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6153224074594371885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/11/minha-ptria-onde-os-goiamuns.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-3674882614083111909</id><published>2008-11-02T12:48:00.000-08:00</published><updated>2008-11-02T12:53:39.132-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A mesma situação de 1993. A diferença é que naquela época eu tinha 27 anos, meus pentelhos ainda não haviam embranquecido, e a vista era de frente para o mar.&lt;br /&gt;Naquele final de ano eu acreditava na biologia. Tinha o tempo da espera e não havia me desencantado comigo mesmo. Um cara assim, nesta situação, digamos, de passaporte carimbado - agora entendo - está "apto" para amar e para acreditar nesse sentimento.&lt;br /&gt;A situação em si mesma é um desastre consumado, e o termo "apto" é quase um xingamento, mas não encontro outro que comine ou conjugue melhor a expectativa do devir com a breguice genética de querer ser feliz. Portanto, acreditar na biologia era para mim acreditar no amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Primeiros parágrafos do romance "Animais em extinção", de Marcelo Mirisola, lançado em 2008 pela Editora Record.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-3674882614083111909?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/3674882614083111909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=3674882614083111909' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3674882614083111909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3674882614083111909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/11/mesma-situao-de-1993.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-1184967944158688529</id><published>2008-10-29T08:49:00.001-07:00</published><updated>2008-10-29T08:53:53.165-07:00</updated><title type='text'>Casa das Rosas, 25 de outubro</title><content type='html'>Tentando recitar "Receita para tolerar a miséria do vôo", d'O livro dos verbos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SQiG18vEu4I/AAAAAAAAABk/3o2U6NNmq2U/s1600-h/whis_rec1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SQiG18vEu4I/AAAAAAAAABk/3o2U6NNmq2U/s400/whis_rec1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262604425977183106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-1184967944158688529?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/1184967944158688529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=1184967944158688529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1184967944158688529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1184967944158688529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/10/casa-das-rosas-25-de-outubro_29.html' title='Casa das Rosas, 25 de outubro'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SQiG18vEu4I/AAAAAAAAABk/3o2U6NNmq2U/s72-c/whis_rec1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-4833531414016254182</id><published>2008-10-29T08:46:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T08:48:48.965-07:00</updated><title type='text'>Casa das Rosas, 25 de outubro</title><content type='html'>Ademir Demarchi, Tonho França, José Geraldo Neres, eu e Celso de alencar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SQiFoVoC9jI/AAAAAAAAABc/ubxh4ysWOow/s1600-h/autores_rosa.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SQiFoVoC9jI/AAAAAAAAABc/ubxh4ysWOow/s400/autores_rosa.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262603092628796978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-4833531414016254182?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/4833531414016254182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=4833531414016254182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/4833531414016254182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/4833531414016254182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/10/casa-das-rosas-25-de-outubro.html' title='Casa das Rosas, 25 de outubro'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SQiFoVoC9jI/AAAAAAAAABc/ubxh4ysWOow/s72-c/autores_rosa.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6897868194043635830</id><published>2008-10-13T17:59:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T18:07:10.870-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SPPwbQfDurI/AAAAAAAAABU/BjE5Q2mbk6A/s1600-h/convite-dulcineia-catadora1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 449px; height: 550px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SPPwbQfDurI/AAAAAAAAABU/BjE5Q2mbk6A/s400/convite-dulcineia-catadora1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256809541143870130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6897868194043635830?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6897868194043635830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6897868194043635830' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6897868194043635830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6897868194043635830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/10/blog-post.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/SPPwbQfDurI/AAAAAAAAABU/BjE5Q2mbk6A/s72-c/convite-dulcineia-catadora1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-2901644653840542236</id><published>2008-10-13T09:38:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T09:45:22.145-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Finalmente encontrei o trecho que queria. Por isto, creio que será a última vez que postarei algo sobre este romance do Faulkner, Absalom, Absalom! É uma bonita parte do livro, na qual Bon, o noivo de Judith é assassinado por Henry. Enquanto prepara a comida, Judith ouve as marteladas dos empregados, que fabricam o caixão, para enterrarem o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The four years while I believed she waited as I waited, while the stable world we had been taught to know dissolved in fire and smoke until peace and security were gone, and pride and hope, and there was left only maimed honor's veterans, and love. Yes, there should, there must, be love and faith : these left with us by fathers, husbands, sweethearts, brothers, who carried the pride and the hope of peace in honor's vanguard as they did the flags; there must be these, else what do men fight for? what else worth dying for? Yes, dying not for honor's empty sake, nor pride nor even peace, but for that love and faith they left behind. Because he was to die; I know that, knew that, as both pride and peace were: else how to prove love's immortality? But not love, not faith itself, themselves. Love without hope perhaps, faith with little to be proud with: but love and faith at least above the murdering and the folly, to salvage at least from the humbled indicted dust something anyway of the old lost enchantment of the heart. - Yes, found her standing before that closed door which I was not to enter (and which she herself did not enter again to my knowledge until Jones and the other 'man carried the coffin up the stairs) with the photograph hanging at her side and her face absolutely calm, looking at me for a moment and just raising her voice enough to be heard in the hall below: 'Clytie. Miss Rosa will be here for dinner; you had better get out some more meal': then 'Shall we go down stairs? I will have to speak to Mr Jones about some planks and nails." That was all. Or rather, not all, since there is no all, no finish; it's not the blow we suffer from but the tedious repercussive anticlimax of it, the rubbishy aftermath to clear away from off the very threshold of despair. You see, I never saw him. I never even saw him dead. I heard an echo, but not the shot; I saw a closed door but did not enter it." I remember how that afternoon when we carried the coffin from the house (Jones and another white man which he produced, exhumed, from somewhere made it of boards torn from the carriage house; I remember how while we ate the food which Judith yes, Judith, the same face calm, cold and tranquil above the stove had cooked, ate it in the very room which he lay over, we could hear them hammering and sawing in the backyard (...)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-2901644653840542236?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/2901644653840542236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=2901644653840542236' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2901644653840542236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2901644653840542236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/10/finalmente-encontrei-o-trecho-que.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-3660938390368138510</id><published>2008-10-12T08:14:00.000-07:00</published><updated>2008-10-12T08:21:10.538-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;On n’est pas sérieux, quand on a dix-sept ans.&lt;br /&gt;- Un beau soir, foin des bocks et de la limonade,&lt;br /&gt;Des cafés tapageurs aux lustres éclatants !&lt;br /&gt;- On va sous les tilleuls verts de la promenade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Les tilleuls sentent bon dans les bons soirs de juin !&lt;br /&gt;L’air est parfois si doux, qu’on ferme la paupière ;&lt;br /&gt;Le vent chargé de bruits, - la ville n’est pas loin,&lt;br /&gt;A des parfums de vigne et des parfums de bière...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Voilà qu’on aperçoit un tout petit chiffon&lt;br /&gt;D’azur sombre, encadré d’une petite branche,&lt;br /&gt;Piqué d’une mauvaise étoile, qui se fond&lt;br /&gt;Avec de doux frissons, petite et toute blanche...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuit de juin ! Dix-sept ans ! - On se laisse griser.&lt;br /&gt;La sève est du champagne et vous monte à la tête...&lt;br /&gt;On divague ; on se sent aux lèvres un baiser&lt;br /&gt;Qui palpite là, comme une petite bête...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trecho de "Roman", poesia de Arthur Rimbaud (1854 - 1891).  Abaixo, o que Ivo Barroso conseguiu fazer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;I&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Não se pode ser sério aos dezessete anos.&lt;br /&gt;- Um dia, dá-se adeus ao chope e à limonada,&lt;br /&gt;À bulha dos cafés de lustres suburbanos!&lt;br /&gt;- E vai-se sob a verde aléia de uma estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quente odor da tília a tarde quente invade!&lt;br /&gt;Tão puro e doce é o ar, que a pálpebra se arqueja;&lt;br /&gt;De vozes prenhe, o vento - ao pé vê-se a cidade, -&lt;br /&gt;Tem perfumes de vinha e cheiros de cerveja...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eis que então se percebe uma pequena tira&lt;br /&gt;De azul escuro, em meio à ramaria franca,&lt;br /&gt;Picotada por uma estrela má, que expira&lt;br /&gt;Em doce tremular, muito pequena e branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite estival! A idade! - A gente se inebria;&lt;br /&gt;A seiva sobe em nós como um champanhe inquieto...&lt;br /&gt;Divaga-se; e no lábio um beijo se anuncia,&lt;br /&gt;A palpitar ali como um pequeno inseto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Podem até achar que sou radical, mas muitas vezes eu acho que é melhor não se traduzir poesia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-3660938390368138510?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/3660938390368138510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=3660938390368138510' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3660938390368138510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3660938390368138510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/10/i-on-nest-pas-srieux-quand-on-dix-sept.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-5056312645904862661</id><published>2008-10-12T08:09:00.000-07:00</published><updated>2008-10-12T08:12:30.571-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>They will tell you different, but I did. Why shouldn't I? I had nothing to forgive; I had not lost him because I never owned him: a certain segment of rotten mud walked into my life, spoke that to me which I had never heard before and never shall again, and then walked out; that was all. I never owned him; certainly not in that sewer sense which you would mean by that and maybe think (but you are wrong) I mean. That did not matter. That was not even the nub of the insult. I mean that he was not owned by anyone or anything in this world, had never been, would never be, not even by Ellen, not even by Jones' granddaughter. Because he was not articulated in this world. He was a walking shadow. He was the lightblinded batlike image of his own torment cast  by the fierce demoniac lantern up from beneath the earth's crust and hence in retrograde, reverse; from abysmal and chaotic dark to eternal and abysmal dark completing his descending (do you mark the gradation?) ellipsis, clinging, trying to cling with vain unsubstantial hands to what he hoped would hold him, save him, arrest him - Ellen (do you mark them?), myself, then last of all that fatherless daughter of Wash Jones' only child who, so I heard once, died in a Memphis brothel - to find severence (even if not rest and peace) at last in the stroke of a rusty scythe. I was told, informed of that too, though not by Jones this time but by someone else kind enough to turn aside and tell me he was dead. 'Dead?" I cried. 'Dead? You? You lie; you're not dead; heaven cannot, and hell dare not, have you!" But Quentin was not listening, because there was also something which he too could not pass - that door, the running feet on the stairs beyond it almost a continuation of the faint shot, the two women, the Negress and the white girl in her underthings (made of flour sacking when there had been flour, of window curtains when not) pausing, looking at the door, the yellowed creamy mass of old intricate satin and lace spread carefully on the bed and then caught swiftly up by the white girl and held before he as the door crashed in and the brother stood there, hatless, with his shaggy bayonet-trimmed hair, his gaunt worn unshaven face, his patched and faded gray tunic, the pistol still hanging against his flank: the two of them, brother and sister, curiously alike as if the difference in sex had merely sharpened the common blood to a terrific, an almost unbearable, similarity, speaking to one another in short brief staccato sentences like slaps, as if they stood breast to breast striking one another in turn neither making any attempt to guard against the blows.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trecho de Absalom, Absalom!, de William Faulkner. Alguém se arrisca a traduzir?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-5056312645904862661?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/5056312645904862661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=5056312645904862661' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5056312645904862661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5056312645904862661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/10/they-will-tell-you-different-but-i-did.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-3669300238219857946</id><published>2008-10-09T09:08:00.000-07:00</published><updated>2008-10-09T09:10:19.511-07:00</updated><title type='text'>Nobel de Literatura 2008</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The Nobel Prize in Literature 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jean-Marie Gustave Le Clézio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Nobel Prize in Literature for 2008 is awarded to the French writer Jean-Marie Gustave Le Clézio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“author of new departures, poetic adventure and sensual ecstasy, explorer of a humanity beyond and below the reigning civilization”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-3669300238219857946?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/3669300238219857946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=3669300238219857946' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3669300238219857946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3669300238219857946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/10/nobel-de-literatura-2008.html' title='Nobel de Literatura 2008'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-1386222692834702513</id><published>2008-10-02T06:17:00.000-07:00</published><updated>2008-10-02T06:20:47.108-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>No. I hold no brief for myself. I don't plead youth, since what creature in the South since 1861, man woman nigger or mule, had had time or opportunity not only to have been young, but to have heard what being young was like from those who had. I don't plead propinquity: the fact that I, a woman young and at the age for marrying and in a time when most of the young men whom I would have known ordinarily were dead on lost battlefields, that I lived for two years under the same roof with him. I don't plead material necessity: the fact that, an orphan a woman and a pauper, I turned naturally not for protection but for actual food to my only kin: my dead sister's family: though I defy anyone to blame me, an orphan of twenty, a young woman without resources, who should desire not only to justify her situation but to vindicate the honor of a family the good name of whose women has never been impugned, by accepting the honorable proffer of marriage from the man whose food she was forced to subsist on. And most of all, I do not plead myself: a young woman emerging from a holocaust which had taken parents security and all from her, who had seen all that living meant to her fall into ruins about the feet of a few figures with the shapes of men but with the names and statures of heroes - a young woman, I say, thrown into daily and hourly contact with one of these men who, despite what he might have been at one time and despite what she might have believed or even known about him, had fought for four honorable years for the soil and traditions of the land where she had been born.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trecho do magnífico romance "Absalom, Absalom!", de William Faulkner (1897 - 1962). &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-1386222692834702513?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/1386222692834702513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=1386222692834702513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1386222692834702513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1386222692834702513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/10/no.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-3207078416794855698</id><published>2008-09-30T09:30:00.000-07:00</published><updated>2008-09-30T09:33:52.330-07:00</updated><title type='text'>Prêmio ALB/Braskem 2008</title><content type='html'>Art. 1 - A Academia de Letras da Bahia e a Braskem com a finalidade de promover a criação literária, instituem o Prêmio Nacional Academia de Letras da Bahia/Braskem/Conto 2008, destinado a um livro de contos, escrito por autor de nacionalidade brasileira. A premiação será dupla: caberá ao vencedor a importância de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) e o livro será publicado por uma editora de projeção nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 2 - As inscrições no Prêmio Nacional Academia de Letras da Bahia / Braskem/Conto 2008, serão abertas no dia 13 de março de 2008 e encerradas no dia 31 de outubro do mesmo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 3 - Concorrerão ao Prêmio textos de contos rigorosamente inéditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 4 - Os originais deverão ser encaminhados à Academia de Letras da Bahia, Av. Joana Angélica, 198 - Nazaré - Palacete Góes Calmon, Slavador - Bahia - CEP 40050-000 - Telefax: (71) 3321-4308 e-mail: letrasba@terra.com.br.&lt;br /&gt;Os originais remetidos pelo correio poderão ser aceitos até o dia do encerramento, 31 de outubro de 2008, data que deverá estar bem legível no carimbo da postagem com aviso de recebimento (AR).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 5 - O texto original preencherá os seguintes requisitos:&lt;br /&gt;a) apresentação em 03 (três) vias, em perfeitas condições de legibilidade num lado somente do papel, formato A-4, espaçamento simples, deverá ter 07 (sete) contos, sem limite máximo ou mínimo de páginas de cada conto;&lt;br /&gt;b) as 03 (três) cópias devem ser acompanhadas de um disquete ou CD que contenha o texto gravado no formato .doc (Word) ou em outro processador de texto compatível;&lt;br /&gt;c) ser acompanhado de um envelope lacrado contendo: ficha com nome do concorrente, pseudônimo, título da obra, endereço completo, xerox da identidade e telefone de contato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 6 - A Comissão Julgadora do Prêmio Nacional Academia de Letras da Bahia/Braskem/Conto 2008 composta de 03 (três) membros de notória e reconhecida vinculação com a área do Prêmio, será nomeada pelo Presidente da Academia de Letras da Bahia que, sem direito a voto, presidirá o julgameto.&lt;br /&gt;Parágrafo único - A Comissão será indicada e nomeada em 07 de novembro, devendo entregar o resultado até 18 de janeiro de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 7 - Os membros da Comissão deverão reunir-se, pelo menos, uma vez, ocasião em que redigirão ata especial em que constem a decisão e os votos com justificativas.&lt;br /&gt;Parágrafo primeiro - Em nenhuma hipótese o prêmio será fracionado, devendo a comissão, por unanimidade ou por maioria, indicar a obra vencedora.&lt;br /&gt;Parágrafo segundo - O julgamento da Comissão terá caráter irrevogável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 8 - A Academia de Letras da Bahia e a Braskem darão ampla divulgação ao resultado do julgamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 9 - O Prêmio Nacional Academia de Letras da Bahia/Braskem/Conto 2008 será entregue em março de 2009, em solenidade pública, na sede da Academia de Letras da Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 10 - A Academia de Letras da Bahia não terá obrigação de devolver os originais apresentados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvador, 13 de março de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo M. Boaventura&lt;br /&gt;Presidente da Academia de Letras da Bahia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Carlos Grubisich&lt;br /&gt;Presidente da Braskem&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-3207078416794855698?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/3207078416794855698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=3207078416794855698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3207078416794855698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3207078416794855698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/09/prmio-albbraskem-2008.html' title='Prêmio ALB/Braskem 2008'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-9015327581693645876</id><published>2008-09-28T18:08:00.000-07:00</published><updated>2008-09-28T18:09:18.501-07:00</updated><title type='text'>Comentários</title><content type='html'>Agora ficou mais fácil comentar os posts deste blog. Não há mais necessidade de se ter uma conta no google. Aproveitem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-9015327581693645876?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/9015327581693645876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=9015327581693645876' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/9015327581693645876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/9015327581693645876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/09/comentrios.html' title='Comentários'/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-8331575362548687142</id><published>2008-09-24T18:22:00.001-07:00</published><updated>2008-09-24T18:29:26.220-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A revista "&lt;a href="http://www.algoadizer.com.br/"&gt;Algo a dizer&lt;/a&gt;" traz uma interessante entrevista com o saudoso Fausto Wolff, escritor que sempre admirei. Também uma resenha do Celso Gomes sobre o livro de Marcelino Freire, Contos Negreiros, que venceu o Jabuti em 2006. Os poemas certeiros de Paula Cajaty. Meu conto "sonâmbulos", que venceu o concurso Luiz Vilela ano passado também está lá. Fabio Weintraub sob a pena de Gustavo Dumas, uma crítica impecável. E assim por diante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-8331575362548687142?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/8331575362548687142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=8331575362548687142' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8331575362548687142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8331575362548687142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/09/revista-algo-dizer-traz-uma.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-797988391755963826</id><published>2008-09-18T12:50:00.000-07:00</published><updated>2008-09-18T13:00:14.555-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Nasci atrás do palco improvisado por meu pai, no largo duma pequena aldeia dos arredores de Lisboa. Assim que os meus olhos conseguiram focar além dos vinte centímetros que me distanciavam do rosto de minha mãe, devo ter fixado algum pormenor da madeira. Pois durante anos, na imperfeição duma das tábuas que nos acompanharam na doce peregrinação que foi a minha infância, eu via sempre o enigmático olho dum enigmático animal que foi o meu primeiro e mais remoto amigo.&lt;br /&gt;Nasci três horas antes do espetáculo. E embora o meu pai insistisse para que a minha mãe desse as deixas por detrás da cortina azul do fundo do palco deitada na sua cama improvisada, ela preferiu subir à cena para interpretar a costumeira Leonor Telles, ansiosa por mostrar ao público o seu último rebento. E como eu chorasse durante a fala escrita por meu pai com reminiscências de Marcelino Mesquita, em que Leonor enlouquece de paixão o pobre D. Fernando, minha mãe, num gesto arrebatado, tirou para fora o peito inchado e manchou de colostro a camisa de linho de Leonor, donde nenhuma lixívia jamais conseguiu apagar as nódoas amarelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Parágrafos iniciais do romance "O pranto de Lúcifer", de Rosa Lobato de Faria (Lisboa, 1932). &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-797988391755963826?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/797988391755963826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=797988391755963826' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/797988391755963826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/797988391755963826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/09/nasci-atrs-do-palco-improvisado-por-meu.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-2133457828396628100</id><published>2008-09-07T15:08:00.000-07:00</published><updated>2008-09-07T15:14:24.072-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A sociedade do escape&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Guy Debord&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Toda a vida atual consiste&lt;br /&gt;em um seminário de distâncias;&lt;br /&gt;a distância é uma semana invisível&lt;br /&gt;num calendário perdurante,&lt;br /&gt;uma estância perdida onde não se há&lt;br /&gt;o que se é, e o que seria também sucumbe;&lt;br /&gt;um instante posta-se noutro&lt;br /&gt;e o próximo desafago é apenas uma porta aberta&lt;br /&gt;para um longe de afetos frustrados;&lt;br /&gt;o dia encosta na noite, de relógio-alarme&lt;br /&gt;em punho, cerrado de rotinas;&lt;br /&gt;a voz imposta-se no grito de uma árvore&lt;br /&gt;presa em tela seca na garganta;&lt;br /&gt;e por fim uma chama fica cega,&lt;br /&gt;quando a cor de tudo em torno é fuga, sem exílio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Zeh Gustavo, em "Perspectiva do Quase", uma tocante antologia poética lançada há pouco pela Arte Paubrasil.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-2133457828396628100?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/2133457828396628100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=2133457828396628100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2133457828396628100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2133457828396628100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/09/sociedade-do-escape-toda-vida-atual.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6641031471741052533</id><published>2008-09-05T14:27:00.000-07:00</published><updated>2008-09-05T14:33:45.395-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A tendência deste &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blog &lt;/span&gt;é tratar mais de literatura, mas hoje vou dar uma dica de cinema: Vontade Indômita (The Fountainhead), de King Vidor, de 1949, com Gary Cooper, Henry Hull e Patricia Neal. O filme conta a história do arquiteto Howard Roark, que luta contra uma cidade em fúria para defender seus projetos. Pelos diálogos, pela direção e pelas atuações, este é um dos melhores filmes que já vi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6641031471741052533?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6641031471741052533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6641031471741052533' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6641031471741052533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6641031471741052533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/09/tendncia-deste-blog-tratar-mais-de.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-6265583918180196293</id><published>2008-09-01T12:15:00.000-07:00</published><updated>2008-09-01T12:25:36.555-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"A velha mantinha passo após passo aquela marcha suspirada e cheia de&lt;br /&gt;- ai, meu deus&lt;br /&gt;sem olhar para os lados, surda para os motores ruidosos que por vezes lhe zuniam nos ouvidos ou para o trepidar de britadeira das rodas ao caírem numa infinidade de buracos, como se o chão fosse mesmo um imenso solavanco. E muito embora o coque cinza e desgrenado preso à cabeça lhe rabiscasse um aspecto perturbado, ela permanecia atenta aos chinelos que gastavam os vãos dos dedos e à neta que, pendurada em sua mão, tentava lhe acompanhar. Por vezes, diminuía o ritmo, balançando o corpo de um lado ao outro para que a pequena acertasse o passo, Primeiro o pé direito depois o esquerdo, ela pensava em dizer, no entanto sabia que em pouco a menina se distrairia com alguma pedra ou qualquer coisa à altura das mãos. Então, quieta a seu canto, a velha procurava com a língua um tanto de saliva para molhar os lábios e se perdia no labirinto de sua memória, dando voltas empoeiradas a se perguntar como haviam chegado naquele resto de mundo tão íngreme. Somente quando os grãos de areia se misturavam à carne ela voltava a se lembrar dos chinelos que lhe comiam os pés, pois lhe ardia não apenas o corpo, mas a garganta esturricada de um&lt;br /&gt;- ai, meu deus"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trecho do conto "Três a caminho", do livro "Beijando dentes", de Maurício de Almeida. O projeto gráfico desta obra vencedora do Prêmio SESC de Literatura 2007 é algo estupendo. As narrativas da obra são todas surpreendentes, muitas vezes líricas, com trechos maravilhosos. Entretanto, a falta de revisão compromete um pouco o resultado final. Nem os avais da Leyla Perrone, do José Castelo e do Daniel Piza conseguem disfarçar a falta que fez uma meticulosa revisão ortográfica e gramatical. No trecho selecionado um erro grave foi transcrito como está no livro.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-6265583918180196293?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/6265583918180196293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=6265583918180196293' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6265583918180196293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/6265583918180196293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/09/velha-mantinha-passo-aps-passo-aquela.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7275771263624465438</id><published>2008-08-27T06:44:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T06:51:24.290-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Primeiro as palavras que fingimos existir e depois as estratégias e depois o pode e deve ser e assim. E depois aqueles consentimentos tímidos que se transformam em deliciosos absurdos límpidos libelos de incontensão. E depois usamos muitas palavras dizendo muito durante horas contando histórias e inventando muita coisa pra fazer amanhã e depois de amanhã. E depois mais desejo e os desdobramentos e aquele tipo de festa e aquele tipo de cansaço. E depois o tempo e os dedos do tempo as raízes do tempo a secura do tempo a umidade excessiva do tempo: os dias começam a se acumular e eu sei o que ela dirá e ela sabe o que eu direi. O que diremos daqui a pouco. O que será dito em cinco minutos. E de novo. E depois eu percebo que ela está olhando nada pela janela está deixando um cigarro aceso no cinzeiro se esquece de regar as violetas ouve o mesmo Liszt folheia uma revista de economia e responde uma coisa sem sentido porque não prestou atenção na minha pergunta: e então eu sei que uma outra figura fulge flameja vibra nos pensamentos dela na pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trecho do conto "É", que está no novo (belo) livro de Luci Collin, "Vozes num divertimento", lançado recentemente pela Travessa dos Editores.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7275771263624465438?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7275771263624465438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7275771263624465438' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7275771263624465438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7275771263624465438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/08/primeiro-as-palavras-que-fingimos.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-189714508549242396</id><published>2008-08-12T06:39:00.000-07:00</published><updated>2008-08-12T06:47:57.611-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O nome da musa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Para Adalgisa Neri&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te chamo Eva,&lt;br /&gt;não te dou nenhum nome de mulher nascida,&lt;br /&gt;nem de fada, nem de deusa, nem de musa, nem de sibila, nem de terras,&lt;br /&gt;nem de astros, nem de flores.&lt;br /&gt;Mas te chamo a que desceu do luar para causar as marés&lt;br /&gt;e influir nas coisas oscilantes.&lt;br /&gt;Quando vejo os enormes campos de verbena agitando as corolas,&lt;br /&gt;sei que não é o vento que bole, mas tu que passas com os cabelos soltos.&lt;br /&gt;Amo contemplar-te nos cardumes das medusas que vão para os mares boreais,&lt;br /&gt;ou no bando das gaivotas e dos pássaros dos pólos revoando&lt;br /&gt;sobre as terras geladas.&lt;br /&gt;Não te chamo Eva,&lt;br /&gt;não te dou nenhum nome de mulher nascida.&lt;br /&gt;O teu nome deve estar nos lábios dos meninos que nasceram mudos,&lt;br /&gt;nos areais movediços e silenciosos que já foram o fundo do mar,&lt;br /&gt;no ar lavado que sucede às grandes borrascas,&lt;br /&gt;na palavra dos anacoretas que te viram sonhando&lt;br /&gt;e morreram quando despertaram,&lt;br /&gt;no traço que os raios descrevem e que ninguém jamais leu.&lt;br /&gt;Em todos esses movimentos há apenas sílabas do teu nome secular&lt;br /&gt;que coisas primitivas escutaram e não transmitiram às gerações.&lt;br /&gt;Esperemos, amigo, que searas gratuitas nasçam de novo,&lt;br /&gt;e os animais da criação se reconciliem sob o mesmo arco-íris;&lt;br /&gt;então ouvires o nome da que não chamo Eva&lt;br /&gt;nem lhe dou nenhum nome de mulher nascida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Jorge de Lima (1893 - 1953).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-189714508549242396?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/189714508549242396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=189714508549242396' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/189714508549242396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/189714508549242396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/08/o-nome-da-musa-para-adalgisa-neri-no-te.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-1052023399415642631</id><published>2008-08-04T14:38:00.000-07:00</published><updated>2008-08-04T14:46:17.244-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Convém lavarmo-nos, pêlos e sombras, solidão e desgraça, também lavei Ehud no fim algumas vezes, sovacos, coxas, o escuro buraco, sexo, bolotas, Ai Senhor, tu tens igual a nós o fétido buraco? Escondido atrás mas quantas vezes pensado, escondido atrás, todo espremido, humilde mas demolidor de vaidades, impossível ao homem se pensar espirro do divino tendo esse luxo atrás, discurseiras, senado, o colete lustroso dos políticos, o cravo na lapela, o cetim nas mulheres, o olhar envesgado, trejeitos, cabeleiras, mas o buraco ali, pensaste nisso? Ó buraco, estás aí também no teu Senhor? Há muito que se louva o todo espremido. Estás destronado quem sabe, Senhor, em favor desse buraco? EStás me ouvindo? Altares, velas, luzes, lírios, e no topo uma imensa rodela de granito, umas dobras no mármore, um belíssimo ônix, uns arremedos de carne, do cu escultores líricos. E dizem que os doutos que Tua Presença ali é a mais perfeita, que ali é que está o sumo, o samadhi, o grande presunto, o prato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hilda Hilst, trecho de "A obscena senhora D". Sobre este livro escreveu Caio Fernando Abreu: "A história - se é que há uma história aqui - é simples: após a morte do amante, Hillé, a Senhora D, se recolhe ao vão da escada, 'um Nada igual ao teu, repensando misérias, tentando escapar, como tu mesmo, contornando um vazio, relembrando', em direção à própria morte. Numa prosa que se dilata e contrai, às vezes estufada, barroca, repleta de cintilâncias, outras se fazendo navalha, corte seco, a linguagem de Hilda Hilst avança sobre as camisas-de-força da sintaxe para desvendar insuspeitados espaços. O resultado é um texto que, fora de nossa literatura, ao lado de Guimarães Rosa e Clarice Lispector, só encontraria paralelo em Joyce ou Samuel Beckett. Mais além: é vivo."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-1052023399415642631?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/1052023399415642631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=1052023399415642631' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1052023399415642631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/1052023399415642631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/08/convm-lavarmo-nos-plos-e-sombras-solido.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-5939997648371409457</id><published>2008-08-03T05:28:00.000-07:00</published><updated>2008-08-03T09:17:54.873-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Et maintenant, comment voulez-vous que je le regrette,&lt;br /&gt;votre Paris bruyant et noir? Je suis si bien dans mon moulin!&lt;br /&gt;C'est si bien le coin que je cherchais, un petit coin parfumé et chaud, à mille lieues des journaux, des fiacres, du brouillard!... Et que de jolies choses autour de moi! Il y a à peine huit jours que je suis installé, j'ai déjà la tête bourrée d'impressions et de souvenirs... Tenez! pas plus tard qu'hier soir, j'ai assisté à la rentrée des troupeaux dans un mas (une ferme) qui est au bas de la côte, et je vous jure que je ne donnerais pas ce spectacle pour toutes les premières que vous avez eues à Paris cette semaine. Jugez plutôt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, como sentir falta dessa sua Paris barulhenta e escura? Estou bem no meu moinho! É exatamente o canto que procurei, um cantinho perfumado e quente, a mil léguas dos jornais, dos fiacres, dos nevoeiros!... E quanta coisa bonita ao meu redor! Faz oito dias que me instalei, e já tenho a cabeça cheia de impressões e de lembranças... Veja, ontem à noite assisti ao retorno dos rebanhos para um "mas" (um sítio), que fica abaixo da encosta e juro que não trocaria este espetáculo por todas as premières a que assistiram em Paris esta semana. Julgue você mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Alphonse Daudet (1840-1897), trecho do romance "Lettres de mon moulin". A tradução é minha.&lt;/span&gt; Este post foi só para que pensassem no seguinte: é mesmo necessário morar nas capitais para se escrever uma obra-prima? Claro que a questão de se viver nas cidades grandes passa pelo fato de que nestas metrópoles se concentram as grandes editoras. Em conversa com o Nelson de Oliveira, surgiu a seguinte questão: um gênio morreria despercebido lá no seu interior? Ninguém poderia responder a esta pergunta, mas do mesmo modo que descobriram Van Gogh e Kafka, muitos outros provavelmente estão mortos e bem enterrados até hoje nos porões de sua misantropia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-5939997648371409457?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/5939997648371409457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=5939997648371409457' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5939997648371409457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5939997648371409457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/08/et-maintenant-comment-voulez-vous-que.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-4090177294530376818</id><published>2008-07-24T06:25:00.000-07:00</published><updated>2008-07-24T06:28:17.692-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;To Others than You&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Friend by enemy I call you out.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You with a bad coin in your socket,&lt;br /&gt;You my friend there with a winning air&lt;br /&gt;Who palmed the lie on me when you looked&lt;br /&gt;Brassily at my shyest secret,&lt;br /&gt;Enticed with twinkling bits of the eye&lt;br /&gt;Till the sweet tooth of my love bit dry,&lt;br /&gt;Rasped at last, and I stumbled and sucked,&lt;br /&gt;Whom now I conjure to stand as thief&lt;br /&gt;In the memory worked by mirrors,&lt;br /&gt;With unforgettably smiling act,&lt;br /&gt;Quickness of hand in the velvet glove&lt;br /&gt;And my whole heart under your hammer,&lt;br /&gt;Were once such a creature, so gay and frank&lt;br /&gt;A desireless familiar&lt;br /&gt;I never thought to utter or think&lt;br /&gt;While you displaced a truth in the air,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;That though I loved them for their faults&lt;br /&gt;As much as for their good,&lt;br /&gt;My friends were enemies on stilts&lt;br /&gt;With their heads in a cunning cloud.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dylan Thomas (1914-1953).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-4090177294530376818?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/4090177294530376818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=4090177294530376818' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/4090177294530376818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/4090177294530376818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/07/to-others-than-you-friend-by-enemy-i.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-9148848648425705722</id><published>2008-07-16T06:41:00.000-07:00</published><updated>2008-07-16T06:49:42.796-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Essa história de clichê, de lugar-comum, atormenta os escritores, mas na verdade é difícil definir o que vem a ser essa aberração literária. Vejam a frase:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É o que lhe peço com o coração nas mãos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dá a impressão de ser um baita chavão? Se qualquer escritor hoje colocasse esse trecho em um conto ou em um texto, seria amaldiçoado. Mas não seu autor: Machado de Assis. Talvez que em 1872, ano em que foi publicada, "coração nas mãos" pudesse não ser uma frase batida, o que não creio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que não há livro que não tenha suas metáforas duvidosas, suas construções incertas e não  há mestre que consiga uma genialidade perene.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-9148848648425705722?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/9148848648425705722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=9148848648425705722' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/9148848648425705722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/9148848648425705722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/07/essa-histria-de-clich-de-lugar-comum.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-3297237098760053898</id><published>2008-07-08T05:39:00.000-07:00</published><updated>2008-07-08T05:42:21.328-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Concurso de resenhas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu conto "sonâmbulos", que foi o vencedor do Prêmio Luiz Vilela ano passado, é objeto de um concurso de resenhas, cujo edital está &lt;a href="http://sitededicas.uol.com.br/newscon5.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Ou &lt;a href="http://www.alami.xpg.com.br/35.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. A narrativa pode ser lida, na íntegra, &lt;a href="http://www.alami.xpg.com.br/44.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Participem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-3297237098760053898?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/3297237098760053898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=3297237098760053898' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3297237098760053898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/3297237098760053898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/07/concurso-de-resenhas-meu-conto.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-8317464686217132105</id><published>2008-07-07T13:26:00.000-07:00</published><updated>2008-07-16T06:41:09.956-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;FLIP 2&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alessandro Baricco é um escritor bem pragmático. Quando questionado sobre a utilidade da literatura, disparou que é a de fazer escritores felizes. Encontrei o Carlos Rosa, do &lt;a href="http://www.meiotom.art.br/"&gt;meiotom&lt;/a&gt; e da &lt;a href="http://www.dulcineiacatadora.110mb.com/"&gt;Dulcinéia Catadora&lt;/a&gt;, que, junto com sua esposa Lúcia, vendia os belos livros artesanais do projeto. Fernando Vallejo tentou polemizar ao revelar que nunca leu Machado de Assis, mas foi em vão, o público não se importou (talvez a maioria ali também jamais tenha lido nada do escritor carioca). Contardo Calligaris, com sua elegância habitual, narrou os jantares com Lacan. Ingo Schulze tentava falar alemão com quem lhe pedia autógrafos - às vezes sorria quando conseguia se comunicar em seu idioma. Neil Gaiman, cuja obra desconheço completamente, autografou durante mais de cinco horas. Maitê Proença, agora escritora, atraía tietes para o bar onde bebericava alguma coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-8317464686217132105?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/8317464686217132105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=8317464686217132105' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8317464686217132105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8317464686217132105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/07/flip-2-alessandro-baricco-bem-pragmtico.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-8755843248454240472</id><published>2008-07-06T12:56:00.000-07:00</published><updated>2008-07-06T13:14:27.365-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;FLIP 1&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Paraty pude ver em ação a Inês Pedrosa, que partilhou a mesa com Cíntia Moscovich e Zoë Heller. Todos gostaram muito da Pedrosa. Uma multidão de fãs esperando pelo autógrafo da portuguesa, mas eu preferi a Zoë. Também a Cíntia estava muito bem. Inês com seu feminismo e sua luta em favor do aborto não convenceu muito. Zoë foi mais honesta com seu pragmatismo. Chegou a dizer que quando aceitou que adaptassem seu livro para o cinema, só pensou no chque e no quanto poderia ficar sossegada para escrever sua ficção. Já Inês deveria falar mais de sua literatura. Zoë é inteligente e certeira. Fala as coisas certas na hora certa e é uma boa escritora. Vi também o Ingo Schulze na mesma mesa que o Modesto Carone. A simpatia do alemão, sua cultura, sua responsabilidade com o ofício, sua literatura surpreendente deixaram o Carone sem ter muito o que dizer. Ainda bem, pois o brasileiro se mostrou um pouco chato com o público. Ao contrário do Contardo Calligaris, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gentleman&lt;/span&gt;, muito alegre, simpático e humilde.  Seu romance "O conto do amor" estava sendo lançado por lá. Ainda não li, mas o trouxe para casa e se for bom eu devo comentá-lo em breve. Fui para ver também o Alessandro Baricco e não me decepcionei. O escritor italiano mostrou que encara a literatura de maneira bem diferente da dos brasileiros. A mediação do Manuel da Costa Pinto, entretanto, deixou a desejar. A melhor mesa, de longe, foi a do holandês Cees Nooteboom e do colombiano Fernando Vallejo. O Vallejo mostrou que, além de grande escritor, é um indivíduo furioso, prester a explodir por qualquer coisa. Disparou torpedos pesadíssimos contra a igreja católica, contra nosso presidente, contra a literatura de Cees, contra a língua inglesa, contra seu tradutor brasileiro, contra quase tudo que se pode imaginar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-8755843248454240472?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/8755843248454240472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=8755843248454240472' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8755843248454240472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8755843248454240472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/07/flip-1-em-paraty-pude-ver-em-ao-ins.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-5948970963765979044</id><published>2008-06-19T10:19:00.000-07:00</published><updated>2008-06-19T10:27:11.356-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Darse prisa darse prisa&lt;br /&gt;Están prontas las semillas&lt;br /&gt;Esperando una orden para florecer&lt;br /&gt;Paciencia ya logo crecerán&lt;br /&gt;Y se irán por los senderos de la savia&lt;br /&gt;Por su escalera personal&lt;br /&gt;Un momento de descanso&lt;br /&gt;Antes del viaje al cielo del árbol&lt;br /&gt;El árbol tiene miedo de alejarse demasiado&lt;br /&gt;Tiene miedo y vuelve los ojos angustiados&lt;br /&gt;La noche lo hace temblar&lt;br /&gt;La noche y su licantropía&lt;br /&gt;La noche que afila sus garras en el viento&lt;br /&gt;Y aguza los oídos de la selva&lt;br /&gt;Tiene miedo digo el árbol tiene miedo&lt;br /&gt;De alejarse de la tierra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trecho do belíssimo "Canto IV", do chileno Vicente Huidobro (1893 - 1948). Do livro "Altazor" (1931).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-5948970963765979044?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/5948970963765979044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=5948970963765979044' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5948970963765979044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/5948970963765979044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/06/darse-prisa-darse-prisa-estn-prontas.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7483787910839429714</id><published>2008-06-18T07:12:00.001-07:00</published><updated>2008-06-18T07:17:05.204-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O Carlos Nejar prosador é tão bom quanto o Nejar poeta. Leiam o trecho inicial de seu livro "O poço dos milagres":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite ficou cega de nascença para as estrelas nos verem - pensei. E ao raiar, a luz não caía bem aquela hora em Pontal de Orvalho, junto ao rio Eufrates, que se mantinha correndo, por não poder parar, como o tempo. E as letras estão todas na foz com as ervas e o limo. Talita, aos onze anos, fazia seu dever de casa. Desajeitada, distraída, simpática e gentil, com algumas sardas no lado esquerdo do rosto. Por certa displicência e desinteresse no vestir, escutou de sua mãe: - Tens roupas novas e não usas. - Fazia que nem ouvia. Desde cedo gostava de ler e seu mundo era mágico. O que é mágico existe sozinho. Solta-se a palavra e ela se inventa. Nada pode embaciá-la. É como se enfia a cara na lua. Ou na luz. E a luz é tão inocente como o lugar onde troveja. Por ser mágico e inóspito. Inventa-se o que não se conhece. E o que se inventa não carece nem de nome, mas de verdade. Não está só quem se inventa e por isso Talita se achava povoada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7483787910839429714?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7483787910839429714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7483787910839429714' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7483787910839429714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7483787910839429714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/06/o-carlos-nejar-prosador-to-bom-quanto-o.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7737077384788000224</id><published>2008-06-16T15:10:00.000-07:00</published><updated>2008-06-16T15:17:50.916-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tantas vezes disseste, tantas disse,&lt;br /&gt;"já não brinco", e com olhos tão graves&lt;br /&gt;como o pôr-do-sol. E porém não sabia&lt;br /&gt;a língua que dançava entre palato e dente&lt;br /&gt;o que é sério afinal. E os olhos&lt;br /&gt;eram redondos néscios, sequer adivinhavam&lt;br /&gt;que coisa é pôr-se o sol. Preciso era&lt;br /&gt;que viesse uma leve e menor mudança,&lt;br /&gt;qual não haver já língua,&lt;br /&gt;qual não haver já olhos,&lt;br /&gt;para saber que não se brinca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedro Tamen, no livro "Guião de Caronte". No Brasil, a editora Escrituras lançou, em 2004, sob o título "Caronte e Memória", que reúne dois livros: o já citado Guião e "Memória Indescritível". Pedro Tamen nasceu em 1934, em Lisboa, e atualmente é administrador da Fundação Calouste Gulbenkian.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7737077384788000224?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7737077384788000224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7737077384788000224' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7737077384788000224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7737077384788000224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/06/tantas-vezes-disseste-tantas-disse-j-no.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-2356286105003516841</id><published>2008-06-12T09:58:00.000-07:00</published><updated>2008-06-12T10:03:50.086-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Aqui do meu lado descansam empilhados Bombons chineses, a obra completa do Murilo Mendes, Oráculos de maio, Eu receberia as piores notícias dos teus lindos lábios, A república dos sonhos, O veneno da madrugada (este do GG Márquez) e quase em meu colo A rosa do povo. Em qualquer um encontraria um trecho interessante para inserir aqui nesta postagem.&lt;br /&gt;Ou poderia escrever um pouco sobre o caloroso debate que acabei de assistir, entre Daniel Galera e Santiago Nazarian.&lt;br /&gt;Mas resolvi recorrer a um antigo miniconto que escrevi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;" lang="PT-BR"&gt;A dor&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alimentei-te com o sumo do meu desgosto: eis como te nutri, criança, com essa ironia cândida e belicosa que sugamos do peito alheio por não termos capacidade de gerá-la para nós próprios. Aí surgem os laços, estreitados ou não no decorrer das necessidades. Olhos e coragem de culpa para confessar-te que sou assassino: do mesmo amálgama com que forjei a tua vida, esculpi a morte, dois lados de um mesmo egoísmo, este pleno senhor de todos os devaneios do espírito e sandices da carne. Daí, do teu trono infante, erija um complexo parlatório de desculpas e, do alto: grite, brade, rogue quantas pragas já tiver aprendido, mas saiba que (nenhum desvio te salvará) não há outro caminho que o da desintegração e o da miséria. És um adubo que o tempo começa a curtir. Prevejo que serás outra presa a sucumbir ao paradoxo: ao mesmo tempo em que tentarás encontrar um significado para a tua geralmente longuíssima e tediosa cruzada, não quererás se render jamais aos achaques do corpo ou à cobiça da morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-2356286105003516841?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/2356286105003516841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=2356286105003516841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2356286105003516841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2356286105003516841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/06/aqui-do-meu-lado-descansam-empilhados.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-8995678829699617793</id><published>2008-06-03T08:47:00.000-07:00</published><updated>2008-06-03T08:51:38.257-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O livro "A poesia em pânico" é o mais &lt;span style="font-style: italic;"&gt;violento &lt;/span&gt;de Murilo Mendes. Desta obra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O impenitente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me consolará no mundo vão?&lt;br /&gt;Homens, tenho convosco a relação da forma.&lt;br /&gt;Nuvem sólida, rosa virginal, água branca&lt;br /&gt;E tu, antiga sinfonia aérea,&lt;br /&gt;Pertenceis ao anjo, não a mim.&lt;br /&gt;Eu digo ao pecado: Tu és meu pai.&lt;br /&gt;Eu digo à podridão: Tu és minha irmã.&lt;br /&gt;A presença real do demônio&lt;br /&gt;É meu pão de vida cotidiano:&lt;br /&gt;Minha alma comprime a aleluia gloriosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hóstias puras,&lt;br /&gt;Inutilmente vos ergueis sobre mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-8995678829699617793?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/8995678829699617793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=8995678829699617793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8995678829699617793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/8995678829699617793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/06/o-livro-poesia-em-pnico-o-mais-violento.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-2126756960882849540</id><published>2008-05-28T11:18:00.000-07:00</published><updated>2008-05-28T11:24:44.244-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Eu sabia que alguma coisa específica no livro "Respiração artificial", do Ricardo Piglia havia me incomodado. Então resolvi pescar o livro na estante para relê-lo. E descobri que foi a epígrafe do primeiro capítulo, um trecho maravilhoso do poema "The dry salvages", do T. S. Eliot:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;We had the experience but missed the meaning,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;and approach to the meaning restores the experience.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Além disso, há um trecho interessante, em que Piglia junta, em um único parágrafo, vários mestres:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No fim, eu escrevera um romance com essa história, usando o tom de As palmeiras selvagens, ou melhor: usando os tons que Faulkner adquire quando traduzido por Borges, com o que, sem querer, o relato ficou parecendo uma versão mais ou menos paródica de Onetti.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trecho eu retirei da edição da Iluminuras, de 1987, em tradução da Heloisa Jahn. Quem quiser conhecer todos os versos do poema "The dry salvages", &lt;a href="http://www.tristan.icom43.net/quartets/salvages.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-2126756960882849540?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/2126756960882849540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=2126756960882849540' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2126756960882849540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/2126756960882849540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/05/eu-sabia-que-alguma-coisa-especfica-no.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-864565245321899866</id><published>2008-05-21T12:27:00.000-07:00</published><updated>2008-05-21T12:41:13.663-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>E então as formigas vermelhas e as baratas começaram a proliferar-se com especial ferocidade. Alguma coisa encontram nesta seca que as ajuda a se reproduzir, dizem alguns; outros garantem que sempre estiveram por aí, como animais subterrâneos, e que só aparecem de noite; mas chega o momento em que devem sair à superfície para buscar a comida a toda hora, arriscando-se ao sol e às pisadas. Lucio respeita as formigas pela sua vontade de criar seus próprios palácios; em compensação, detesta o oportunismo das baratas, que tomam de assalto qualquer tubulação, caverna, buraco, canal ou amontoado de livros. Mas esse mesmo desprezo o motiva a criá-las e alimentá-las no quarto ao lado, onde joga os livros censurados, pois considera que esse deve ser seu indigno fim. O fogo não lhe parece uma punição adequada; isso dá a um livro oco a utilidade de produzir calor, a notoriedade de se tranformar em luz. O inferno deve ser alguma coisa que consuma lentamente, entre urina e goelas que pulverizem com tenacidade capas, orelhas, fotografias de autores e autoras, com a pose de intelectual de uns e o desejo de beleza de outras. Os bichos terão de regurgitar prêmios, conquistas e, sobretudo, elogios falsos, uma das maiores obras, mostra da enorme qualidade literária, um lugar privilegiado nas letras, pode ingressar no templo dos grandes escritores, sua obra ocupa um lugar de destaque e tantas outras tentativas de empurrar livros sem motor próprio. Imagina com prazer uma barata pondo seus ovinhos cor de café sobre aquela obscura frase de Soledad Artigas em que ela declara que Margarita se sentiu como um cometa que, para além do firmamento, procura pousar no planeta que a acolha como uma amorosa mulher estéril; ou deixando cair seu minúsculo esterco sobre personagens como Raúl Sarabia, que, em vez de morrer com dignidade, como Josep Trovich ou Basualdo Fornes, falece dando lições de história e filosofia e falso amor pelo México, e desejava que esse romance se fechasse abruptamente, desembuchando a incauta barata, fazendo com que ela evacuasse sua linfa amarelenta sobre qualquer um dos diálogos tão perfeitamente elaborados como, se o senhor me permite, doutor Sarabia, devo dizer-lhe, entretanto, que, a despeito do seu peculiar interesse pela senhorita Carrington, o senhor tem, como dever primeiro, a pátria, assim sendo, o senhor deve compreender, e sem dúvida há de convir que... e, assim, a morte do inseto esmagado pareceria uma obra de arte entre tanto vocábulo insosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trecho do romance "O último leitor", de David Toscana, em tradução de Ana Lúcia Pelegrino e Magali Pedro, para a Casa da Palavra. Edição de 2005.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-864565245321899866?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/864565245321899866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=864565245321899866' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/864565245321899866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/864565245321899866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/05/e-ento-as-formigas-vermelhas-e-as.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18227222.post-7514127317113687301</id><published>2008-05-20T13:54:00.000-07:00</published><updated>2008-05-20T13:56:04.814-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Amanhã ou depois eu prometo postar aqui uns trechos do David Toscana ou então do Enrique Vila Matas. Hoje eu só quero convidá-los a ler uma matéria minha sobre o novo livro do Deonísio da Silva, que saiu no &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=486AZL002"&gt;Observatório da Imprensa&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18227222-7514127317113687301?l=cidadedevolvida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/feeds/7514127317113687301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18227222&amp;postID=7514127317113687301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7514127317113687301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18227222/posts/default/7514127317113687301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedevolvida.blogspot.com/2008/05/amanh-ou-depois-eu-prometo-postar-aqui.html' title=''/><author><name>whisner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00207211778430892789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qGC5L1WwpUQ/ST0zNyLfOhI/AAAAAAAAACI/60p5zV6WvW0/S220/whisner.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
